
«Infelizmente, em Portugal, o amor à liberdade não encontrou um solo onde medrar. Basta recordar que, desde o fim da Monarquia Absolutista em 1820, todas as mudanças de regime resultaram de golpes militares que, após a vitória, escreveram Constituições a seu bel-prazer: foi assim em 1822, foi assim em 1826, foi assim em 1910, foi assim em 1926 e foi assim sob o regime em que vivemos.»
Maria Filomena Mónica, Uma Estranha Amizade, p. 215
Ed. Relógio d’Água, 2021

O que permanece como valor é o acesso ao poder.
Ser a liberdade um meio e não um fim, dá-lhe um efémero relevo.
Só quem preza a responsabilidade individual tem amor à liberdade.
O que permanece como valor é o acesso ao poder, à vantagem.
Ser a liberdade um meio e não um fim, dá-lhe um efémero relevo.
Só quem preza a responsabilidade individual tem amor à liberdade.
Houve eleições livres para a Assembleia Constituinte de 1975, a constituição nbão foi escrita pelos militares golpistas, e os militares abandonaram o poder após eleições livres.
Apesar de tudo há uma certa diferença entre a constituição de 36 e a de 76.
Quanto aos regimes terem sempre sido mudados pela força, tal é a natureza das coisas, se fossem mudados internamente não seria uma mudança de regime.
A mim parece-me deveras normal que as mudanças de regime decorram de golpes militares (ou de outras ações violentas) e que sejam seguidas por mudanças de constituição. Não vejo como é que a Maria Filomena Mónica pretenderia que as mudanças de regime fossem efetuadas.