
Talvez o mais citado romance político de todos os tempos, mantém todo o seu poder sugestivo como denúncia dos sistemas concentracionários que transformam cada indivíduo num parafuso da engrenagem do Estado absoluto. George Orwell, jornalista e militante da esquerda libertária britânica, legou-nos este livro-testamento, publicado escassos meses antes da sua morte prematura, quando a Guerra Fria já se desenhava no horizonte.
1984 – com enredo situado num futuro não muito distante, como o título à época indiciava – é um vigoroso libelo contra o totalitarismo que suprime toda a afirmação da personalidade individual, colocando-a ao serviço do partido único, liderado pelo omnipresente e omnisciente Grande Irmão. Que não se limita a condicionar gestos e palavras: também controla os pensamentos.
A tecnologia mais sofisticada contribui para consolidar o despotismo: a teletela, instalada em cada domicílio, permite aos títeres da tirania devassar a privacidade dos cidadãos. O raciocínio cartesiano é estilhaçado nos dédalos do «duplipensamento», que funde conceitos antagónicos nas cartilhas da propaganda. E há um idioma dominante, a «novilíngua», que deturpa deliberadamente o significado dos vocábulos, levando multidões a urrar palavras de ordem ao arrepio de toda a lógica: «Guerra é paz! Liberdade é escravidão! Ignorância é força!»
Winston Smith, personagem central do romance, trabalha no departamento de arquivos do Ministério da Verdade, que se ocupa a difundir mentiras – exemplo supremo de novilíngua e duplipensamento. Tem uma existência igual à de tantos outros homens desprovidos de consciência individual até ao dia em que regista no seu diário secreto esta evidência subversiva: «A liberdade é a liberdade de dizer que dois e dois são quatro. Uma vez que se reconheça isto, tudo o mais virá por acréscimo.»
Não voltará a ser o mesmo: está instalada a dúvida metódica que pode constituir um grão de areia na mais poderosa engrenagem universal.

Bom dia Pedro Correia
Já li “1984” por mais de uma vez. Há poucos dias reli “O triunfo dos Porcos” e fiz uma referência a isso no meu “Chapéus”. É dos autores a que volto regularmente. Bom Domingo e Saúde.
António Cabral
O Ministério da Verdade não difundia mentiras, alterava o passado de modo a que este validasse as ditas mentiras, ou seja, a verdade oficial.
Se porventura alguém tentasse obter provas factuais que pudessem contradizer a verdade, não as obteriam.
Um ponto pouco falado no livro, os numeros que eram amandados pelo Governo. Impossíveis de verificar. A realidade alcançou a ficção.
O “Triunfo dos Porcos” e o “1984” são os retratos fiéis que deram origem ao estado a que chegámos.
Um retrata a ascensão ao poder.
O outro, o exercicio do próprio poder.
Já estamos em 2022, e ainda há uma teletela instalada em cada domicílio controlada pela Grande Irmã Graça Freitas para devassar a privacidade dos cidadãos. Mas temos muito mais liberdade, agora é o próprio cidadão que se testa e decide se fica ou não em prisão domiciliária sete dias.
ah ! mas anda toda a gente muito contente e satisfeita com a tecnologia e “avanços ” científicos quando o resultado mais provável desta coisa seja uma sociedade à 1984.
homo homini lupus. , não se esqueça nunca.
a ciência “moderna” mete medo , muito medo . a grande salvadora da humanidade , que lhe irá outorgar vida eterna na Terra ,é muito parecida com magia negra , a querer modificar a Natureza.e o mundo.
George Orwell não equacionou que existem mentes brilhantes e inspiradas que usam o próprio sistema, bem como o big brother, para desmascarar o sistema e o big brother.
Hoje em dia a luta esta a ser travada entre estes dois nas mesmas plataformas de vigilância pelos primeiros criadas. Como a mentira não perdura e só a Verdade é eterna, esta última vencerá.
Se algo falha no big brother é o facto que não ter percebido que a Inteligência natural é mais fértil e ilimitada.
A besta que surge da terra engana pela capa, mas revela-se pelo conteúdo.
