DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Lima: «Foi a primeira vez que andei de avião. As quatro horas de voo, feito em avião militar até à Terceira, foram passadas entre a excitação da viagem e a ansiedade de rever o meu pai, em comissão de serviço há cerca de um ano. O passeio em Angra, nesse dia calmo e cheio de sol, não fazia imaginar o tremor da terra três meses depois. Ao fim do dia a viagem para o Faial num avião já com assentos e hospedeiras a servir sumo. Chegada à ilha onde iria passar um mês a surpresa das cores, do bulício do porto e da calma no resto de uma cidade pequena e grande ao mesmo tempo. Da Horta recordo sobretudo a sensação de que estava num mundo à parte. Um mundo com um monte vulcânico em frente que nos acompanhava onde quer que fôssemos. Talvez por isso nunca me perdi.»

 

João Carvalho: «Não posso esquecer-me: o nosso Pedro Correia declarou que tomava posse da Lagoa de Santiago logo ao primeiro olhar. Cheio de inveja, mas tenho de registá-la em nome dele.»

 

Leonor Barros: «Com um discurso destes só podia ser português, um político português.»

 

Patrícia Reis: «Os miúdos dormem tranquilos. O cão faz o mesmo. A manhã já se foi, mas não faz mal, é vê-la ir pela frecha da janela. Daqui a pouco teremos uma lareira e faremos o percurso da aldeia até ao café. Nada acontecerá que seja digno de nota. De forma disciplinada não verei televisão, notícias, não lerei jornais. Perguntarão: porquê? Por cansaço. Às vezes as respostas são muito simples. Até segunda.»

 

Rui Rocha: «Um galambista muito galamboso criou uma galamba que nem o melhor desgalambista conseguia desgalambar. Assim foi galambando, num doce galambar. E enquanto galambava, cantava canções de engalambar: galambas tu e galambo eu, galambas tu mais eu e galamba que galamba e torna a galambar. E assim galambando, fez-se galambeiro. E logo outros galambistas começaram a galambar. Com tantos galambistas, era ver qual deles galambava mais e, se virmos bem, todos galambavam por igual. E galamba que galamba e torna a galambar. E se o galambeiro galambava como galambava e os outros galambistas galambavam como ele, ali se formou um belo galambal.»

2 comentários em “DELITO há dez anos”

  1. um monte vulcânico em frente que nos acompanhava onde quer que fôssemos

    Não é verdade. Boa parte do tempo o monte não se vê de todo, devido às nuvens.

    Eu estive no Faial três dias e durante esse tempo todo mal vi a base do monte, quanto mais o topo.

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