DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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João Carvalho: «Face ao risco de vermos a linguagem autárquica conseguir agravar o famigerado acordo ortográfico imposto pela política, sugiro que nos manifestemos já a favor de mais umas dúzias de rotundas. É melhor isso do que dar-lhes ideias. Eles que esqueçam a língua.»

 

José António Abreu: «Corre por aí um argumento segundo o qual o corte dos subsídios de férias e de Natal no sector público poderá fazer sair os melhores elementos para o sector privado. Começa também a ficar tão evidente que qualquer reforma séria do Estado e das empresas públicas obrigará à redução do número de funcionários que, ao contrário do que sucedia nos tempos do aprendiz de filósofo, já nem surgem desmentidos governamentais de cada vez que alguém refere o assunto. Assim sendo, talvez seja interessante tentar perceber quem vai sair, quem devia sair, por que não coincidem os dois grupos e como esta diferença torna impossível uma verdadeira reforma das instituições em causa.»

 

Laura Ramos: «Mentiras, Tretas e Lérias era o título de uma interessantíssima exposição que esteve patente no Pavilhão do Conhecimento. Devias ter lá ido, jaa: não te sabia tão preso a mitos urbanos sensacionalistas. Mas nunca é tarde para abrir os olhos.»

 

Patrícia Reis: «Na neve artificial a montra estava imaculada. Algo banal na confusão da cidade. Tóquio. A mulher, apertada no casaco e nas luvas, deixou-se ficar a ver a montra. Não reparou nos detalhes da época, cintilantes, bolas e outras luzes. Não. A mulher fixou o olhar no casaco verde eléctrico, um casaco de pele falsa, tingido de cor berrante, uma provocação que não pertencia ao cenário.»

 

Rui Rocha: «As palavras de Otelo merecem uma resposta. A minha, como cidadão, é mandá-lo com todas as letras para um sítio que rima com Carvalho. A das associações representativas dos militares começa a ser dada. Falta agora a das instituições a quem cabe, em primeira linha, preservar o estado de direito. Isto dito, resta-me apenas explicar o título do post. Embora me apetecesse muito e fosse esse o termo adequado, a minha educação não me permite colocar no DELITO um texto começado por fuck off.»

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