Fogem para cá, não para lá


Pedro Correia,

107026162-16466575672022-03-07t124901z_1713998570_(Foto: Fabrizio Bensch / Reuters)

Refugiados ucranianos na Polónia: mais de um milhão em duas semanas

 

Vemos ucranianos a fugir para os países situados a sul e a oeste das suas fronteiras: Polónia, Hungria, Eslováquia, Roménia, Moldávia.

Só na Polónia, segundo informa a BBC, o número de refugiados já vai em 1,2 milhões. Em apenas duas semanas.

Alguém sabe dizer-me quantos fugiram para a Rússia desde a sinistra data de 24 de Fevereiro? Será que nenhum quer acolher-se à protecção dos blindados «libertadores» de Moscovo?

Vale a pena reflectir nisto. Porque as respostas a esta perguntas permitem esclarecer várias outras questões, que a propaganda do Kremlin e dos seus lacaios em Portugal procura iludir. O instinto dos povos em fuga, acossados pela guerra, nunca se engana na rota da liberdade.

 

ADENDA: A Comissão de Direitos Humanos da ONU confirma a existência de 474 civis mortos e 861 feridos na Ucrânia desde 24 de Fevereiro. Há 38 crianças mortas e 71 feridas.

60 comentários em “Fogem para cá, não para lá”

  1. Ainda continuas com essa “ninguém foge para lá” para assustar as criancinhas, do lado de lá já não existe comunismo, como queres fazer crer.
    Não fogem para lá por razões lógicas e toda a gente perceberá a razão.
    Mas todas as noites na Telejornal da RTP1 dá noticia das pessoas a fugir da guerra para os países vizinhos por acaso também têm fugido para a Rússia.

    1. Estes comunistas idolatram o antigo tenente-coronel do KGB de tal maneira que até imaginam milhões de ucranianos agredidos a procurarem refúgio no país agressor.
      Vêem magens da Polónia ou da Roménia e logo imaginam que aquilo é a Rússia, hoje novamente transformado em país-prisão.

      Ter sido bufo da sinistra Stasi deve dar uma aura especial ao czar Putin para merecer tanta idolatria destes militantes do PCP.

      1. Vêem magens da Polónia ou da Roménia

        O problema é, precisamente, que atualmente não se pode ver imagens da Rússia.

        Eu não sei se há muitos ou poucos refugiados na Rússia, suspeito que haja poucos mas não o vou afirmar. Sem haver imagens nem repórteres no local, não sabemos.

          1. Os voos para Moscovo estão baratos e têm muitos lugares disponíveis.

            Eu diria que não há atualmente vôos disponíveis para Moscovo. Que eu saiba, os espaços aéreos da União Europeia e da Rússia estão ambos interditos para os aviões da contraparte.
            Mas posso estar mal informado.

          2. Confesse que tem uma certa admiração pelo jornalisno da ex URSS. Esse modo de insultar a pessoa que o contesta dizendo que está feito com o inimigo, é a principal característica do livro de estilo da Pravda e dos jornais das verdades a que temos direito. Tanto mais que nem se dá ao trabalho de contestar o que os outros dizem.
            Custa-lhe a perceber que o que torna as ações russas condenáveis, são as ações em si, não seriam respeitáveis se fossem feitas pelos nossos amigos.

      2. Continuas a ser populista e querendo passar atestados de estupidez aos leitores do blogue.
        Confundires a República Moldava com a Moldávia acontece a muita gente, mas como jornalista não teres um pouco de valentia para comunicar com a RTP e dizer serem idolatras do PCP e do Putin do pitrol.
        Diz ao não sei quantos Faria que não há ucranianos a refugiarem-se na Rússia e o mapa que ele apresenta é uma bajulice ao KGB
        Vá lá e deixa-te de tretas, e apresenta queixa ao Ministério Público que o assunto é sério.

          1. Vá lá, não sejas sarrafeiro e apresenta um protesto ao Comissário Europeu para Comunicação Social que aqueles mapas da RTP (RT?) dos refugiados são feitos soldo do império soviético.
            Só assim passas a ter credibilidade.

    2. “… lá já não existe comunismo…”.
      Pode não existir comunismo por lá. Mas existem comunistas, os tais que mataram milhões de ucranianos à fome-Holodomor- e hoje matam-nos à bomba.
      E por cá há gente que venera esses comunistas, pelos vistos …

      1. Pela lógica do comentador João Brandão, os soldados portugueses que lutaram na Guerra Colonial eram todos salazaristas. Quanto ao Holodomor, eu aconselharia a não debitar propaganda de Goebbels acriticamente e, sendo verdade que houve uma fome na Ucrânia, não há provas de que se tenha tratado um genocídio. Para isso já bastou a “fake news” dos bombardeamentos de Dresden. Critique-se a URSS e Stalin à vontade, que há muito para criticar, mas com factos.

