Paulo Tunhas presenteia-nos semanalmente no Observador com alguns detalhes captados pelo seu olhar treinado na filosofia e que escapam aos banais observadores da realidade, onde me incluo.
Hoje escreve sobre as palavras certas das pessoas simples, sobre a forma linear como as vítimas dos bombardeamentos russos explicam aquilo por que têm passado, mas não só. Às páginas tantas diz:
“Ouvir um comunista é ouvir uma máquina de palavras – a célebre “cassete” – cujo contacto com a realidade é puramente acidental. Até a maníaca repetição de fórmulas sublinha esse lado maquinal. E as máquinas de palavras são indiferentes à verdade. Como são indiferentes à verdade os conspiracionistas sortidos, de esquerda ou de direita, que vêem na invasão da Ucrânia a resposta justa e inevitável a uma urdidura dos Estados Unidos e dos seus velhos aliados britânicos, que arrastariam consigo a União Europeia. Os conspiracionistas são, em geral, analfabetos que confundem uma desconfiança originada pelo que se chama “egoísmo lógico” com uma forma de cepticismo. Dito de outra maneira: recusam-se a acreditar no que o comum acredita porque isso os faz sentir intimamente detentores de uma verdade oculta que não está ao alcance da maioria. Também a estes a mentira os atrai como uma luz inesperada e lhes faz descobrir um mundo de possibilidades infinitas que o banal respeito pela verdade infalivelmente restringiria.”
Aderir a uma religião ou a uma ideologia é aceitar uma grelha de interpretação da verdade que garante uma bateria de respostas para perguntas difíceis. Uma teoria da conspiração é muito mais fácil de levantar, pois basta juntar duas ou três coincidências e, como quem une os pontos, em vez de os ligar com segmentos de recta, recorre a criativas formas curvilíneas que têm de cruzar também os seus medos e ódios. Há sempre uns tontinhos que, por partilharem os mesmos medos e ódios, acabam por engolir a embalagem toda sem mastigar. São os palermas.

Ou seja, o C.Tunhas, por esse escrito, acusa-se a si próprio, exatamente com aquilo que pretendia acusar os outros.
Ora vejamos…
1 – A questão de Olivença é importante para percebermos a actual razão da Rússia. Porque faz-nos sentir, a nós portugueses, o mesmo que nos fizeram com Olivença.
2 – Concretamente, para percebermos a usurpação e roubo que foram feitas à Rússia pelos EUA/Nato, em 1991, com a imposição forçada das actuais fronteiras ditas “ucranianas”.
3 – O “Tratado de Alcanizes” (assinado em 12setembro1297 entre Fernando IV de Leão&Castela e D. Dinis de Portugal) estabelecia Olivença como parte de Portugal.
4 – Em 1801, Olivença foi anexado a Espanha por imposição do “Tratado de Badajoz” de 6junho1801 foi imposto a Portugal por coação das tropas de Napoleão que estavam estacionadas na Ciudad Rodrigo em Salamanca.
5 – Em 1808, o “Tratado de Badajoz” foi denunciado por D.JoãoVI de Portugal.
6 – Em 18junho1817 foi assinado o “Tratado de Viena” pelos países europeus. De acordo com o qual a Espanha reconheceu a soberania portuguesa de Olivença, comprometendo-se a devolvê-la. Coisa que, até aos dias de hoje, ainda não aconteceu.
7 – Ora, o “Tratado de Viena” (assinado em 18junho1815) definiu o «Mapa da Europa». DEFINIU AS FRONTEIRAS dos países europeus (consultar o Documento).
8 – No “Tratado de Viena” (o tal que reconheceu a soberania portuguesa de Olivença) pode verificar-se — com toda a clareza e sem qualquer dúvida –, que a Rússia incluía o actual território da Ucrânia, Moldava, Lituânia, Estónia, Bielorrússia e parte da Finlândia.
9 – Em suma, esse C.Tunhas é mesmo tunhas. Será um comediante — tal como disse o Lula da Silva a propósito de Zelensky, ontem, na entrevista à revista americana “TIME”?
O seu comentário é um exemplo acabado de uma teoria palerma e desonesta.
Consegue fingir que desconhece que depois do Tratado de Viena já foram firmados outros tratados internacionais relativos a alterações de fronteiras, tratados esses, reconhecidos à luz do direito internacional. Após o Tratado de Viena, onde foi assinada a última alteração de fronteira entre Portugal e Espanha, mergulha numa conclusão como se depois dele não tivesse sido assinado nenhum outro tratado entre estados. É a lei internacional que faz da Invasão Russa em curso, além de um crime, uma violação grosseira dos acordos assinados. Esta sua atoarda até parece que foi encomendada para comprovar o postal. QED
Sugiro ao leitor o envio urgente desse comentário, em forma de memorando, ao MNE russo. Nem Serguei Lavrov – sósia de Boris Karloff no filme ‘Frankenstein’ – se lembrou até hoje de invocar o Tratado de 1815 para justificar a agressão russa à república independente e soberana da Ucrânia.
há um problemazinho _ na alemanha os palermas eram praí uns 90 % da população , ou seja , a maioria . e não tenho dúvidas que é a maioria que continua palerma através dos tempos. a história confirma-o.
Nunca foram 90%, mas tem razão sobre o facto de que algumas vezes é a maioria que está errada. Por isso, os palermas não devem silenciados, mas apenas tolerados. Tolerados como eles não tolerariam se tivessem capacidade de calar os demais. Eu, que gosto de cultivar dúvidas, tolero-os, embora não deixe de dar umas boas gargalhadas à conta deles.
Como é que a Marina sabe que eram 90% se deixou de haver eleições na Alemanha em 1933, logo após a subida de Hitler ao poder?
Os judeus alemães que foram espoliados, vilipendiados, violentados e assassinados também se incluem nesses “90 por cento”?
O mais difícil, de quem andou a apoiar cegamente zelensky (nato/eua), é reconhecerem o erro, e pedirem desculpa. É esse ódio e essa raiva, que se começam a ver nos comentários contra quem avisou e pediu prudência no início.
Outra vez batatas?
Por vezes aprovo alguns comentários palermas, mas como o Lula da Silva não é um palerma qualquer, apaguei as declarações dele que aqui tentou descarregar.
Quando entender o que é o direito internacional e para o que serve, entenderá a dimensão do que aqui tem repetido e repetido. Não vem aqui convencer ninguém por isso, como como já lhe recomendei, pode criar um blog.
‘chapéus há muitos …’
Isso.