

É um passeio diferente. Aproveitando este prolongamento de Verão de que temos beneficiado e a bela paisagem que se rasga aos nossos olhos ali onde o Tejo desagua no vasto Atlântico. Um passeio fluvial e marítimo em simultâneo. A rondar o histórico baluarte do Bugio, ali erigido no século XVII por ordem de D. João IV, aproveitando um banco de areia existente na barra do rio, no quadro mais vasto das fortificações implantadas na zona de Lisboa – e de que a mais emblemática é a Torre de Belém.
Reza a tradição que o Forte de São Lourenço do Bugio foi inspirado no majestoso castelo de Santo Ângelo, em Roma, situado junto à Cidade do Vaticano.
No topo da fortaleza circular, que já serviu de caserna e presídio, existe um farol igualmente muito antigo, que até à década de 80 exigia presença humana em permanência. Hoje a iluminação está automatizada e é alimentada por energia solar, mantendo-se o seu papel vital no apoio à navegação.
Noutros tempos, em certas épocas do ano, o Forte era procurado em épocas de maior assoreamento do Tejo, sobretudo por residentes da Cova do Vapor, que assistiam à missa na capela setecentista lá existente e agora virtualmente abandonada. Tudo mudou: hoje só elementos da Marinha, em regra, têm autorização para ali desembarcar.
Infelizmente, por isso só é possível rondar o ilhéu – e não desembarcar. Assim se desperdiça um lugar de inegável valor histórico e cultural hoje sob a tutela de várias entidades. Incluindo a Direcção de Faróis, a Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais e a Administração do Porto de Lisboa, além de duas câmaras municipais – a de Almada e a de Oeiras.
Seria muito útil a abertura do local a deslocações periódicas – desde o âmbito escolar às visitas turísticas. Enquanto isso não acontece, podemos sempre fazer o que já fiz: contornar o ilhéu e contemplar Lisboa vista dali. É um panorama único. Vale a pena embarcar: é uma pequena viagem que perdura na memória.

Quem promove tais viagens? Quanto custam? Onde se embarca?
Preço módico. Embarque na marina de Oeiras. Empresa privada ali instalada.
Nada a ver com o Estado, que fecha o Bugio a sete chaves e impede os cidadãos portugueses de visitarem este monumento histórico, o que é uma afronta à cidadania.
Até aos anos 1940, salvo erro, o Bugio não era um ilhéu. Estava ligado a terra (Cva do Vapor) em permanência, por um banco de areia que ali existia. Foi por mão do Homem que essa ligação foi rompida e o Bugio se tornou um ilhéu. Há quem proponha que se volte atrás e se reconstrua a ligação a terra.
Hoje isso não faz qualquer sentido. Aquilo é um longo canal de navegação.
Também não faz o menor sentido o Bugio permanecer inacessível ao público. E pertencer a duas câmaras municipais e a não sei quantas entidades públicas – eis um triste retrato da ineficaz burocracia portuguesa.
Tem toda a razão, caminhava-se a pé da Trafaria ao Bugio na maré baixa, aliás foi utilizada essa língua de terra para a passagem na construção do Forte/Farol.
Fiz mergulho várias vezes perto do local para observar milhares de polvos do leito do rio por haver milhões de caranguejos, que ainda hoje é utilizado na safra de muitos pescadores da Trafaria.
A passagem da “barra” era feita, e continua a ser, com a navegação encostada a norte.
Depois, para fazer a Praia do Tamariz foi roubada a areia dessa língua, e Forte/Farol ficou no “meio da barra”.
Ouvi desde miúdo contar histórias como essa. O que contribuiu para aumentar o meu fascínio de sempre em relação ao Bugio.
Não quero lançar mais confusão, mas o Bugio está (estava?) sob alçada da Autoridade Marítima Nacional
Está sob várias alçadas, civis e militares. Em degradação contínua e inacessível a visitas públicas.
Assim se gere o nosso património.
O forte é anterior a D. João IV. A proncipal parte da construção é feita a mando de Filipe I.
Na actual configuração deve-se sobretudo a D. João IV, embora tenha sido inaugurado já no reinado seguinte.
a iluminação [do farol] está automatizada e é alimentada por energia solar
A energia solar é suficiente? Onde estão os painéis, que não se vêem em nenhuma fotografia? E o que se faz quando há nuvens?
A energia solar é suficiente. Mal seria que não fosse num país onde existem, em média, 300 dias de sol por ano.
A energa solar é suficiente para fazer funcionar o farol? Tem a certeza?
Eu não sei quanto consomem as lâmpadas dos faróis, mas não deve ser nada pouco.
E os paineis solares geralmente não debitam mais que 50 watts por metro quadrado.
Além de que seriam necessárias grandes baterias para acumular a energia do dia para a noite.
E, finalmente: não descortino nas fotografias painéis solares nenhuns.
Deixe estar: para a próxima fotografo os painéis para você ficar contente.
Caro Pedro,
Embora o acesso ao forte esteja condicionado, o que é facto é que já tive oportunidade de o visitar em 21/07/2018 em excursão promovida pela CM Oeiras. Lembro-me que o número de visitantes era limitado, atendendo até à capacidade dos botes semi-rígidos que nos levaram ao ilhéu a partir da marina de Oeiras, e as visitas eram em vagas sucessivas, saía uma leva entrava outra. O grupo era recebido pelo então Director do Museu dos Faróis, personagem ímpar, filho de faroleiro que ali tinha prestado serviço, com conhecimento enciclopédico da história daquela edificação, fortaleza, prisão e farol.
