DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Vidal: «Ernesto Sabato é um desses escritores mágicos em que a América Latina tem sido pródiga. Tem uma escrita vibrante e lúcida, que prende irremediavelmente o leitor desde as primeiras linhas. Morreu neste ano que agora acabou, a dois meses de completar cem anos. Vale a pena lê-lo.»

 

Helena Sacadura Cabral: «Tenho um enorme orgulho de ser portuguesa, mas isso não invalida que critique a terrinha sempre que isso me parece justo. Porém, aviso já, gosto tanto de Portugal que chego a gostar dos seus defeitos…»

 

Ivone Mendes da Silva: «Há um submundo assustador a viver nas caixas de comentários dos jornais online. Não têm nome, apenas nicks pouco recomendáveis  e um perverso gosto pelo anonimato. Escrevem em maiúsculas, com a morfossintaxe de um Átila e a coprolalia de um paciente de Tourette no grau máximo. Os outros são todos, no mínimo, gatunos, uma corja, quando aparece algum mais letrado a exprimir-se. Eles, os comentadores, são honestos, sérios e clarividentes. Só é pena que não saibam escrever.»

 

José António Abreu: «A imagem da Apple como empresa «boa» e de Steve Jobs como personificação do empresário/gestor ideal confunde-me há anos. E confunde-me ainda mais a aparente simpatia da esquerda por uma e outro. Não se trata apenas do facto dos produtos serem caros e operarem em sistemas tão ou mais fechados que os da concorrência (desde logo, que os da «maléfica» Microsoft). Não se trata somente do mau génio de Jobs que, noutra empresa qualquer, o teria transformado num «patrão» prepotente.»

 

Luís Menezes Leitão: «Foi há dez anos, no início de 2002, que recebemos as primeiras notas e moedas de euros, embora o euro já existisse como moeda escritural desde 2000, funcionando as antigas moedas nacionais como suas divisões. Lembro-me perfeitamente da euforia com que os euros foram então recebidos pelos portugueses, que passariam a ter uma moeda aceite em toda a Europa. O problema foi o que veio a seguir. Os preços dos produtos dispararam, mas ninguém deu por isso, deslumbrado com o crédito fácil que a baixa das taxas de juro tinha proporcionado. As pessoas endividaram-se brutalmente, ficando completamente arruinadas.»

 

Rui Rocha: «O ano de 2012 trará muitos motivos para alarme. Não faltarão manchetes deprimentes para fazer ao longo dos próximos 364 dias. Por isso, não é aceitável que se embarque no alarmismo sem fundamento, reproduzindo para os leitores ondas de angústia que a situação concreta noticiada não justifica.»

 

Eu: «Chego ainda a tempo de deixar aqui a minha singela homenagem a cinco colunistas do Diário de Notícias, que tornaram evidente a sua opção de continuar a escrever nos termos da ortografia clássica, contrariando as novas directrizes da casa, que abraçou o ‘acordo ortográfico’ — bem patente em palavras como ‘ator’, ‘adota’, ‘reativados’, ‘projeto’ e ‘arquitetura’, já estampadas em títulos da edição de hoje.»

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