
Parece que a “geringonça” termina. Talvez desabe agora. Ou talvez ainda sobreviva, algo desarranjada, por mais um ano, se o orçamento for aprovado in extremis. Ou, menos provável, se vier a governar sob a entidade “Duodécimos”, com navegação de cabotagem feita de bolinas lei-a-lei. Mas, nesse caso, muito provavelmente não sobreviverá mais do que um ano.
Quando em 2015 o poder se estabeleceu nesta “geringonça” muitos clamaram contra, apontando a sua ilegitimidade. Porque não havia sido anunciada, porque o PS não ganhara as eleições. Ora Costa anunciara a sua disponibilidade para tal (dissera nunca aprovar um governo PSD/CDS minoritário, não ter disponibilidade para se coligar com a direita, e propunha-se como governante. Só não percebeu quem não quis. Ou quem é, apesar de ganhar a vida como comentador político, manifestamente incompetente). E, mais do que tudo, as eleições legislativas não são mais do que a constituição de um parlamento do qual deverá emanar um governo, monopartidário ou de coligação. E é até aconselhável que as coligações governamentais não sejam pré-definidas mas que nasçam de um parlamento eleito, com a correlação de forças (de número de deputados e de apoio eleitoral às propostas partidárias) estabelecidas de fresco. Ou seja, esta solução teve todo o cabimento, político e ético. Foi até uma boa lição sobre a democracia, num país onde eleitorado abúlico e imprensa distraída tendiam a pensar as eleições legislativas como um concurso para primeiro-ministro (de preferência entre comentadores televisivos mais bem-falantes e melhor apessoados).
O acordo de governação que surgiu (tantas vezes erradamente dito “coligação”) foi logo descrito pelos seus adversários como uma “geringonça” (metáfora criada por Pulido Valente, se não me engano), qual coisa mal amanhada, prestes a desconjuntar-se. Mas de facto isso não correspondeu à verdade: o PS governa há seis anos com governos minoritários e, até agora, com relativa paz política (e, nisso, acalmia social, dada a placidez da imprensa e o silêncio sindical), e com sucessos eleitorais. Claro que isso implicou trabalho político (o olear constante da “geringonça”; a reparação das suas peças) mas tamanha continuidade mostra bem que o mecanismo não foi tão mal amanhado como o disseram.
O relevante é que os adeptos desta associação entre PS/PCP/”socialistas revolucionários” assumiram, com bonomia jubilosa e notório carinho, o termo “geringonça” para a nomear e definir. Isto mostra como esta solução recebeu não só adesão política mas também um afecto atribuído a todas as “geringonças” (antiguidades ou velharias) às quais o gosto dominante pequeno-burguês reconhece uma simpática “patine”, nisso atribuindo-lhes o estatuto de “vintage”, ou às suas reformulações ditas “retro”. Nisso a nossa “geringonça”, a por muitos tão esperada “maioria de esquerda”, apareceu como uma revisitação à Frente Popular de León Blum, e para tal ambiente afectivo tão necessário foi o recurso ao discurso contra o fascismo. O qual foi sendo imputado contra todos os seus adversários, explícitos ou implícitos, desde a “nazi” Merkel (pré-crise dos refugiados do Mediterrâneo) a todos os “neo-liberais” nacionais que a ele eram associados, a maioria destes apenas espartilhados pelos termos de um acordo com Bretton Woods e a União Europeia, germinado por uma governação socialista. Assim se reforçou o tópico de um vetusto “anti-fascismo” que caucionava esta governação, como se areando a “geringonça”, e sempre alimentando-se de algumas, escassas, evoluções da extrema-direita em países congéneres e do breve desvario trumpiano.
Agora, neste estrebuchar da “geringonça”, com a “patine” riscada e tantas peças danificadas, e sem que uma cópia (porventura chinesa) de aparência “retro” a possa substituir, será de pensar como esta maquineta, este moinho de café manual, por mais simpático que seja, por mais que nos alente através de memórias muito selectivas de outros tempos nossos avoengos, não é a solução adequada para este nosso quoditiano. Ela foi funcionando num contexto peculiar: a remodelação temporária das políticas económico-financeiras internacionais, neste efectivo “perdão de dívida” que a real “reestruturação da dívida” promovida pelo BCE, feito qual “Clube de Paris“, desenvolveu nestes últimos anos (sei que os economistas contestarão isto, mas isso é porque pensam em “economês”, linguajar ainda mais incompetente e aldrabão do que o famigerado “eduquês”).
