
Praia de Cuxhaven, na maré baixa
Na costa alemã, o Mar do Norte recua vários quilómetros, na maré baixa. Ou seja: desaparece de vista, permitindo a Wattwanderung. Esta palavra é de difícil tradução. A segunda parte da palavra, Wanderung, significa caminhada. E a primeira parte, só por si, não existe, é necessário recorrer à palavra Wattenmeer, que indica um mar em maré baixa, ou, mais propriamente, o solo arenoso e, muitas vezes, pantanoso, que ele deixa, ao desaparecer. Na altura da maré baixa, a praia de Cuxhaven modifica-se completamente, pois permite passeios “mar adentro”. No entanto, é preciso cuidado, pois, quando o mar regressa, tudo acontece de forma bastante rápida. É imprescindível consultar o horário das marés.

A maré baixa permite ir até à ilha Neuwerk, ao largo de Cuxhaven, a cerca de 11 km da praia. Para passeios longos como estes, porém, convém não ir sozinho. Ainda melhor, é tomar parte em excursões organizadas, com guia, pois há locais com areias movediças que se podem tornar perigosos. Além disso, é necessário calcular bem o tempo, a fim de regressar à praia, antes da maré cheia. A pé, fica muito apertado e uma outra opção é utilizar estas carroças castiças, puxadas por cavalos.

Nas praias alemãs do Mar do Norte, em vez de barracas, há estes bancos protegidos por uma espécie de concha, pois o vento pode ser muito desagradável. Chamam-se Strandkorb (“cesto” de praia).