Sei que as visitas tiveram que ser autorizadas pela Marinha para, se não me engano,
dois ou três fins de semana consecutivos no mês de Agosto.
Recordo-me ainda que a marcação teve que ser feita com alguma antecedência, mas estas visitas já tinham acontecido, promovidas pela mesma equipa, em anos anteriores. O estado de abandono das instalações é confrangedor, da capela já só restam madeiras apodrecidas e só a torre da “luminária” tem uma porta decente e fechada à chave. Foi-nos dito que existiam projectos para recuperação daquele património, informação rematada com um desanimado encolher de ombros bem elucidativo. Não sei se neste pós pandemia as visitas voltarão a ser possíveis, mas a acontecerem não serão nunca antes do próximo Verão.
Carlos Arnaut
Obrigado pelo seu testemunho. Fez algo que sempre sonhei fazer. Mas, pela sua descrição, confirma-se o que já suspeitava: o estado actual das instalações é confrangedor.
Lamento muito que essa degradação persista.
O Estado – seja qual for a entidade – devia permitir visitas periódicas, organizadas por empresas privadas devidamente credenciadas, que contribuíssem para a valorização e recuperação deste monumento.
Agora parece tudo confrangedor.
O património histórico há anos que anda ao abandono. É um problema saber que é o “responsável” de determinado edifício decretado monumento nacional, e quando o mesmo está ligado à Marinha ou ao Exército é um problema para resolver o que seja. Há cinquenta anos era fácil a manutenção desses edifícios por haver tropa com vários ofícios a fazer as “coisas” de borla.
Sabe-se que o Governo não tenciona executar mais de 16 milhões dos 150 milhões de euros inscritos no Plano de Recuperação e Resiliência para a requalificação de museus, palácios, monumentos e teatros nacionais. Abaixo de 11% do valor total, portanto.
O que não augura nada de bom.
Caro Pedro: px). io.aspx
Sem querer tirar a água do capote, o Farol do Bugio, de facto (e de direito), não está sob jurisdição da Administração do Porto de Lisboa, mas sim da Autoridade Marítima Nacional (Direção de Faróis). E não integra a lista de faróis que podem ser visitados (https://www.amn.pt/DF/Paginas/Farois.as
Comummente conhecido por Farol do Bugio pois é a função atual relevante que tem, de sinalização marítima, a designação original é de Forte de S. Lourenço da Cabeça Seca (com vocação de defesa militar da barra, e construção iniciada durante o período de ocupação filipina). O Forte e Torre de S. Lourenço foi classificado como imóvel de interesse público pelo Decreto nº 41191, de 18 julho de 1957 e a Direção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, que promoveu obras de restauro entre 1997 e 2001.
Para quem tiver curiosidade em conhecer mais uns pormenores, ver em: https://www.amn.pt/DF/Paginas/FaroldoBug
É uma pena não poder ser visitado, à semelhança de outros faróis.
Obrigado pelo esclarecimento adicional, vindo seguramente de quem sabe mais da matéria do que eu.
Não me identifiquei, mas convivemos nas roulotes no passado sábado…:)
Eheheh. Ora viva!
O que é dramático é a cegueira dos decisores em organismos pilar do Estado, a Marinha é um deles, não perceberem que o património à sua guarda pode ser uma ferramenta de fácil acesso para fintar as insuficiências crónicas das verbas atribuídas à conservação do património.
Subscrevendo por inteiro o alvitre do Pedro – “Seria muito útil a abertura do local a deslocações periódicas – desde o âmbito escolar às visitas turísticas” – as receitas geradas por tal actividade financiariam a rápida recuperação do forte. A procura existe, a exploração responsável desta rota seria certamente sustentável, não falando do encanto que é olhar Lisboa do meio do rio e encher o peito por sermos daqui.
Carlos Arnaut
Não entendo, de todo, como não se permitem visitas regulares guiadas – de âmbito escolar ou turístico – complementares às da Torre de Belém, até porque ambos os monumentos se inseriam na estrutura defensiva da barra de Lisboa.
Mesmo que apenas 10% dos visitantes regulares da Torre de Belém viessem ao Bugio, seriam cerca de 70 mil por ano. Contribuiriam certamente para um fundo de preservação e recuperação deste património único.
Fotos lindas, muito bonito, tanto azul.
Estava um dia lindo, sim. Obrigado.
Mas… cuidado, a informação que dão não está correcta. É – ou pelo menos era, antes da pandemia – possível visitar este farol em visitas organizadas pela Câmara de Oeiras. De facto, já lá estivemos, e se nos recordamos que o preço era um pouco elevado para a visita em si própria, de facto é – ou era, repita-se, antes da pandemia – possível visitar o interior do local.
Infelizmente, ao que julgo, essas visitas são ocasionais e não regulares.
Sim, segundo nos foi explicado na altura, elas ocorrem quando existem um X número de interessados.
Gostava muito que estes passeios fossem regulares. Atendendo, claro, às condições atmosféricas.
Também nunca percebi porque não se pode visitar o Bugio. Até porque os faróis são visitáveis embora nem sempre deixem fotgrafar. Já visitei muito faróis em Portugal e qulauqer deles não dei o meu tempo por perdido.
Também tenho um fascínio por faróis. Já visitei vários – do Alto Minho ao Cabo de São Vicente.
viva
no destaque do sapo, fala num Pedro, nem por um segundo pensei no Correia, achei que seria um blog de mais um viajante.
Se calhar as camaras relacionadas com o Bugio nem sequer sabem nadar, nem contam com meios proprios para irem ao local.
A brincar e a sério, porque o estado nao vende a coisa ?