        1. Há uma boa probabilidade de quase todos os que dizem que lutaram na Guerra Colonial serem Salazaristas ou, vá lá, Marcelistas(*). Eu lutei na Guerra de África. Outros ainda, dizem que fugiram das Guerras de Libertação.
          (*) Em rigor, os Marcelistas deveriam dizer que lutaram nas Guerras das Províncias Ultramarinas.
          P.S.- Quanto ao Holomodor não há branqueamento possível. Dizer que a intenção não era um genocídio é um branqueamento.
          Concorreram duas intenções distintas. A primeira liquidar os camponeses com terra que se opunham ao comunismo. Ocorreu na Ucrânia mas também na própria Rússia e noutras regiões. Aqui os historiadores dividem-se. Uns falam em genocídio social, outros fazem concorrer outras causas, retirando a exclusividade à decisão política de extinguir os “kulaks” como classe (Stalin, Joseph. “Concerning the Policy of Eliminating the Kulaks as a Class,” Krasnaya Zvezda, January 21, 1930, Collected Works, Vol. 12, p. 189).
          A segunda foi a necessidade de divisas que levaram ao confisco e venda das reservas de cereais ucranianos, incluindo as reservas para semente. Ora quem deu essa ordem não podia deixar de saber que provocaria uma fome generalizada.

          1. A escumalha putinesca é negacionista militante. O Holomodor, para estes canalhas, nunca existiu: é invenção da NATO e da União Europeia.
            Quatro milhões de mortos na Ucrânia – um repugnante genocídio estalinista – é coisa nenhuma para estes negacionistas.

          2. Ora aqui está um comentário que dá gosto ler – objetivo e informado.

  2. Nem malas nem ombros nem consciências de tantas vitimas carregam heróis nesta saída do inferno que lhes ofereceram.

  3. Ao anónimo das 3.28 (!) que insiste em trazer aqui um enorme lençol de texto – que não li – cheio de palavras escritas em maiúsculas: não vale a pena tentar de novo. É logo remetido à reciclagem, sem publicação.

    1. Será que essa gente não dorme? 3,28 da madrugada? Será gente que mora na Venezuela? Quem sabe? Ou será alguém com o relógio atrasado vários anos?

          1. Nesse aspecto tem razão, não se trata de aprender, antes escrever correctamente.
            Você é que tem de escrever correctamente, é a sua profissão. Mal seria ser jornalista e não saber escrever, o que não é o seu caso. Reconheço esse facto.
            Mas, julgo não irá criar um blogue elitista e alterar a moderação aos comentários, que além de azular por razões clubistas também haverá censura á sintaxe e á ortografia, o que é desculpa de censor esperto sou eu.

          2. O que deixa aqui escrito não faz sentido num blogue onde já foram publicados quase QUATROCENTOS MIL COMENTÁRIOS — mais exactamente, 397.560 no momento em que escrevo — das mais diversas origens, proveniências, cores políticas e ideológicas, filiações clubísticas (aliás quase todas aqui representadas) e sem qualquer exigência de identificação a quem comenta ou instituição de ‘numerus clausus’ para limitar o número de comentários de cada um.
            De tal modo que cerca de dois terços dos comentários, pelo menos, vêm de anónimos como você.

          3. Pois, a ‘por razões clubistas’ arranjei eu para você publicar. O que eu queria dizer é que publica o que lhe convém, principalmente quando repara que não saí bem na fotografia, como diria o outro são mutos anos a virar frangos. (p.ex. o que é que deu aquela da etnia russa)

          4. Se você insiste em fazer essas alusões absurdas à “etnia russa”, num dos vários pseudónimos que aqui utiliza, terei de continuar a chamar-lhe xenófobo.
            E acredite que não tenho a menor simpatia por gente xenófoba.

          5. Dê-lhes, Pedro, pois esta gente deve ser desmascarada. Acredito que alguns são assalariados, quem sabe se pagos com dinheiros provenientes de certas paragens obscuras.
            Concluindo, em gente desta natureza, que nunca lhe doiam as mãos.

          6. Bots de Moscovo. Percebe-se, pela escrita robotizada e pela incapacidade de apreenderem certas palavras que não constam do catecismo.

