Os melhores romances e novelas portugueses do século XX


Pedro Correia,

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O Malhadinhas, de Aquilino Ribeiro (1922)

O Conde d’ Abranhos, de Eça de Queiroz (1925)

A Capital, de Eça de Queiroz (1925)

Emigrantes, de Ferreira de Castro (1928)

A Selva, de Ferreira de Castro (1930)

14 comentários em “Os melhores romances e novelas portugueses do século XX”

  1. Não li O Conde de Abranhos e nem A capital. Quanto aos restantes, gostei bastante. Há quantos anos, parece-me ter sido noutra vida e eu quase outra pessoa. Ficou-me o prazer da leitura e a descoberta dos autores.
    Bom Dia.

  2. A Selva e Emigrantes. Retratos da 1º vaga de emigração par o Brasil.
    Sei bem pois familiares meus emigraram na ilusão de voltarem rotulados de “Brasileiros ricos”

    1. É verdade. Matéria de interesse histórico e documental também. Ferreira de Castro conheceu por experiência própria o drama dos portugueses muito pobres que emigravam para o Brasil – no caso, durante a chamada I República.

  3. O Malhadinhas sempre me lembra uma das maiores constantes do espírito indígena:
    «Mais ronca o mar e mijo nele»

  4. Se é para opinar (qual voto) faço declaração a priori: por razões cronológicas (de escrita) excluo os dois do Eça. E tendo para “A Selva” – para recordar Ferreira de Castro, e porque não li “Emigrantes”, e porque haverá outras décadas (e livros) para recordarmos Aquilino de Ribeiro.

    1. “A Selva”, obra-prima. Um dos raros livros de “aventuras” (digamos assim) da literatura portuguesa. Um dos raros romances portugueses da primeira metade do século XX que tiveram verdadeira dimensão internacional. Um romance luso-brasileiro, literalmente.
      Não tive tempo nem paciência para conferir se integra a vasta lista de obras propostas no Plano Nacional de Leitura, autêntico albergue espanhol. Em hipótese negativa, que não creio, seria um crime de lesa-literatura.

  5. Pedro,
    Por recomendação tua li a “A Selva” não há muito tempo e gostei muito. Depois disso adquiri num alfarrabista uma versão “Os emigrantes” de 1984, que está na lista das coisas a ler. Entretanto folheei um exemplar, também de alfarrabista, de “A volta ao mundo” do mesmo autor que achei delicioso. Foi escrito após uma volta ao mundo em 1939 feita pelo autor. É literatura de viagem do melhor, até por ilustrar com muitas fotos, um mundo que já quase desapareceu.

    1. Muito me satisfaz saber que chegaste a esse romance por sugestão minha, Paulo. Para mim, “A Selva” é um dos romances essenciais não apenas do século XX português mas de toda a nossa literatura de ficção.
      Li muito cedo, e tenho relido bastante, grande parte da obra de Ferreira de Castro: ‘Os Emigrantes’, também, claro – outro livro “luso-brasileiro”, tal como ‘A Selva’. E ‘A Lã e a Neve’, ‘A Missão’, ‘A Curva da Estrada’, ‘A Tempestade’, ‘Eternidade’.
      De ‘A Volta ao Mundo’, livro de viagens, conheço apenas os excertos que li em miúdo em selectas escolares. Creio que é obra a necessitar de reedição urgente.

      1. Lista está sempre a aumentar
        Essa “ Volta ao mundo” que pude folhear tinha páginas ligeiramente ratadas pela traça, o que ainda lhe dava mais personalidade.

  6. Eça inventa-se de novo em cada livro e “A Capital” é uma obra fantástica, em que ele leva ao extremo, tornando-se mesmo doloroso, o tédio, a indecisão, a acomodação. Fiquei com a impressão de que Artur Covelo era, no que a estas características diz respeito, um Carlos da Maia levado ao cúmulo.

    Por acaso, não li “O Conde d’Abranhos”, nem “O Malhadinhas”, por isso, não me posso pronunciar.

    Também não li “A Selva”, mas, tendo de votar num destes livros, escolhia “Emigrantes”, pela importância, tão subestimada, que a emigração tem no nosso país. Quando se fala de emigração, das duas, uma: ou é para enfatizar a capacidade que os portugueses têm para se adaptarem aos países de acolhimento, ou é para criticar a soberba dos emigrantes de visita à terra. Não nego a pertinência destes dois aspectos, mas a emigração é muito mais do que isso. A emigração é sobretudo um corte radical na vida de pessoas e suas famílias, com consequências que insistimos em ignorar. Não se compreende que a temática seja rara na nossa literatura, comparado com a sua importância e o seu impacto no país. Daí, a minha escolha.

    1. Concordo em absoluto com essa leitura de ‘A Capital’, Cristina. É um romance desvalorizado, raras vezes mencionado, quase desconhecido. Os próprios organizadores e prefaciadores – pelo menos na versão que tenho, da Presença – se encarregam em prefácios e badanas de menosprezar o romance, considerando-o obra menor.
      Não posso ter uma visão mais antagónica. E recomendo sempre este livro, publicado postumamente, um quarto de século após a morte de Eça e quase meio século após ter sido escrito.
      De facto, Artur Corvelo – uma das grandes personagens concebidas por este enorme escritor – é uma espécie de prefiguração de Carlos da Maia, levando ao extremo aquilo que por vezes fica quase só em esboço neste último. Muito bem observado.

      Quanto a ‘Emigrantes’, tenho a mesma perspectiva. Até por ter sido também emigrante. Espanta-me aliás que a emigração tenha sido tema tão pouco (e mal) tratado na literatura portuguesa.
      Felizmente Ferreira de Castro legou-nos esta obra lapidar sobre o drama da emigração portuguesa no Brasil há cerca de cem anos.

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