Na costa alemã, o Mar do Norte recua vários quilómetros, na maré baixa.
Isso quer dizer que o mar é muito pouco fundo. Mas, se isso é assim, como é possível que haja portos?
Outra pergunta, estúpida, por que têm as cidades ali o nome “haven”, quando “porto” em alemão se escreve “Hafen” com f?
Bem, sei que na praia de Cuxhaven, e nas outras perto, é assim. O mar é pouco fundo só mesmo numa determinada parte, depois o fundo desce abruptamente. Também se fazem remoções de areias. Sei que, por exemplo, na zona da foz do rio Elba, precisamente em Cuxhaven, há um corredor mais fundo para que os navios possam entrar no rio, a caminho de Hamburgo. Não sei como se procede em Bremerhaven e em Wilhelmshaven.
Penso que “haven” no nome destas duas cidades se baseia numa grafia antiga de “Hafen”. De resto, em alemão, lê-se exactamente da mesma maneira. O “v” lê-se (quase) sempre como “f”. Já agora, Copenhaga tem a mesma origem, ou seja, tem o complemento “porto” no nome. Em dinamarquês, a cidade chama-se “København”.
Julgo que “haven” é mais no sentido de refúgio que de “hafen” porto , embora se pronuncie “f” nas duas palavras.
Em alemão, e não só, o “v” pronuncia-se “f”, que no caso mais conhecido Volkswagen diz-se folkswagen. Os neerlandeses escrevem voetbal mas dizem footbol.
Fiz várias vezes a viagem de cerca de 650 km de Groningem (NL) e Aarus (DK) e volta, que na época havia quase de atravessar as cidades de Bremen e Hamburgo.
E depois de me aconselhar com o marido, que não é especialista, mas nasceu nas margens do rio Elba, entre Hamburgo e Cuxhaven (sempre sabe mais do que eu), confirmo que realmente a grande diferença entre as marés baixa e alta depende da profundidade. Há locais, em que a amplitude comporta mais de 10 metros, noutros, ela resume-se a 2 ou 3 metros. Os casos de Bremerhaven e Wilhelmshaven não serão tão extremos como Cuxhaven, mas ele também não sabe pormenores. Chamou-me a atenção para que, apesar de o leito do rio Elba permitir a passagem dos grandes navios com destino ao porto de Hamburgo e de haver um corredor, na foz, por onde podem navegar, muitas vezes, eles têm de esperar pela maré cheia, para entrar no rio. Em portos mais pequenos da zona, para barcos de recreio (as chamadas marinas), há horas de entrada e saída. Se a profundidade não for favorável, há que esperar. Quem quiser utilizar essas marinas, tem acesso a horários e calendários próprios.
Infelizmente não conheço, Cristina. Tenho ideia de uma praia semelhante em Scheveningen, que visitei há mais de 50 anos, que tinha bancos semelhantes, mas em palha, estava calor, a água um gelo e o arenque com batatas e maionese soube pela vida.
A Alemanha é muito mais bonita do que se pode pensar, especialmente quando se tem a noção errada que visitar a Alemanha é ir aos Castelos do Reno.
Sim, há sempre as zonas turísticas mais conhecidas, até porque, quem procura praias, ou seja, férias exclusivamente de banhos de sol e de mar, a Alemanha não é o destino certo. Mas, de facto, compensa, por vezes, fazer outro tipo de férias.
A Alemanha também tem praias no Mar Báltico, onde o tempo é um pouco melhor (costuma haver mais sol) e não existem estas marés extremas.
A costa holandesa também é muito apreciada pelos alemães, para férias, principalmente, para famílias com filhos pequenos e que fazem campismo. Também para casais mais idosos, que já não apreciam grandes distâncias.
Eu não sou grande apreciadora de praia, Cristina. Os destinos de férias apenas para fazer praia dizem-me pouco. Gosto de conhecer. Praia é areia e mar. Pode ser bonito ou até paradisíaco. Dois ou três dias e , se não houvesse mais para ver, seria uma maçada.
Antigamente, eu era mais fã, vivi no litoral. Mas, depois de vir para a Alemanha, as férias de praia foram-se tornando mais raras e habituei-me a outro tipo de férias. Há também que ter em conta que, com o passar dos anos, os banhos de sol prolongados vão sendo cada menos aconselháveis
O meu marido é adorador do sol e regressa sempre com um bronzeado saudável. Eu é mais bolos… uma sombra, uma espreguiçadeira, um livro e uma garrafa de água chalada. Se o calor aperta vou nadar tantas vezes quantas as necessárias para ficar fresca. Se aperta demais vou embora.
O Verão e eu temos choques climatéricos
na Niederösterreich os Amigos chamavam-me Weltenbummler.
na Alemanha fiquei-me pela Prússia.
não gosto de praia: detesto areia
Excelente post, Cristina. Gostei do assunto, do sítio e da “tensão” criada por causa dos horários das marés.
P.S. Watt soa-me a “flat”, que não é distante etimologicamente do nórdico “vatn”, que pode ser um lago ou uma extensão de água. Acho que Watten também existe na toponímia inglesa com o mesmo sentido (mudflat).
Obrigada.
Sim, há familiaridades entre muitas palavras faladas na Alemanha do Norte e as línguas escandinavas. Nem todos os alemães sabem o que é “Wattwanderung”. Quem mora no Centro ou no Sul e nunca fez férias no Mar do Norte é capaz de não saber (a costa alemã é pequeníssima em relação ao resto do país). No inglês, sim, também é possível. Na Inglaterra há muitas zonas pantanosas, mas não sei como se comporta o Mar do Norte na sua costa. É possível que haja casos do género.
Estava quase a lembrar-me de duas referência literárias, mas são ambas ao lado
https://en.wikipedia.org/wiki/The_Riddle _of_the_Sands – a história é inglesa, mas a areia é alemã na mesma …
https://crimefictionlover.com/2013/09/ci s-dorothy-l-sayers-and-fenland/ – A Fenland inglesa é pantanosa, mas não costeira …
Que praia paradisíaca. É fria e ventosa e, em metade das vezes que lá se vai, só se tem água pelos joelhos quando se toma banho. Com a vantagem de, nessas ocasiões, se poder a qualquer momento enfiar o pé em areias movediças e começar a afundar.
Ouvi dizer que do lado oposto da penísula dinamarquesa, em Travemuende, as coisas são bem melhores.