Mas há muito, décadas mesmo, que o país estagnou. Não se desenvolve. Empobrece e envelhece. Não é miserável, não está na cauda do mundo, como alguns escatológicos ululam. Não tem o maior Estado do mundo, nem o mais despesista, não é o mais improdutivo, não tem a maior e mais injusta carga fiscal, como algumas claques entoam. Nem é o mais desempregado ou emigrado, como tantos desopinadores aludem. Mas esta via de organização social e económica, por mais apelativa que seja a muitos que, convictamente, defendem a “justiça social”, a “equidade” e os “direitos individuais e colectivos”, está em falência face aos constrangimentos internacionais. E às ineficiências (e algumas malevolências) internas. O país precisa de reformas, e algumas serão dolorosas. E acima de tudo precisa de se libertar deste estatismo cultural, perceber que, como diria a dra. Graça Freitas, a actual máscara estatal dá uma “sensação de falsa segurança”.
Para isso o país precisa de um novo poder. Não de uma outra “geringonça”, nem de uma “maquineta”, mas sim de um “sistema operativo” de centro-direita. Sem “patine” “retro”(gada). E também sem “memes” de “unicórnios”. Mas que seja competente. E assim não se restringindo a outra cabotagem, à mercê da vontade de um seu eleitorado carregado de escorbuto e nisso ansioso por aguadas benfazejas. É preciso fazer reformas, sectoriais, indutoras de desenvolvimento ainda que sejam conjuntural e até afectivamente dolorosas.
Para esse passo, para esse “sistema operativo” de centro-direita, muitos discutem agora qual a sua linha de demarcação, se a abrangência deve ou não incluir o partido do prof. Ventura. A questão não é essa. Neste regime nunca houve extrema-direita, nem após a descolonização o mítico general Kaúlza de Arriaga conseguiu animar o seu MIRN, nem mesmo uma “direita profunda” conseguiu germinar na deriva do PDC (que estrebuchou sob o folclórico Silva Resende). Este partido de agora é um mero epifenómeno, de forma algo serôdia acalentado por fenómenos aparentados em alguns países vizinhos, e muitíssimo reforçado pela necessidade de exposição pública da recente criatura racialista que o PS instituiu para minar o BE. Goste-se ou não do PCP será importante reparar como dirime ele, com algum menosprezo e sagaz silêncio, aquele fenómeno de “meia-estação”. Pois os reais problemas e hipotéticas soluções estão alhures.
As linhas de demarcação para os constituintes deste “sistema operativo” devem traçar-se com outros critérios. A social-democracia (parcial fundamento do PSD), o liberalismo (presente no PSD; fonte da IL; presente no CDS) e a democracia-cristã (fonte do CDS) foram nos países actualmente nossos congéneres – ou seja, e para facilitar, a UE antes do alargamento para 27 – fontes de desenvolvimento humano, crescimento económico, democraticidade social e política. Alguns poderão recordar as particularidades (tétricas) da democracia-cristã italiana, e terão razão sobre essa… excepcionalidade. Outros logo se centram no extremismo de Thatcher – o qual dá sempre jeito para demonizar o desenvolvimentista liberalismo -, mas nunca o articulam com a crise pós-imperial e pós-industrial britânica daquele tempo. E nisso escondem, alguns por ignorância e outros por malevolência interesseira, que são as enormes crises que conduzem a soluções extremas.
Ou seja, a abrangência de um futuro e desejável poder deve congregar essa mescla de inspiração europeia e desenvolvimentista. E nisso arredar o conservadorismo. Este, no país, é muito uma questão de atitude que perpassa vários partidos. Não se trata do conservadorismo de “costumes”, que muito clama nestas matérias “identitárias” com que alguma esquerda actual aliena o debate público. Mas de posturas renitentes às alterações socioeconómicas, muitas vezes sob roupagens patrioteiras anti-europeístas. Uma outra exclusão necessária é a dos radicais liberais. De facto não sei a efectiva influência que estes têm nos partidos de centro e direita, deles apenas conheço década e meia de algumas proclamações de rede social e jornal. Neles é reconhecível um radicalismo similar, ou mesmo maior, do que o que se encontra em alguns sectores da coligação de socialistas revolucionários que vem apoiando este governo.
