DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Lima: «Parece-me boa ideia relembrar o que disse António Nóvoa, reitor da Universidade de Lisboa, numa entrevista ao JL/Educação em 2005. Questionado sobre o papel da escola e sobre as exigências que a sociedade lhe faz, dizia: “À escola cumpriria salvar o mundo e reparar todos os males. Perante isto eu faço uma provocação aos outros (e até a mim próprio), defendendo uma escola retraída, mais modesta e mais concentrada nas tarefas da aprendizagem.”»

 

Ana Margarida Craveiro: «[Alberto João] Jardim endividou-nos a todos a favor daquele cantinho florido, com obras para os madeirenses. Quem vai pagar o buraco não são os madeirenses, mas nós todos. Repito: nós, de Bragança a Faro, vamos pagar as dívidas da Madeira. E convém lembrar que até pagamos bem mais do que qualquer madeirense, porque não temos reduções de IVA por quaisquer complexos de insularidade. E para visitar as obras que o nosso dinheiro pagou, compramos bilhetes inteiros de avião, não tarifas reduzidas.»

 

José António Abreu: «E se fizéssemos um exercício teórico muito giro no qual retiramos diferenças de rendimento pré-existentes às análises sobre os apoios sociais? Não? Mas porquê? Vá lá, aprendam a mentir e a fingir entusiasmo (não irão a lado nenhum sem o conseguirem). De resto, não vai demorar mais do que um daqueles inquéritos via telefone ou internet em que uma voz simpática ou um pop-up de cores suaves, respectivamente, nos informa de que se prevêm necessários apenas alguns minutos para responder a tudo. Pode ser então?»

 

Luís Menezes Leitão: «Há um princípio que qualquer governante português deveria seguir: é a de que não interessa nada cair nas boas graças de governantes estrangeiros defendendo posições evidentemente contrárias aos nossos interesses. Já há 150 anos Lord Palmerston dizia: “England has no eternal friends, England has no perpetual enemies, England has only eternal and perpetual interests”. E Mao Tsé-Tung referiu um princípio de combate simples: “Devemos apoiar tudo que o inimigo combate, e combater tudo o que o inimigo apoia.” Pelos vistos Durão Barroso, que tem essa formação política, não se esqueceu desta regra simples.»

 

Rui Rocha: «Alguns [no PS] pretendem reabilitar o líder anterior (José Sócrates). Outros querem lançar a candidatura do futuro líder (António Costa). A reabilitação de Sócrates pressupõe que Seguro actue como carro-vassoura, recolhendo os que caíram da governação e assegurando-lhes um transporte confortável até à meta. O lançamento de Costa implica que Seguro actue como  lebre. Cabe-lhe assegurar as despesas da corrida nas primeiras voltas à pista. Mas,  nessa missão, a lebre deve desgastar o Coelho, desgastando-se a si própria. Pode até ter vestida a camisola amarela. Todavia, em caso algum lhe estará reservada a vitória na corrida.»

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