DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Margarida Craveiro: «Desde o irresponsável que fez as declarações ao político que ainda acha que a ocasião é para brincar sobre outras figuras, todos merecem desprezo, pela imensa falta de respeito que demonstram, enclausurados na sua vidinha de corte. Custa-me aderir ao discurso do “eles são uns palhaços”, mas há dias em que a tentação é grande demais. E há mesmo dias em que “eles” merecem o nosso desprezo.»

 

Cláudia Köver: «Dúvida: Eu gosto de Andrej Pejic porque ele/a parece uma mulher ou por ele/a ser um homem?»

 

João Carvalho: «Tal como todo o transporte de fruta, o transporte de cocos permite que o negócio circule. Porém, é conveniente que o condutor consiga ver por onde circula…»

 

José António Abreu: «Neste quarto de século, não foi por falta de poder formal para implementar reformas que estas ficaram por fazer. Bem ou mal, Cavaco ainda executou algumas (na realidade, bem e mal, dependendo das que considerarmos) mas Guterres (que, não tendo maioria, sempre viu os orçamentos aprovados) nunca teve coragem para avançar com elas e fugiu alertando para o pântano, Durão sofreu ataques de todos os lados assim que começou a falar delas e fugiu para o cargo dourado de Bruxelas e Sócrates (que gozou de uns inusitados dois anos de estado de graça), após algumas promessas iniciais, escolheu o caminho da demagogia e da negação da realidade. Para nenhum destes primeiros-ministros a questão da estabilidade foi crucial.»

 

Luís M. Jorge: «Lisboa–Castelo Branco em primeira classe. Chego ao cais e não encontro diferenças entre as carruagens. Depois noto que uma tem bancos de forro avermelhado, para satisfazer a noção de prestígio de quem cobra mais sete ou oito euros pelo trajecto. Infelizmente eu não procurava prestígio mas sossego — aspiração logo contrariada pela horda ululante que invade o compartimento. Claro, são os funcionários da CP e suas mulheres, filhos, noras e gatos, de sacos de plástico nas mãos, bifana entre os dentes, garrafão de vinho à ilharga e imprecações contra os gajos.»

 

Luís Menezes Leitão: «Pelos vistos Sócrates deixou escola no PS. (…) Agora é o vice-presidente do Grupo Parlamentar do PS que diz que Portugal devia “marimbar-se” para os credores. Acho, porém, que a notícia só nos está a dar um dos lados da questão. O jornal deveria ainda ter-se esforçado por obter a opinião dos credores sobre esta proposta. Era fundamental sabermos o que eles pensam deste vice-presidente do Grupo Parlamentar do PS. É que com declarações destas todos os dias, aposto que Portugal não obtém nos mercados nos próximos vinte anos nem mais um cêntimo de dinheiro emprestado.»

 

Rui Rocha: «Pais alemães ameaçam chamar Pedro Nuno Santos sempre que as crianças recusam comer a sopa.»

 

Teresa Ribeiro: «Inovação e criatividade fazem muito mais pelo futuro de uma empresa do que meia dúzia de empregados baratinhos. Mas claro que a batalha pela competitividade em Portugal vai travar-se sobretudo neste segundo plano, baixando os custos do trabalho e facilitando os despedimentos. Porquê? Porque os nossos empresários são o que são e neste país as relações entre quem tem responsabilidades são de todas as mais mansas e anquilosadas.»

 

Eu: «O problema desta irresponsável promoção do princípio “não pagamos” – eventualmente aceitável numa reunião geral de alunos do ensino secundário mas sem a menor justificação na relação entre Estados que pugnam pelo seu bom nome e pretendem garantir créditos no mercado financeiro internacional – é a péssima pedagogia que transmite aos cidadãos. Se o Estado português gritasse “não pagamos” ao Banco Central Europeu, à Comissão Europeia e ao FMI, por que motivo, segundo a mesma lógica, os cidadãos não diriam algo muito semelhante ao Estado, abdicando do pagamento de impostos?»

Um comentário em “DELITO há dez anos”

  1. esta irresponsável promoção do princípio “não pagamos” – […] sem a menor justificação na relação entre Estados

    Na crise de 2008, dois países recusaram-se a pagar e não foram punidos por isso nem passaram a ficar mal vistos.

    (1) A Islândia recusou-se a ressarcir os ingleses que tinham posto dinheiro nos bancos islandeses e ficaram sem ele.

    (2) A Hungria converteu as dívidas hipotecárias dos húngaros a bancos austríacos de euros para forints, com grande desvalorização cambial da dívida.

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