Desenvolver o país é apostar em vias que poderão ser sectorial e conjuntalmente dolorosas – é isso a política benfazeja, privilegiar sectores em função do bem comum, a tal “justiça social” equitativa desenvolvimentista. Mas o radicalismo liberal, com evidentes traços revanchistas de anti-estatismo desbragado, e algum conservadorismo com tiques miguelistas tendem ao menosprezo sociológico, ao aventar do (necessário) extermínio dos mexilhões, nós-povo. E se é para ter um massacre de mexilhões eu preferirei votar no José Sócrates…
Enfim, como fazer reformas conjunturalmente dolorosas mantendo a justiça social desenvolvimentista? Se eu soubesse responder não estaria a blogar mas sim a fazer um relatório com as directrizes necessárias. E vendê-lo-ia. Mas estou certo que tal não convoca um pensamento mágico, não será uma tarefa alquímica. Convoca um saber humanístico – não no pobre sentido de “humanitário” mas sim no original de “sábio”. Um saber que conheça o passado, das vias que têm vindo a ser tentadas e procurando adequá-las em função não de uma “república perfeita” mas sim uma melhoria gradual. E isso implica escaparmos às pobres cliques partidárias que vêm gerindo os partidos. Um pouco à medida do que mesmo agora Carlos Moedas aparenta ter conseguido fazer em Lisboa. Mas onde estão os “senadores” e as “câmaras corporativas” dos partidos? Que documentos apresentando reflexões sectoriais e abrangentes têm os partidos clássicos vindo a apresentar?
Enfim, para um em suma apenas me repito: se for para eleger revanchistas exterminadores de mexilhões então irei votar no José Sócrates. E se for para promover apparitchiki das concelhias? No dia do voto irei ao Lidl reabastecer-me de Queen Margot. E brindarei a nós-mexilhões e aos “direitos adquiridos”, às “conquistas de Abril”.

És bom filho da puta.
O(a) anónimo(a) com este comentário de alto gabarito ou é um(a) violinista filho(a) da puta ou então um(a) filho(a) da puta de violinista.
Eu aprovei este (primeiro) comentário a este meu postal não porque concorde com a opinião que o comentador anónimo tem da falecida senhora minha mãe. Até porque ainda ontem apaguei um outro similar, num postal anterior. Mas apenas para demonstrar, com este exemplo, o teor de algumas “opiniões” que os postais do DO vão recebendo e que por costume são apagadas, mas que vão influenciando a falta de paciência para o abrasivo e descabido fel (usualmente anónimo) que me vai (e nisso não estarei sozinho) aportando às caixas de comentários. Um tipo recebe um comentário destes e pergunta-se, “a que propósito é que vem isto?”. Talvez o homem não goste de Queen Margot, seja um adversário do Lidl, muito provavelmente será isso.
Alguém em exercício prático de introspecção. Claramente.
fizeste-me rir…
O comentador limitou-se a citar uma reputada obra de Alberto Pimenta. Erudito.
Deve ser isso
Se você fosse reformado no governo do Passos Coelho, tivesse levado um corte na reforma, e tivesse sido o governo da geringonça a restituir o que lhe roubaram, provavelmente o seu texto seria outro.
Se fosse trabalhador e lhe tivessem roubado o subsídio de férias e dado o 13° mês aos bochechos também o seu texto seria outro.
Será que se tivesse o último governo estaríamos melhor?
Estaríamos melhor com menos 600 milhões na Segurança Social?
Estaríamos melhor com menos 300 milhões no Serviço Nacional de Saúde?
Como disse alguém naquela altura ” o país está melhor as pessoas é que não percebem “.
Pois, somos todos estúpidos.
Compreendo que seja mais agradável ver o dinheiro a cair na conta mesmo que logo a seguir ele desapareça na carga de impostos indiretos com que temos sido presenteados.
Carlos Sousa, obrigado pelo comentário.
