
Gonçalo Correia: «Depois de anos empanturrados em lucros porno-financeiros e todo um conjunto de práticas eticamente discutíveis (e muitas claramente abusivas, como demonstram alguns factos da semana passada: a decisão dos tribunais portugueses contra o Millenium bcp nos arredondamentos do crédito à habitação; a multa de 5 milhões de euros ao BES pelo regulador norte-americano SEC), a banca está a colher as tempestades de ventos que andou a semear.»
João Carvalho: «Teixeira dos Santos, depois de garantir que sete por cento seria o limite aceitável para os juros da dívida externa proposta aos mercados, acabou por parecer disposto a aceitar que os juros atingissem 70 por cento, se tivesse havido tempo. Foi preciso esperar uns meses após a queda do governo para vir dizer (imagine-se) que esteve em vias de se demitir. Realmente, não faltam motivos para os socialistas estarem cheios de pressa de sacudir a incompetência e o ridículo que os cobriu.»
José António Abreu: «O terceiro livro, aquele que estou verdadeiramente a ler no momento, é Uma Mentira Mil Vezes Repetida, de Manuel Jorge Marmelo. Peguei-lhe na sexta-feira, cumprindo uma promessa feita dias antes a mim mesmo de que, acabado o livro que então estava a ler, a minha próxima leitura sairia de um montinho na minha mesa da sala com quatro obras recentes de autores portugueses contemporâneos: Uma Mentira Mil Vezes Repetida; O Retorno, de Dulce Maria Cardoso; Quando o Diabo Reza, de Mário de Carvalho; e Por Este Mundo Acima, da minha colega delituosa Patrícia Reis.»
Patrícia Reis: «Tentei então explicar, à mesa, o que é esta ideia da classe média, fui lá atrás, até ao século XIX, ao industrialismo, ao que era novo burguês e vim por aí fora como uma professora de história. No fim, o miúdo disse: então agora já não vai existir classe média? nós somos da classe média não é? vivemos do que trabalhamos? Fiz que sim com a cabeça. E o outro, rápido, a dizer que estamos na Albânia. E o mais pequeno a querer saber onde é a Albânia. Desisti. Voltei ao livro nas mãos e depois vim aqui contar isto que não importará a muitos, mas que fez parte da minha vida de hoje. Vou ouvir uma música francesa que os afastará para qualquer jogo de futebol e depois a noite acaba e nem dei por isso.»
Rui Rocha: «O único e inconfessado objectivo de Papandreou quando anunciou a intenção de convocar o referendo, o alijamento da responsabilidade política e o prolongamento da sua própria permanência no poder, fracassou de forma estrepitosa. Uma coisa é fazer bluff quando o jogo não é grande coisa. Outra, bem diferente, é fazê-lo quando já não se tem cartas na mão.»

“Delito” sem descanso, não nos dá descanso a ler, meditar e escrever com liberdade, seja indo na corrente ou em qualquer outro sentido.
Obrigado.