DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Lima: «Todos nós já sabemos da alteração significativa, operada no tecido comercial das nossas cidades, nas últimas décadas. Mas a inevitabilidade das mudanças não nos deixa mais tranquilos quando percebemos que é a nossa memória que está em causa. Ontem uma livraria. Hoje uma ourivesaria. Amanhã será o quê?»

 

João Carvalho: «Alguém sabe dizer-me se este Júdice da classe média alta com a revista então instalada em Lisboa no chiquíssimo Palácio Sottomayor é o mesmo que precisou de um lugar camarário baratucho na capital a fim de instalar um restaurante de luxo que alguns insistem que devia ser um espaço destinado a indigentes?»

 

Rui Rocha: «Jardim o pândego, o desbragado, o espalhafatoso, o incontinente verbal, vem a Lisboa (ao terreno do inimigo, portanto) assinar o acordo de assistência financeira da Madeira. Entra mudo e sai quase calado. Por uma vez na vida, a sua maior ambição parece ser a de tornar-se invisível. Não há cerimónia de assinatura. Se dependesse de Jardim, não haveria imagens.»

 

Teresa Ribeiro: «Não sabia determinar o momento exacto em que começou a desinteressar-se. Teria sido no dia em que ele confundiu Montaigne com Montesquieu, ou quando se descalçou e lhe viu as meias rotas? A verdade é que eram sempre esses excessos de humanidade que acabavam por condenar ao fracasso todas as suas relações.»

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