Eu tenho algumas respostas: 1) V. não sabe quais são as minhas condições económicas. E a retórica de invectiva é algo … desagradável. Parte do até malévolo princípio (e acima de tudo de uma pobre reflexão) de que se um tipo não é cultor de Carlos César e adepto de João Galamba é porque está muito bem-posto na vida.
2) Está escarrapachado no texto, e até repetido, e com isso até o encerro que um novo poder não poderá apoiar-se num radicalismo de insensibilidade sociológica, os tais exterminadores de mexilhões (aqueles que se fodem, para quem não perceba a alusão). Como tal, e se me permite, o teu comentário denota uma irritada leitura em diagonal do meu texto. Não concorda? Tudo bem. Quer debatê-lo, critiicá-lo? Tudo bem, é (também) para isso que se bloga, neste saudável registo conversacional que entendo o do bloguismo. Mas faça-me o favor de ler antes de pontapear.
3. Finalmente, V. atira-me o governo de Passos Coelho – insisto no que disse no texto, bom ou mau governo que tenha sido exerceu espartilhado por um acordo estipulado devido a feixe de factores entre os quais a governação socialista anterior. Mais, eu blogo aqui há muitos anos. E costumo dizer em quem voto. Não votei no PSD de Passos Coelho em 2011. Teria votado, dada a abjecta degenerescência do PS de Sócrates, mas estava ilegal. Pois, à imagem do que faz o actual presidente da república, estava recenseado numa cidade e vivia noutra (em Lisboa, em Maputo). Mas já não votei em 2015, nem votei em nenhum desse partidos em 2019, como aqui anunciei de ambas as vezes. Ou seja, a minha questõ não é discutir (ou salvaguardar) Passos Coelho. É o que é que aí vem. E estou crente (mesmo não estando nada bem-posto na vida) que isto, assim, não trará nada de bom para o país.
Não sou cultor do Carlos César nem adepto do João Galamba, mas quando avalio uma determinada situação costumo sempre medir os prós e os contras.
Neste momento em Portugal ou temos uma governação com as características do anterior governo, ou temos uma governação com as características do actual governo.
Como experimentei as medidas do governo anterior e fiquei com má memória, não acredito que haja uma mudança de estilo se houver eleições antecipadas.
Há uma canção que nos diz ” para melhor tá bem tá bem, para pior já basta assim”.
“para melhor tá bem tá bem, para pior já basta assim”.
Vejo que gosta da ideia.
É uma canção chula.
E conforme qualquer dicionário o chulo está relacionado com aquilo.
Anónimo, uma chula nada tem a ver com lenocínio.
Carlos Sousa, o futuro a Deus pertence, diz este ateu. Como tal será difícil proclamar grandes certezas sobre o próximo governo. Até porque governos e casamentos são como os melões, só depois de abertos é que se percebe se serão bons. Ainda assim nada obriga a que um próximo governo siga as políticas que o governo eleito em 2011, subordinado a um acordo com financiadores multilaterais (dito erroneamente a troika). Quanto ao resto? Poderemos continuar neste rame-rame, bombardeados com uma informação alienante, proclamando a excelência das “super-martas”. Há muito quem queira. E há muito avençado que o proclama.
Exacto. O país está bem melhor por causa da mudança de governo, não porque o BCE anda a bancar a dívida pública. O meu aumento de rendimento não foi por causa das reposições (sim, fui um dos “roubados”), mas sim porque as taxas de juro desceram a pique e o meu “serviço de dívida” baixou proporcionalmente.
Pois Anonimus, essa versão a que alude (juntada ao refrão “a culpa é do Passos”) vem funcionando, ecoada nos múltiplos festivais de Verão
Anonimus, se os seus juros baixaram, em grande parte deve isso ao governo do Passos. Foi no governo dele que as taxas de juro começaram a descer, por força das políticas então encetadas, contra a vontade de muitos socialistas que não queriam respeitar os nossos credores de dívida pública – lembro-me bem daquele seu amigo que afirmou, alto e bom som, para dizermos “não pagamos”, como forma de pôr as pernas dos banqueiros alemãs a tremer.
Não seja mal-agradecido.
Agora vou dar uma de socialista/comunista .
Tomara a minha mãe ,que tem mais de 90 anos ,ter uma pensão , que tivesse de ter esses cortes.
Se teve esses cortes era porque ganhava muito .
