Adicção que soma e segue


Maria Dulce Fernandes,

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Fiquei radiante por poder partilhar com o mundo algumas linhas que me chegaram em mãos que tratam de resumir a verdadeira essência de “Os Maias” e poderão ser de extrema relevância para quem não comungue da otarice de almas que, como eu, já folhearam por mais de quantos dedos uma mão tem, as seiscentas e setenta e quatro páginas e meia da obra capital de um dos maiores, senão mesmo o maior autor português contemporâneo. 

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Tenho de confessar a minha adicção pelos livros de Eça; é o primeiro passo dos doze que percorro até, não direi à cura total, mas até conseguir algum controle na compulsão que me arrasta diariamente até velhas, obscuras, tortuosas e sombrias prateleiras onde há sempre um calhamaço que me tenta e onde a fraqueza da carne e do espírito acabam por sucumbir derrotadas, uma e outra vez.

No programa dos doze passos que se resume em experienciar um despertar espiritual, fazer um inventário pessoal e reparar danos cometidos sob a influência do viciante, é importante impor a distância necessária ao auto-controle.

Por me encontrar já a meio do caminho da recuperação – que isto dos caminhos nunca tem fim, pois que por cada passo em frente sempre acabamos por retroceder dois – e por já me ser permitida alguma leitura supervisionada pelo sponsor, coisa leve como resumos, o Borda d’Agua, a revista Caras, a Hola¡ e alguns blogs mais pictóricos, achei por bem quinhoar convosco o meu percurso, para que através dele me vejam como a pessoa que fui, má, destrutiva, egoísta, vegetando diariamente de e para o vício, e possam dar a mão à pessoa que hoje sou, boa, empreendedora, altruísta, risonha – não fora o riso a mais antiga e mais terrível forma de crítica, talvez mais onagra, mas consciente da minha consciência.

Desconstruindo um notório aforismo, não sou artista, mas sou crítica: tenho análise e emoção… possuo também pensamento próprio, que é livre como só o vento o consegue ser.

 

28 comentários em “Adicção que soma e segue”

  1. Sempre achei que Eça escrevia maravilhosamente enredos de telenovela rasca e barata. Apenas evoluíu com A Cidade e as Serras e, sobretudo com A Ilustre Casa de Ramires.
    Sem comparação no estilo, Camillo tinha mais autenticidade. Esse sim, escrevia Portugal.

      1. Se o país é Lisboa mais a Alta de Coimbra e a Foz do Douro; se a sociedade é a classe política e plutocrática, dou-lhe toda a razão..

  2. Quanto ao ‘resumo’, é da autoria de Ricardo Araújo Pereira e já leva uma boa meia dúzia de anos em cima, para mais e não para menos, ou seja, é quase ‘contemporâneo’ do Eça.

  3. Como já aqui (quase) todos sabem, sou grande fã de Eça e já li alguns livros dele várias vezes. A sua escrita é genial e também gosto dos enredos. Não são complicados, não senhor, mas, se o que fizesse uma obra-prima fosse um enredo complicado, bastava ter imaginação e era só preciso escrever bem, não muito bem. A maneira como se narra (seja o conteúdo complicado ou simples) é que faz a diferença.

    Dito isto, tenho a confessar que achei piada ao resumo. Divertiu-me, pronto, não há volta a dar

    1. E tem toda a razão, Cristina. É fundamental saber escrever. Um escritor da excelência de Eça é muito capaz de escrever um épico inspirando-se num feijão carrapato.
      O humor do RAP é fora de série.

  4. Na minha escola vi incesto escolar de dois professores da mesma escola andarem aos xoxos as escondidas no jardim da Estrela.

    1. > incesto escolar de dois professores da mesma escola

      Mais endogamia do que incesto, para distinguir sem diferença. Pontos extra se forem XPTO.

      Mas cuidado com isso, não tarda muito apagam as memórias a quem vir coisas não autorizadas, como nos “Men in Black” (possivelmente a última vez que Hollywood teve alguma piada, não percam).

  5. Aquele resumo de Os Maias foi mesmo escrito por alguém com finalidade séria ou foi inventado para gáudio de quem o lê?

  6. No “O Crime do Padre Amaro”, aquela descrição quando o Amaro vai subindo as escadas da casa da mãe da Amélia e vê por uma frincha da porta a São Joaneira e o Cónego Dias é como estivéssemos a ver um filme.

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