
Ana Vidal: «Parece incrível, mas a publicidade já foi assim. Mulheres penitentes, maridos magnânimos. Tragédias domésticas de proporções bíblicas, e… a salvação numa cerveja.»
Helena Sacadura Cabral: «Retomei a normalidade do quotidiano. Foi com alguma dificuldade. Mas com uma enorme mais valia, porque faço tudo mais devagar. Encontrei finalmente tempo para olhar à minha volta e descobrir cores e volumes que via todos os dias sem os olhar.»
Ivone Mendes da Silva: «Um escritor não escreve contra o Mundo, o Mundo ordena-se para ele e ele devolve-no-lo, ordenando as palavras na ordem que mais lhe aprouver. Assim a charneca do Yorkshire retorceu as árvores que Emily Brontë nos leu, assim as intrigas se dobraram nos lençóis do Douro onde Agustina nos deitou. O Mundo dá-se ao escritor e o escritor devolve-o ao mundo que é como quem diz a nós que somos comuns.»
João Carvalho: «Trata-se de um grupo de inspectores a ver se descobre onde é que Mário Lino, António Mendonça e Paulo Campos enterraram tantos milhões em tão pouco tempo.»
José António Abreu: «Certas carreiras – e vidas – ficam marcadas por um ou dois acontecimentos a que nunca mais é possível escapar. Na carreira de Sinéad O’Connor, os acontecimentos foram dois e ocorreram há cerca de vinte anos. Consistiram numa versão sublime de um original de Prince (Nothing Compares to You) e no acto – insensato, corajoso ou ofensivo, consoante o entendimento de cada um, mas indubitavelmente sincero, ao invés de tantos outros que se vêem por aí hoje em dia – de ter rasgado uma fotografia do Papa durante um episódio de Saturday Night Live.»
José Navarro de Andrade: «Bem sei que a música electrónica está em baixa desde que Xenákis e Stockhausen pregaram um grande susto aos ouvidos comuns, já lá vão uns 40 anitos. Doutro modo, há quem oiça nela despropósitos new age, com incenso e tudo, mais adequada a lobbys de hotel trendy, tipo W, ou a ambientes de spa de águas frescas. Imploro por isso a vossa indulgência com Pulse Emitter, natural do Oregon, terra de intermináveis florestas húmidas. Quando escuto isto, viajo. E de olhos fechados vejo melhor esta música.»
Luís Menezes Leitão: «Desde que D. Afonso Henriques decidiu dar a independência a este cantinho à beira-mar plantado que, com excepção do tempo dos Filipes, não temos um Governo tão subserviente aos ditames do estrangeiro.»
Patrícia Reis: «O homem que teve de despedir cinco pessoas passou sete dias ao telefone. O objectivo era arranjar emprego aos seus ex-empregados. Conseguiu quatro entrevistas. Informou quatro dos empregados. Um respondeu que não estava disponível para ir a entrevistas por ter férias marcadas. O homem continua a ansiolíticos.»
Rui Rocha: «Afirmar que Mário Soares é um animal político pressupõe uma definição incompleta do pai presumido da nossa democracia. Soares não é um animal qualquer. O que o caracteriza, antes de tudo o mais, é o faro apurado. Esse faro que lhe permitiu, em tantas ocasiões, suprir as suas evidentes limitações. Soares é um perdigueiro. Espetou as narinas na realidade destes dias que nos consomem. To Zé Seguro olha para Hollande e vê uma tábua de salvação. O olfacto de Soares diz-lhe que Hollande passou a representar uma urgência. Louçã carrega mais nos erres com o resultado do Syriza na Grécia. A Soares cheira-lhe a esturro. Enquanto outros se encantam com a transformação da França em Lalallande e da Grécia numa Nãopagamoscracia, Soares já viu o filme todo.»