Luís Almeida
Se a sua mãe tem pensão, por muito pequena que seja, provavelmente deve agradecer ao PS, não?
Peço desculpa , mas não percebi , se conseguir explicar , agradeço .
Luís Almeida
Claro que para um urbano com uma reforma suficiente para ter levado cortes (é também o meu caso, já agora) é capaz de ser estranho que haja tantas pensões tão baixas que até faz confusão.
Mas basta ser um reformado que não anda por aí a roçar o traseiro pelas cadeiras dos cafés da cidade na companhia de outros reformados ao mesmo nível e passa muito tempo no campo (é o meu caso, já agora) para conhecer dezenas e dezenas de pessoas que têm reformas ali pelos 300€ se tanto.
E no caso dos trabalhadores agrícolas por acaso não foi o PS que as criou, foi o Marcelo Caetano… etails/maximized
https://dre.pt/pesquisa/-/search/691622/d
PS- Dispenso bocas foleiras por causa desta última referência, sempre votei PS, mesmo antes de 1974, com 23 anos votei em 1969 na CDE e tive chatices por causa disso, os boletins de voto eram identificáveis pela textura do papael pelos elementos da mesa que os introduziam nas urnas.
Anónimo, pois é – eu ao escrever no postal “câmaras corporativas” tive quase a colocar o mesmo que aqui deixa, esse “não me venham com bocas foleiras”. E tem toda a razão, há imensa gente a viver em condições muito difíceis. E “isto” não “vai lá” com o radicalismo de campus, seja este o da “gestão” direitalha seja o da “sociologia” esquerdalha, aprisionados ao bate-pé ideológico.
Em tempo
Referi Marcelo Caetano e esqueci o ministro da altura, que porventura terá sido o “dono da ideia”: Baltazar Rebelo de Sousa, pai do actual PR.
Só após o 25 de Abril é que a constituição passa a integrar o direito à segurança social.
Não se confunda.
A geringonça ou coligação ou o que for falha a partir do momento em que dois dos participantes recusam qualquer responsabilidade na governação. Foram 4 anos em que PCP e Bloco foram responsáveis por tudo de bom que aconteceu, e alheios a tudo o resto. Acordo escrito ou não, PS governou e os colegas iam aprovando ou reprovando consoante o Limiano dado em troca. Aliás, foram 4 anos de limianismo, por mais que se tente disfarçar com uma governação coligada de esquerda.
Costa pensou poder gerir mais uma legislatura assim, mas foi confrontado com covid, e Bloco e PCP perceberam que a sua postura não liga com o seu eleitorado, que é pura e simplesmente de protesto. Ou seja, um PCP que não vote contra o Governo de Direita (PS) e que não ande nas ruas via Sindicatos, é inútil. O mesmo para o Bloco, serve para legalizar brocas e perseguir Rendeiros, uma Catarina ao lado do Costa vale zero.
PS governou e os colegas iam aprovando ou reprovando consoante o Limiano dado em troca
O problema é que tudo o que o BE e o PCP querem é dar dinheiro ao povo para ele consumir. Querem mais pensões, mais salários, mais saúde, mais educação, mais transportes, mais tudo, e tudo dado ao povo. Ou seja, são partidos orientados única e exclusivamente para o consumo imediato. Na ótica deles o Estado não tem que investir um chavo (de facto, quase tudo o que Portugal atualmente investe é dinheiro vindo da União Europeia), nem que ajudar a que os empresários invistam. A única coisa que o Estado tem que fazer, na ótica do PCP e do BE, é dar todo o dinheiro que consiga arranjar (e sacar ainda mais a quem o tenha, claro) para o povo consumir de imediato.
Governação zero, investimento zero, consumo tudo (e ainda mais um bocado).
Este post seria compreensível se fosse muito mais curto e escrito com uma prosa muito mais simples e não convoluída.
Desta forma, uma pessoa gasta tanto tempo a interpretá-lo que chega ao fim muito cansada.
balio se o “post” [como V. lhe chama, usando o português da moda] “fosse muito mais curto e escrito com uma prosa muito mais simples e não convoluída” não me teria dado nenhum prazer a escrevê-lo, e seria assim totalmente inútil (assim pelo menos tem a utilidade de eu o ter fruído). E dá-me também o prazer de o saber “muito cansado” por minha causa, pequena crueldade saborosa.
