DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Adolfo Mesquita Nunes: «A minha memória é caprichosa, não se deixa enganar ou seduzir pelas minhas instruções. Guarda o que lhe apetece, algumas vezes em segredo, muitas vezes contra a minha vontade. É ela, não eu, que escolhe o que me faz regressar ao ouvir o primeiro acorde ou ao ver primeira imagem. Esta é uma série que lhe é dedicada. Não à minha memória, que não merece, mas ao sítio para onde regresso quando lhe obedeço.» 

 

João Carvalho: «O Fiat 600D entrou lá em casa a estrear e foi ocupar na garagem o lugar do vetusto “Cartolinhas”. O TO-17-86 (como eu me lembro), de 1961, pela forma e pela inusitada cor de origem (uma espécie de verde-da-horta que se prolongava no interior pela parte central dos assentos e forros das portas) foi depressa baptizado por nós com um nickname adequado: o “Ervilhinha”.»

 

José António Abreu: «No primeiro dia do julgamento do caso Freeport, uma testemunha sob juramento mantém que um dos arguidos afirmou ter pago 2,5 milhões de euros a José Sócrates. A “justiça” (as aspas são propositadas e o uso de minúscula também) nunca achou conveniente interrogar José Sócrates sobre o assunto.»

 

Rui Rocha: «A semana que chega ao fim foi um desastre em termos de credibilidade dos políticos. A luta de galos no governo no que diz respeito à gestão do QREN é incompreensível para o cidadão comum. A gestão do episódio da Lusoponte, mesmo na interpretação mais benigna, só pode ser vista como uma tremenda trapalhada. De que resulta a certeza de que é muito mais fácil mandar portugueses para a emigração do que afrontar os interesses instalados nesta corporocracia em que vivemos.»

 

Teresa Ribeiro: «Manipular um cão é abusar da sua pureza, mas com um gato é diferente. Um gato está mesmo a pedi-las.»

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