A candidatura de Manuel Alegre divide o PS? Pois claro que divide. E o melhor retrato desta divisão, eventualmente para surpresa de alguns, é-nos fornecido pelos dois autores do blogue Causa Nossa. Repare-se. Ana Gomes embandeira em arco com a corrida do poeta à presidência, em nome da unidade do partido (argumento verdadeiramente extraordinário, vindo de uma antiga apoiante da candidatura de Mário Soares em 2005-06), pelo simples facto de "estar já no terreno". E chega ao ponto de proclamar que o PS "não tem alternativa" senão secundar o Bloco de Esquerda no apoio a Alegre. Por sua vez, Vital Moreira aponta um dedo acusador ao poeta, considerando que este padece de "óbvio ‘gaullismo’ presidencial" – acusação gravíssima, partindo da esquerda socialista (recorde-se que François Mitterrand, figura de referência para o PS, foi adversário do general De Gaulle nas presidenciais francesas de 1965). "Se há cinco anos Alegre surgiu contra o candidato oficial do seu partido, capturando boa parte do seu eleitorado, desta vez antecipou-se, retirando espaço de manobra ao PS. Agora seria Sócrates a assumir a responsabilidade de fraccionar o partido e dividir o seu eleitorado. Quer isto dizer que o PS se deve pura e simplesmente render sem condições ao avanço unilateral ‘potestativo’ de Alegre? Não é crível que assim seja", conclui o ex-cabeça de lista do PS às europeias de 2009.
Está tudo dito sobre a fractura que a candidatura provoca nos socialistas. O melhor que o PS tem a fazer é lançar desde já um grande debate interno sobre as presidenciais. Para que aos erros lapidares cometidos há cinco anos, em matéria de estratégia presidencial, não se somem outros, que ainda podem ser evitados. Aguardar em silêncio pela decisão do homem providencial que há quase seis anos conduz os destinos do partido é a receita antecipada para o desastre. Depois não digam que não avisei.

As fracturas depois de reduzidas não impedem o paciente de correr. Soares contra Zenha foi presidente, Sampaio esteve muito longe da unanimidade e foi presidente. É de debate e confronto que se faz a política, excepto na Coreia do Norte, evidentemente.
Certo. É de debate e de confronto que se faz a política. Por isso é bom que se debata mesmo. Até agora o “debate” resume-se praticamente a uns bitaites lançados para os jornais.
Obrigada pelo aviso, mas tudo é preferível a Cavaco. As divisões também existem no PSD e CDS relativamente a Cavaco, o pior PR desde o 25 de Abril.
Claro que também há divisões no PSD. Mas agora estava a falar das divisões no PS.
Manuel Alegre toma o altar de assalto, abre os braços e diz: ” Adorem-me! “.
Com tantos assuntos urgentes para resolver, para quê especular, com tanta antecedência, sobre as Presidenciais?
Até lá, Manuel Alegre até pode emigrar ou ter um treco…
Esta última hipótese não era má ideia, não senhor…
Agora que se fala tanto de Condecorações…por que não atribuir-se uma a este individuo, pelos serviços prestados à Pátria, durante o cumprimentio do serviço militar…na Argélia? não deixa de ser um acto “heróico”… Compris?
Não posso estar mais de acordo, Pedro.
… de trovas descompassadas
Tanta gente fracturada
após quedas estrondosas,
a razão depauperada
pisando terras lodosas.
O desacerto lapidar
renovando as frustrações
fará o povo duvidar
de rosadas ilustrações.
As palavras trovadas
em sons descompassados
são sempre enturvadas
por cantos repassados.
Da guitarra dedilhada,
com cordas envelhecidas,
sai a canção farfalhada
de toadas distorcidas.
O PS não vai dizer nada antes de se ouvir “a voz do dono”.
E o senhor “ingenheiro”, que anda ocupado a visitar “impresas” e “iscolas”, não tem tempo para falar de poesia e de poetas.
Sócrates fará muito mal se não organizar um amplo debate no partido sobre as presidenciais. Mas provavelmente não ouvirá mesmo os militantes. Péssima notícia para o PS, como de resto se verá caso a hipótese se concretize.
(abraço aí para Macau, Pedro)