A única reforma estrutural viável no imediato é criar para Portugal – como o club de Paris, acima mencionado, fez com a Polónia – um verdadeiro desconto à dívida – ao invés de poloneta uma portugueta – e ter fé que a seguir a isto se reforme a mentalidade empresarial e assalariada quer do sector público quer do sector privado.
O estado só se reforma pelas “bases”, vulgo sociedade civil.
No que demais afirma, é mais uma visão.
Ah! Ah! Ah!
Se a nossa dívida tivesse um substancial desconto de imediato arranjaríamos forma de a fazer subir até ao nível anterior, gastando sem critério. Gostamos de viver à custa dos outros. A nossa história evidencia isso.
Vento, o perdão de dívida normalmente conduz ao que o Cidadão refere. É um recomeço do mesmo caminho.
A nossa história não revela isso. Salazar não o fez e o país cresceu, só não cresceram as pessoas posteriormente a ele.
Portanto, é pelas bases que o estado muda.
Mas há pessoas que vivem acima de suas posses. Há quem coma 3 refeições ao dia, incluindo crianças, adultos e idosos, sem ter como pagá-las.
Sobre a dívida, esta será paga com juros e serviços da dívida; e manter-nos-emos com a dívida.
Vou ali acima comentar o SAC, talvez lhe interesse.
Diz-se que o Pedro, Russo, viajou pela Europa ocidental, de modo a aprender as boas práticas e importá-las para o seu atrasado país.
Alguém que pague uma viagem ao Costa, com Galamba e séquito.
não acabaram bem os sucessores desse Pedro. Nada bem mesmo.
O jpt parece um apaixonado pelo Passos Coelho que lhe cega a visão. Não seja totó !
Anabela Santos
Sem querer expressar qualquer tendência fóbica friso que dessa espécie que refere a única paixão que tive foi, e em tempos infanto-juvenis, por Vítor Damas.
mancrush.
Curioso em saber como a FP reagiria a não receber a horas. Ou não receber sequer. Como acontece, infelizmente, em tantos Privados.
mancrush? não, mesmo neste estado de já tão fenecida heterossexualidade não me dá para aí. Digamos que “rodeio”, forma elíptica de evitar dizer antes um apaixonado por Passos Coelho do que uma prostituta do PS.
Fique sabendo que me roubaram numa grande multinacional( muito rica ainda hoje) espalhada por todo o mundo e em Portugal com nome e fama de idoneidade: 3 anos de feriados trabalhados que nunca me pagaram, roubaram-me 1 subsidio de almoço durante 2 anos todas as semanas que nunca me pagaram, fora as horas não pagas e subsídios de ferias em constante atraso… para não dizer muito mais sobre outras coisas.( e não foi só a mim). Sindicatos, fiscalização tudo uma treta nunca fizeram nada. Esta empresa aproveitou-se sem necessidade, da troika para explorar as pessoas no qual me incluo. Passos Coelho quis ir além da troika como tanto se gabou e acabou por permitir a exploração laboral.
Anónimo, muito lamento o que narra. Quanto ao que refere em termos gerais permito-me reenviar para o que aqui botei (e que já aqui causa comentários insultuosos, os visíveis e os que apago). Este modelo estatizador não tem futuro a médio prazo, e urge transformá-lo. Se essa transformação for para exterminar mexilhões (o tipo de fartar vilanagem que V. aqui refere) então é melhor deixar estar este triste estado das coisas. Quando dizer isto significa ser chamado de filho da puta ou apaixonado por Passos Coelho isso significa bem o carácter de seguidismo abjecto que muita gente tem em relação ao que agora se passa. E isso muito fundamenta o comentário aqui de Anonimus [raisparta isto, que patéticas razões levam as pessoas a não assinar os comentários?… reduzem as conversas nas quais querem participar a ridículas sequências de desnomeações], que há um coro de anuências que muito provém da Função Pública, assentes em segurança laboral e remuneratória, mesmo que esta possa ser alvo de ocasionais reduções aquando das crises. Para essa gente todos os outros, que não partilham de tantas certezas sobre a bondade actual, são parvos (ou totós) ou bem-postos (exploradores, dizia-se antes).
