
Fernando Sousa: «No dia das festas, fui. O aldeamento, umas vinte cubatas e uma praça de pó, estava num frenesim, cheio de visitantes, elas de túnicas garridas e missangas, aos gritinhos de lé lé lé, eles já aos tombos. Ali apresentou-me o régulo e uma série de amigos de caras abertas – o riso dos macuas é uma coisa indecifrável. Chegada a noite, do feiticeiro, nada!»
João Carvalho: «Não é ex-tranho? E entrar para a esplanada também é estranho: costuma-se sair para a esplanada. Como dizia o outro, o mundo mudou muito.»
José António Abreu: «A culpa de não valermos nada (ou, mais exactamente, de pensarmos não valer nada) é sempre alheia. Dos nossos pais, dos nossos professores, do governo, de realidades difusas como a globalização, de pessoas tentando defender as suas lojas.»
Luís M. Jorge: «Lá vou interromper as férias para outro post rápido. Estou farto do primitivismo justicialista da direita portuguesa (são todos uns bandidos, filhos da puta, etc) o que não quer dizer que concorde com os revolucionários da treta do 5 Dias. Mesmo que um fenómeno desta escala fosse protagonizado por delinquentes comuns teríamos de fazer um esforço de compreensão, mais produtivo que qualquer espécie de fervor trémulo e acusador.»
Eu: «Estes pequeno-burgueses excitam-se sempre que vêem uma viatura a arder, imaginando um Jean Valjean munido de BlackBerry em cada pilhador de subúrbio numa grande cidade europeia. Ao lê-los, vem-me à memória uma frase de J. G. Ballard: “There’s nothing like a little violence to tone up the system.” Pura verdade. Sem necessidade de ponto de exclamação algum.»