O livro da revelação deixa claro: Ap 19.20 “Mas a besta foi presa e, com ela, o falso profeta que fazia sinais em seu nome, sinais que enganaram todos que haviam recebido a marca da besta e adoravam sua estátua. Tanto a besta como seu falso profeta foram lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre”.
estamos em pleno 6º império, o da eterna felicidade social-fascista
o arrastão de Carcavelos difundiu-se por todo o país
no dia 30 não há Covid-19 por decreto governamentável
A teletela imaginada por Orwell é superada pelas capacidades do écran do nosso smartphone que permite ao Big Brother conher os nossos hábitos, as nossas rotinas, as nossas preferências, amizades, desejos e projectos. É tremendamente assustador, especialmente por ser tão difícil passar sem eles.
El consumo, como nuevo mito tribal, ha llegado a ser la moral de nuestro mundo actual. Está destruyendo las bases del ser humano, es decir, el equilibrio entre las raíces mitológicas y el mundo del logos que, desde los griegos, mantuvo el pensamiento europeo. Baudrillard
advierte el peligro que corremos y denuncia: «Así como la sociedad de la Edad Media encontraba su equilibrio apoyándose en Dios y en el
diablo, la nuestra se equilibra buscando apoyo en el consumo y su denuncia. Alrededor del diablo podían organizarse herejías y sectas de magia negra, pero nuestra magia es blanca, ya no hay herejía posible en la abundancia. Es la blancura aséptica de una sociedad saturada, de una sociedad sin vértigo y sin historia, sin otro mito que ella misma.»
Entretanto na Pátria de George Orwell, a Universidade de Northampton usa 1984 como um manual de bem fazer:
“As one of the greatest works in Britain’s literary canon, Nineteen Eighty-Four sounds a chilling warning about the dangers of censorship.
Now staff at the University of Northampton have issued a trigger warning for George Orwell’s novel on the grounds that it contains ‘explicit material’ which some students may find ‘offensive and upsetting’.
The advice, revealed following a Freedom of Information request by The Mail on Sunday, has infuriated critics, who say it runs contrary to the themes in the book.”
23 January 2022
Entre a google e AT, pouco me resta de privado.
Sempre achei que a realidade do Admirável Mundo Novo de Huxley era tão ou mais assustador…diria que hoje estamos algures entre os dois. Achava que a sociedade ocidental estä mesmo assim mais próxima de Huxley e a China e Rússia mais próximos de Orwell, mas a erosão da liberdade individual nos últimos dois anos baralhou tudo..
Admirável Mundo Novo de Huxley, li-o talvez há 50 anos. Ou por outra, deixei-o a meio pelo horror que me provocou. Tentei lê-lo muitos anos mais tarde e senti o mesmo horror.
A pandemia que ainda estamos a viver, cada vez mais clara a sua fraude, é um facto que me leva a crer que a realidade está muito próxima da ficção de Huxley.
“O Estado científico totalitário zela por todos. Os seres humanos nascidos proveta (precondicionados) têm comportamentos (preestabelecidos) e ocupam lugares (predeterminados) na sociedade: os alfa no topo da pirâmide, os ípsilons na base.
A Família, a monogamia, a privacidade, o pensamento criativo, constituem crime.
Os conceitos de “pai” e “mãe” não existe, é passado histórico.
Relacionamentos emocionais intensos ou prolongados são proibidos e considerados anormais.
A promiscuidade é moralmente obrigatória e a higiene um valor supremo … … ”
A que distância estamos disto?
Para complemento: bra-prima-absoluta-homenagem.html
http://malomil.blogspot.com/2022/01/uma-o
Vem a propósito, mesmo não sendo romance.
Mas é Orwell no seu melhor, também aí.
Agradeço-lhe a ligação.
Entretanto no mesmo período o contra torpedeiro Taskhent para a Marinha Soviética estava ser construído nos estaleiros da Odero Terni Orlando em Livorno na Itália Fascista e Monarquista… patrulhas para a NKVD e pequenos navios auxiliares também. Técnicos da Ansaldo iam e vinham da União Soviética para melhorar a artilharia naval soviética dos seus cruzadores e componentes de sistemas de propulsão entre outros e mais tarde fornecer os planos para os novos couraçados do regime Comunista…
As duas empresas OTO e Ansaldo estavam controladas pelo IRI Instituto de Reconstrução Industrial criado pelo Fascismo para salvar as empresas altamente endividadas após a quebra da bolsa em 1929. Ao seu leme estava Alberto Beneduce um Socialista.