
Bani os fritos da minha dieta alimentar. Não me fazem falta alguma. É uma regra que admite excepções, aliás cada vez mais raras, mas tem carácter imperativo após o pôr-do-sol. E dou-me bem com isto.
Entre as excepções, figuram as chamuças que compro de vez em quando no mercado de Alvalade. De fabrico caseiro, adquiridas na banca dos congelados Zanugel, ali existente desde 1981. Só há aos sábados – e não são congeladas, estão prontas a comer, se formos cedo ainda as recebemos quentinhas. Estaladiças, com a massa vegetal adequada, o picante e a cebola no ponto certo.
Gosto tanto delas que por vezes tiro uma do cartucho para saboreá-la enquanto deambulo pelo melhor mercado de Lisboa. Que nas manhãs de sábado funciona também como ponto de encontro dos moradores do bairro.

Passei por lá ontem, já depois das onze: ainda havia. Pedi meia dúzia.
Ia com a intenção de preparar um risoto de cogumelos para o almoço. Passei pelo supermercado para me abastecer do que faltava tendo também em vista as ementas da semana que vai seguir-se.
Mas à entrada do Pingo Doce encontrei um grupo de voluntárias do banco alimentar: mudei de ideias. Enchi um saco de compras – massas, arroz, enlatados – e deixei-o com elas. Nada trouxe para mim.
Sobravam as chamuças. Serviram-me de almoço e jantar (jantei cedo, aguardando a final da Liga dos Campeões). Na melhor companhia líquida possível que uma chamuça pede: cerveja, geladinha. Bebo pouca cerveja, mas agora é sempre desta marca: Robert Doms. Porquê? Por ser da Ucrânia.
Eis a globalização à mesa. Comes de origem goesa, via Moçambique, e bebes do extremo leste da Europa, agora terra de combate. Combinação perfeita para o sábado mais quente deste ano que tem andado tão enevoado.
Slava Ukraini!


Mesmo bom! Gosto muito de chamuças, mas nem me atrevo a tentar fazê-las. Deixo para quem sabe. Outra coisa que gosto muito é cerveja que , apesar de me estar interdita, de vez em quando mato a saudade. Esta não conheço, mas hei-de provar. Ontem comi filetes de sardinha ( é sardinha escalada e frita). Ando com saudades de petinga com salada mista, mas ainda não encontrei que me agradasse.
Bons petiscos, Pedro e bom Domingo.
As melhores de Lisboa, para mim, são as chamuças de camarão do restaurante Jesus é Goês. Pelo menos três colegas de blogue já lá petiscaram comigo. Nunca podemos ser muitos porque o restaurante é pequenino, ali na rua de São José.
Mas estas da Zanugel, vegetais, são excelentes também.
Hoje cheguei tarde. Depois de um dia tão cansativo não estava com disposição para coisa alguma. Mas tinha uma surpresa à minha espera : 4 chamuças de carne das que comprei por sugestão do jpt e que são um mimo, preparadas na actifry ! Nem de propósito! Com um belo copo de sumo e aipo detox a acompanhar, renovei a boa disposição.
Muito nos conta, Dulce. Ainda bem.
Camarada Chamucista, temos que fazer uma barricada conjunta… E clamaremos, enquanto mastigamos, até de boca aberta, “no pasarán!”.
Iremos ucraniar enquanto petiscamos. Bela cerveja, esta.
Há dois petiscos indianos que para mim são irresistíveis. Apesar de um deles ter origem portuguesa os goeses adaptaram-no muito bem. Refiro-me ao sarapatel que para mim é um espectáculo.
Umas chamuças de entrada e a seguir um bom sarapatel é o início de uma tarde perfeita.
Sou grande apreciador de sarapatel, que tive o gosto de comer em Goa – picante a sério, nada assim-assim.
Em Lisboa já prestei tributo – e reincidi ali no pecado da gula – ao magnífico sarapatel do restaurante Zuari, ali na zona de Santos.
xamussna slava!
Também já não como fritos e também faço uma rara excepção aqui e ali. Uma mercearia aqui perto de mim tem agora umas chamuças divinais feitas por uma imigrante paquistanesa. É uma tortura resistir a comprar chamuças de cada vez que lá vou, o que é quase todos os dias.
Assim não vale. Temos de saber onde é essa mercearia para passarmos por lá.
Caramba, fiquei com enorme vontade de lá ir.
Posso perguntar-lhe onde fica essa mercearia? Fiquei curiosa… Obrigada
Fica em Setúbal, onde estou a morar.
Onde é que compra esta cerveja? Não me lembro de alguma vez a ter visto.
Obrigado e uma boa semana
Pedro Cunha
Compro num supermercado russo, também no bairro de Alvalade. Só lá vou comprar esta cerveja ucraniana. Tenho sempre algumas na geleira.
Quando pago, digo: «Slava Ukraini!»
Sem nenhuma reacção hostil, até agora.
Eu moro em Alvalade e conheço esse super russo. Pensei que só lá podiam ir russos…😀
Mais frequentado por ucranianos do que por russos. Não admira: há mais de 45 mil ucranianos em Portugal.
Eu não sei se as chamuças são de origem goesa ou não, mas eu quando as compro é num restaurante bengali perto do Martim Moniz. E, que eu saiba, os bengalis não são goeses nem nada que se pareça.
Ainda bem que passou por cá para deixar essa importantíssima e argutíssima observação.
O Pedro Correia diz detestar nacionalismos mas depois vem-nos com esse “Glória à Ucrânia” muito nacionalista. Não me parece bem.
Ofendi o seu nacionalismo russo? Lamento imenso. Mas vou continuar assim.
Glória à Ucrânia é um grito contra as ditaduras, contra os comunismos e contra os idiotas. Já está muito para lá do patriotismo.
Nem mais.
Não há problema, tudo pela Ucrânia nada contra a Ucrânia. Que é o que está a dar, mas parece que já deu mais.
Até os nacionalistas Azov dizem o mesmo, e até têm nas suas fileiras russos, chechenos, moldavos, georgianos e outros que de ucranianos só têm AZOV.
Coisa mais indigesta, levar com a escória putinesca também a propósito das chamuças do mercado de Alvalade.
Pois, pois como o fintas da praceta, mas com o SAP3i é bolinha baixa.
Fala-se em escória e logo aparece um exemplar. O mais rasca, por sinal.
Pedro, tens de me dizer onde arranjas essa cerveja ucraniana. (quanto às chamuças, ainda me fazes acordar cedo a um Sábado para ir à procura delas)
Supermercado russo na avenida do Brasil, João. Mas só lá compro produtos ucranianos – como esta excelente cerveja. Faço questão.
Tá bem que os fritos são dispensáveis, mas umas chamuças e por que não uns carapaus de Sesimbra fritos com arroz de tomate? Ou fritos só com salada de alface e tomate.
E não tem de ser todos os dias, pode muito bem ser acompanhado com vinho branco fresco que é nosso e calhando deixou de ser exportado para os russos só para os tramar.
Passo bem sem fritos, não faço sacrifício por abdicar deles. Mas volta e meia marcha um croquete em local de confiança. E, claro, estas chamuças uma vez por outra.