  4. CARLOS MARIGHELLA in MANUAL DO GUERRILHEIRO URBANO
    A guerra revolucionária se manifesta na forma de guerra de guerrilha urbana, guerra psicológica, ou guerra guerrilheira rural. A guerra guerrilheira urbana ou a guerra psicológica na cidade depende da guerrilha urbana. O guerrilheiro urbano é um homem que luta contra uma ditadura militar com armas, utilizando métodos não convencionais. Um revolucionário político e um patriota ardente, ele é um lutador pela libertação de seu país, um amigo de sua gente e da liberdade. A área na qual o guerrilheiro urbano atua são as grandes cidades brasileiras. Também há muitos bandidos, conhecidos como delinqüentes, que atuam nas grandes cidades. Muitas vezes assaltos pelos delinqüentes são interpretados como ações de guerrilheiros. O guerrilheiro urbano, no entanto, difere radicalmente dos delinqüentes. O delinqüente se beneficia pessoalmente por suas ações, e ataca indiscriminadamente sem distinção entre explorados e exploradores, por isso há tantos homens e mulheres cotidianos entre suas vítimas. O guerrilheiro urbano segue uma meta política e somente ataca o governo, os grandes capitalistas, os imperialistas norte-americanos »
    sobrou a Dilma

  5. LA GUERRA IN UCRAINA
    I droni turchi Bayraktar, l’arma decisiva dell’esercito ucraino contro i russi
    di Andrea Nicastro, inviato a Dnipro
    Leggeri, economici e manovrabili da lontano, i bombardieri comprati da Ankara hanno inflitto pesanti perdite all’esercito di Mosca

  6. Sun Tzu – A arte da guerra (8)
    “É mais importante ser mais inteligente do que o inimigo mais poderoso”

  7. 474 civis mortos e 861 feridos na Ucrânia desde 24 de Fevereiro

    Se em duas semanas só fizeram 500 mortos, então estão a ter muito cuidado.

    A termo de comparação, numa das últimas guerras contra Gaza, Israel fez, em menos de duas semanas, mil mortos. E tendo muito cuidado, segundo disse.

    1. Lavoura em nova crise de whataboutismo patológico e delirante.
      Comparado com as três mil vítimas do 11 de Setembro em apenas duas horas, o morticínio russo na Ucrânia é quase uma visita ao jardim infantil.

  8. Vexa. esquece que o povo da região de Donbass e Mariupol e outros mais optam não por serem refugiados mas por ficar ligados à Rússia. Estes também têm lutado contra os que consideram opressores e não se refugiam no ocidente. Será porque conhecem o caminho da liberdade?

    1. Este “anonimus” podia intitular-se “caninus”. Por repetir fielmente, caninamente, a cartilha do Kremlin.
      Tem pelo menos o pudor de ocultar a identidade. Talvez isso ainda lhe permita olhar-se ao espelho lá em casa.

      1. Ó pá, aquilo é mesmo assim. É uma zona da Ucrânia com população étnica russa ,17% da população da Ucrânia é de “étnia” russa.
        Vá que dos 17% muitos não gostem do Putin, mas querem ser autónomos de Kiev.

          1. Excelente texto do VPV, escrito em 2015. Está lá tudo quanto tem vindo a acontecer por estas semanas.
            É a diferença entre ser tudólogo da treta e perceber realmente sobre o tema em análise.

  9. La centrale di Chernobyl
    non comunica più: «Tra 48 ore c’è il rischio di rilascio
    di materiali radioattivi»
    di Massimo Sideri
    E in Veneto il governatore Zaia illustra il piano in caso di incidente nucleare di Martina Zambon

  10. Bem observado. Nos tempos do PREC em que os comunistas tinham muito mais influência nos media portugueses, o sentido dos fluxos migratórios através do muro de Berlim e da fronteira entre as duas Alemanhas era uma grande ajuda para ver através do nevoeiro.

  11. Também era bom lembrar aos lacaios do Kremlin em Portugal (e noutros países) que a NATO cresceu para leste, porque, depois da queda do Muro de Berlim, os “países de leste”, libertos da influência da União Soviética, puseram-se em fila para aderir. Os EUA não precisaram de aliciar ninguém, eles aderiram de sua livre vontade.

