DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Vidal: «O estado de graça de Viva La Vida em breve se desvaneceu. A primeira acusação de plágio, objecto de uma acção em tribunal, partiu de uma banda americana pouco conhecida chamada Creaky Boards, que reclamava para si a autoria da música. Ironicamente, a canção dos Creaky Boards tinha o nome de The Songs I Didn’t Write. Andrew Hoepfner, o vocalista, alegou que Chris Martin tinha ouvido a música num show ao vivo em Nova Iorque, em Outubro de 2007.»

 

Helena Sacadura Cabral: «Com amigos destes é melhor ter inimigos. Mesmo que não chorem...»

 

João Carvalho: «Por que será que os jornalistas da RTP precisam das ajudas externas e não são capazes de nos transmitir com lucidez e clareza as notícias?»

 

José António Abreu: «Há quase trinta anos, Born in the USA era uma crítica que soava a hino patriótico. Os republicanos, então no poder, pouco afectados se sentiram (num comício durante a campanha presidencial de 1984, Reagan chegou a mencionar Springsteen como alguém com uma mensagem similar à dele). We Take Care of our Own, constituindo um lamento sobre a situação actual dos Estados Unidos, arrisca-se a despoletar reacções similares. Na música, como na política, como de resto em quase todos os campos nesta era de análises rápidas, o que parece é – e um hino patriótico tende a beneficiar o poder.»

 

Luís Menezes Leitão: «Com estas medidas nem em 2015 nem sequer em 2115 a Grécia irá conseguir regressar aos mercados, pelo que o seu destino é ir de programa de ajustamento em programa de ajustamento até atingir o colapso total, quando da troika lhe disserem: “Basta! Já não emprestamos mais nada”. E a Portugal vai suceder exactamente a mesma coisa, pois o regresso aos mercados em 2013 é outra miragem, com os valores já conhecidos de agravamento da recessão e do desemprego.»

 

Zélia Parreira: «Regressei a Moura logo que pude. Na verdade, a minha condição de trabalhadora estudante fez com que nunca a deixasse. Trabalho aqui, para esta terra que agora é minha e dos meus filhos. Cada dia é uma nova oportunidade de fazer algo por esta terra, por estas pessoas que insistem, persistem, não desistem. Ficámos sem comboios, sem hospital, estamos a ficar sem postos de GNR, sem postos de saúde, sem postos de CTT. Estamos a ficar sem centro de saúde. Estamos a ficar sem gente.»

2 comentários em “DELITO há dez anos”

  1. E agora, também eu acabei por sair. Mantive-me no Alentejo (se me tiram este espaço, esta luz, morro de tristeza), mas o apelo de uma certa Biblioteca em Évora foi irresistível.
    Há dias fui a Moura e levei comigo um colega de trabalho que saiu de lá há 10 anos, precisamente. Eu reencontrei a cidade sem gente a que me fui habituando nas visitas à família, mas ele veio em choque. Ruas desertas, pequeno comércio pulverizado, casas abandonadas, uma terra esquecida por todos. É frustrante. Passei pela “minha” Biblioteca, relembrei projectos, dinâmicas, tudo pensado de forma estrutural, de continuidade, para produzir resultados a longo prazo mas consistentes: cidadãos mais informados, dotados de espírito crítico, construtores de uma sociedade mais justa e positiva. Tudo cancelado, extinto, suspenso por tempo indefinido. A rapidez de crescimento das ervas daninhas mal há um descuido no lavrar da terra é impressionante e os resultados aí estão: Moura é notícia pela adesão ao chega e pelos desvarios dos seus candidatos.
    Embora acredite verdadeiramente que as raízes desta situação são profundas e residem precisamente na economia de escala (são poucos, não precisam) que nos retirou o que tantos outros cidadãos portugueses têm como adquirido e garantido, sinto culpa por também eu ter desistido de lutar, também eu ter saído, mesmo sabendo que ficar lá apenas alterava um algarismo nos censos.
    A mudança que é necessária tem que ser feita na Lisboa das decisões e não passa pela atribuição de ridículos apoios financeiros a quem se muda para o interior. Passa por dar a quem lá vive (e por conseguinte, criar para quem pode querer ir para lá viver) as tais condições básicas de vida que são garantidas aos restantes cidadãos. E não, a descentralização de competências para as câmaras municipais não está a resultar, pelo contrário. À relativa homogeneidade e padronização das medidas decretadas a nível central, sucede-se agora, em muitos casos, a decisão política plena de caciquismo e motivações pessoais. Um caos.

    1. Este seu comentário ao seu comentário, minha cara Zélia, merece ser destacado como texto autónomo no blogue.
      Toca uma realidade a que sou muito sensível.
      Fica a sugestão.

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