“O jpt parece um apaixonado pelo Passos Coelho que lhe cega a visão. Não seja totó !”
Nunca lhe chamei filho da puta. Parece apaixonado é diferente de ser ou não apaixonado por isso não invente, que outros o chamem disto e aquilo não tenho nada a ver com isso. Agora assumo chamei-lhe de totó.. Apenas expresso indignação por tantos elogios a Passos Coelho como se este tivesse sido algum iluminado. Mas o Sr. mostrou bem a sua social democracia e de ter confundido tudo ao chamar-me de prostituta.
Não precisa de publicar.
Anabela Santos
Prezado jpt:
Vim diretamente do “Comentário da Semana” publicado hoje, lê-lo.
Em primeiro lugar, parabéns pelo seu texto. Concorde-se ou não com as ideias que expõe, ninguém que, de facto, o leia, pode negar a economia e elegância da sua argumentação.
Já o armazenei na minha “lista de leitura” para o ler, e dar a ler a outros.
Depois, não posso deixar de lhe gabar a paciência em dar explicações a quem, muito obviamente, ou não o leu (nem na vertical, quanto menos na diagonal), ou não o entendeu, por incapacidade ou cegueira preconceitual.
Por fim, um mistério: o tal “Comentário da Semana” foi escolhido com que critério? É que se aquela não é uma apreciação de um apreciador de mexilhões exterminados, vou ali e já venho… Talvez uma provocaçãozinha, será?
Gracinha, fico grato pelas simpáticas palavras e – ainda mais – pela sua anunciada disponibilidade para partilhar o texto.
Quanto ao que refere sobre o “comentário da semana” lembro que é uma (muito saudável) rubrica do nosso camarada coordenador Pedro Correia, e que os critérios de selecção são os dele. O trecho escolhido para esta semana, que vem desta caixa de comentários, decorre desse molde e não serei eu a botar sobre isso. Mas posso adiantar que em meu entender a pertinência das escolhas não deve passar pela concordância com o que foi avançado no comentário escolhido (nem pelo Pedro Correia nem – e muito menos, dado que não há uma “linha” no colectivo do DO – da maioria dos bloguistas). De qualquer forma esse comentário (do comentador Anonimus – enfim, imenso me irrita este culto de anonimato comentador) não me parece ser “exterminador” de nada mas sim crítico das dinâmicas da “pseudo”-coligação governamental. Discordo sim da utilização do “limianismo”, tal como já me explicitei em postal recente “Limianos” (em resposta a comentário do mesmo Anonimus) um acordo de incidência parlamentar ou uma coligação são o cerne da vida democrática e chamar-lhe “limianismo” só advém de quem incomprrende isso ou de quem é anti-democrata. Outra coisa foi o aldrabismo inconstitucional de Guterres (Pina Moura)-Portas no affaire Limianos.
Esta leitora, talvez sem querer, acaba por realçar um dos critérios dos “comentários da semana” que vou seleccionando conforme me sobram tempo e paciência – nem sempre, como se tem visto.
Um dos critérios é o que ela enuncia: chamar a atenção para textos que foram publicados dias antes e possam ter passado despercebidos.
Outro é o potencial polémico que possam conter.
Há ainda aqueles que têm um ângulo original sobre determinado assunto. Ou ainda alguns que visam destacar certos leitores que comentam com muita regularidade.
Não faltando ainda determinados comentários seleccionados por serem de personalidades conhecidas. Ainda há poucos dias reli um “comentário da semana” subscrito por Rodrigo Sousa e Castro, militar do 25 de Abril, do Grupo dos Nove e do 25 de Novembro, aqui destacado em 2011.
Menciono este exemplo como podia mencionar vários outros. O da escritora espanhola Rosa Montero, por exemplo.
Eis, em síntese, o que aqui se passa – já vai fazer 13 anos.
Que o comentário possa contestar parte daquilo que o autor escreveu torna-se aspecto secundário. Eu que o diga, pois tenho destacado vários comentários de leitores que me criticam.
Concluindo: não há um critério, mas vários. Conforme vai calhando. Sem dogmas, nem cartilhas. Fazendo jus à identidade deste blogue onde não se praticam delitos de opinião. E andamos nisto desde Janeiro de 2009.