  12. Pois terão fugido para a Rússia os russos e russófilos, que eram fatia importante da população, na sua grande maioria descendentes daqueles para lá transferidos pelo camarada Estaline, em troca de ucranianos para, zonas inóspitas da pátria soviética, numa daquelas operações de trasfega em massa que (também) o tornaram tristemente famoso. Mas não caso único: é prática comum na guerra de conquista fazê-lo – veja-se, só a título de exemplo, o caso do domínio irlandês, também de pouco feliz memória.
    Ora o Putin, ao propor corredores de evacuação a terminarem no país agressor, não pretendia ser sarcástico ou crente de que os ucranianos desejariam ir para lá – pretendia, sim, abrir caminho à fuga dos seus para lugar seguro, enquanto lhes limpa a casa para o regresso. Veja-se que idos para a patética Bielorússia são conhecidos os números de “refugiados” – na casa dos quatrocentos e tal ontem. Quatrocentos e tal, mais palavras para quê?
    Já o caso de Mariupol é diferente: aí, a população russófona é até maioritária, existindo, como é normal numa zona raiana, muitos casamentos mistos. E não só não quiseram sair, como não receberam o exército russo como libertador. Por esse pecado contra a mamã Rússia, por essa imperdoável traição, estão agora a ser atacados com particular sanha.

    1. Entretanto o ditador russo, na prática, já anexou a Bielorrússia do palhaço Lukachenko. Põe e dispõe ali – e já encostou tropas russas à fronteira exterior da NATO, nomeadamente na Polónia e nos Estados bálticos.
      Fazendo aquilo que disse não admitir que os países da NATO fizessem a ele.

      Em Mariúpol, sim, boa parte da população é russófila. Mas não é putinófila. O que faz toda a diferença.
      Talvez por isso o genocida já mandou bombardear um hospital pediátrico nessa cidade, o que mereceu a condenação até do prudente Vaticano.

      https://www.aljazeera.com/gallery/2022/3/9/photos-russian-bombing-destroys-hospital-in-ukraines-mariupol
      https://news.az/news/vatican-calls-mariupol-hospital-bombing-unacceptable

      1. Prudente, sim, mas cada vez menos cobarde – não foi o Papa Francisco, em pessoa, logo nos primeiros dias da agressão, à embaixada da Rússia no Vaticano? Ao que parece, pela primeira vez na história… E não terá sido para devolver algum ‘samovar’ que lhe tenham oferecido.
        Quanto ao que se admite ou não, o que fazer quando alguém que tem um poder apocalíptico nas mãos compreende que nada o impede, de facto, de ameaçar os outros com o seu uso efetivo? O que podem esses outros fazer, a não ser meter o rabo entre as pernas e sair dali para fora rosnando baixinho, atónitos pelo dislate e rezando para que a coisa não piore?
        Já agora, depois do truque resultar, o que impede o seu escalamento? Ou fazem o que eu quero, ou rebento, digamos, Paris, ou Londres, ou Lisboa, usando apenas uma das minhas armas menos potentes, só para deixar claro que estou a falar a sério?
        Mas o que se pode fazer para que o truque não resulte? De facto, nada.
        Daí que o admirável gesto do Papa também me assuste um pouco: dir-se-ia que foi tentar adoçar o anticristo.

        1. Putin, se visse o Papa, dir-lhe-ia o q disse Estaline ao receber o MNE francês Laval em Moscovo, em 1935, quando este lhe exprimiu preocupação pelas perseguições religiosas na URSS: “Quantas divisões militares tem o Papa?”

          1. Mas sempre podemos ter fé. Ora veja aquela simpática lenda sobre Átila, o Huno, que teria decidido regressar a casa e parar com a maçada das conquistas depois de uma conversa com o Papa. Terá o milagroso diálogo decorrido dentro de uma tenda, a sós. A tenda não será relevante, já a solitude dos conversantes é: sem testemunhas, ficou a lenda da conversa, talvez para explicar a estranheza do facto da retirada. Habemos Papa e habemos Huno, só nos falta a tenda.

  13. Mais de 500000 terão passado a fronteira leste com a Rússia.
    Com a fronteira bielorrussa, desconheço os números.

    João Moreira

    1. Claro, todo o mundo está a ver isso. Fogem dos russos para… a Rússia. Alguns até vão a cantar o ‘Avante Camarada’.
      A propósito de ‘Avante’: será que o PCP vai disponibilizar o latifúndio que tem no Seixal, à beira Tejo, para acolher famílias ucranianas fugidas da guerra?

  14. Diz quem lá está , que quem quiser sair das cidades, os únicos corredores humanitários protegidos por onde se pode passar a salvo, levam directamente à Rússia ou à Bielorrússia , e os ucranianos são aconselhados a não seguir aqueles caminhos, embora creia que muitos o façam para por as famílias a salvo.
    Mas pode ser que tudo isto seja fake news , desmentidíssimo e produto de boatos revisionistas.

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