A representação olímpica portuguesa


#$&%#,

portugueses de bem.jpg

Vai uma resmunguice com a nossa representação olímpica nacional, ainda que os resultados até sejam algo melhores do que o habitual. Pois a alguns custa-lhes a origem dos atletas. A vitória do luso-cubano Pichardo é desprezada pelos comunistas do PCP: o seu ex-eurodeputado Miguel Viegas, e agora candidato a Aveiro, insulta-o de “paraquedista” e na RTP (o serviço público), já pós-medalha de ouro, um qualquer castrista ali funcionário insultou-o de “desertor”. Entre os apoiantes de “Fidel” (PCs e tantos outros geringoncicos) ninguém se ergue no agora tão habitual “denuncionismo” – se alguém disser em público que Patrícia Mamona é lindíssima logo será apupado como “sexista”, dada esta mentalidade da “esquerda” actual. Mas que um comunista da RTP chame “desertor” a um atleta passa incólume.

 

Mas o patrioteirismo racista não está só nessa gente “roja”, pois entre o “povo comum” (a velha “maioria silenciosa”, aquela do “a minha política é o trabalho”) também muito se vai resmungando contra a composição da equipa olímpica. Entre esses Bessone Bastos, lenda do desporto português, antigo olímpico, e Prémio Stromp do Sporting – e isso é agora insustentável para o clube, que terá de se pronunciar -, afirma que a nossa única medalha é a do branco (Fernando Pimenta). E este lixo anda por aí.

 

Entre os (espero que muitos) que se abespinham com estes dislates também não vinga grande clareza. Vejo gente que afixa, com boas intenções (demoníacas, como bem se sabe), as caras dos medalhados negros intitulando-os “portugueses de bem”, querendo pontapear a tal “maioria silenciosa”, os fascistas do prof. Ventura. Ora, de facto, isso é o contrário do que deve ser dito: “portugueses” somos todos, os por ascendência, por sítio de nascimento ou por “naturalização” (de facto, por nacionalização). Não é preciso ser campeão, excelente. Alguém que vem de fora e que se “nacionaliza”, dentro da lei, tem todo o direito a ser medíocre, incompetente, até mariola, mediano e, excepcionalmente, excepcional, como todos nós, os outros que já cá estávamos. Porque esses racistas ao ouvirem isso dos “campeões serem de bem” dirão que “esses sim, agora os outros” (a tralha tal qual todos somos) “é que não os queremos”.

 

Quando há cinco anos o luso-guineense Eder marcou este golo toda a gente se atirou ao ar, mas não por causa das suas origens ou fenotipo. E termos sido campeões europeus tendo como melhor jogador (de todo o torneio, já agora) o luso-brasileiro Pepe – que para cá imigrou no final da adolescência -, também não chocou ninguém. Bem pelo contrário. E é isso relevante porque, dada a futebolização do país, a selecção convoca mais paixão identitária do que os judocas, nadadores ou afins olímpicos. Mas também antes ninguém se erguera contra os triunfos do luso-nigeriano Obikwelu ou do luso-cabo-verdiano Nelson Évora.

 

Isto bem demonstra que as estratégias confrontacionais dos demagogos de extrema-esquerda (a inefável Moreira com meia primeira página de hoje do boletim “Público” bem o sublinha) e dos de extrema-direita está a surtir efeitos, crispando a sociedade, reinventando velhas imbecilidades.

 

Ainda assim é agora o momento de criticar as federações desportivas pelas formas como se querem representar. Uma coisa é incluir ex-imigrantes, formados ou maturados no país, nas representações desportivas nacionais. Outra coisa, completamente diferente, é incluir atletas olímpicos dos seus países de origem, transferidos para as nossas selecções. Os casos de Lorène Bazolo (luso-congolesa) e Auriol Dongmo (luso-camaronense) são óbvios. Tudo isto é fluido, e as senhoras que se naturalizaram portuguesas têm todos os direitos de cidadania. Mas também os têm nos seus países de origem, e podem continuar a representar aquelas selecções. Mas o que o nosso Comité Olímpico e as nossas Federações fazem é aproveitar as contratações dos nossos clubes (Benfica, Sporting, etc.) para “enriquecer” a nossa representação olímpica. E isso é outra coisa, pois para esse tipo de competição internacional existem os clubes.

 

Sabe destes processos de contratação para as selecções nacionais, tornadas veros clubes, quem acompanha o futebol (desde que os países do Golfo começaram a nacionalizar em barda jogadores estrangeiros), o raguebi (com o abastardamento do estilo de jogo da França, por exemplo), ou no atletismo (com os africanos convocados pelos tais países do Golfo). E esta é uma preocupação que nada tem a ver com “raça” (esse vil mito que continuam para aí a guinchar, uns e outros) nem com patrioteirismos bacocos. Nem com o castrismo.

 

Quais são os limites da integração de ex-estrangeiros nas nossas equipas nacionais? Não sei bem, decerto que serão fluidos. Mas contratar atletas das outras selecções não é a via. Nem nacionalizar uns tipos porque nos dão jeito para aquela posição/especialidade. Para quem perceba de futebol: não é convocar o Liedson e o Dyogo Sousa. Independentemente de onde vêm e de que cor têm.

29 comentários em “A representação olímpica portuguesa”

  1. “ … Entre esses Bessone Bastos, lenda do desporto português, antigo olímpico, e Prémio Stromp do Sporting – e isso é agora insustentável para o clube, que terá de se pronunciar -, afirma que a nossa única medalha é a do branco (Fernando Pimenta). E este lixo anda por aí. …”
    “ … Mas que um comunista da RTP chame “desertor” a um atleta passa incólume. …”

    Terei percebido mal ou o “comunista da RTP” não é lixo?
    Ou poderá o autor considerá-lo, assim, uma espécie de ‘lixo limpo’?

    1. João Brandão, o “comentariado” do DO é tão peculiar. Enfim, se é isso que lhe chamou a atenção no meu postal eu explico. Em dois passos: 1) eu escrevi o texto, publiquei-o e depois emendei-o (“editei-o”, como há a tonta mania de se dizer), retirando-lhe redundâncias, desnecessidades e erros. E retirei o “escroque” que tinha utilizado para descrever o tipo da RTP – isto no âmbito de reduzir o número de caracteres mas também de evitar deselegâncias, dado que é um blog colectivo. Lamento então que tenha ficado o tal desequilíbrio que tanto lhe desagrada. 2) em termos mais abrangentes, para além deste texto, eu acho que um filho da puta racista é bem mais lixo do que um mero castrista resmungão.

      1. A maioria das pessoas são xenófobas, não são racistas. E a xenofobia liga-se mais à aversão a outras maneiras de estar, a outras classes sociais ou a ideologias como o islamismo, o comunismo ou o benfiquismo (como é o meu caso nesses três casos, com muito gosto e afinco). Não é uma aversão sanguínea a outra cultura ou a outras fisionomias — e nada disso interfere se estiver no seu sítio. Como antropólogo, saberá isto perfeitamente, embora a antropologia se tenha transformado precisamente num instrumento ideológico.. Mas estes conceitos são permanente misturados, umas vezes de propósito outras vezes por ignorância simplesmente. Agora, nada disso invalida o FACTO de que a xenofobia começa com a aldeia do lado (sei lá, Almada, lol) ou, por exemplo, para os funcionários públicos (que existem em números cada vez mais trágicos), o piso de cima. É uma coisa natural e vai existir sempre, como as tribos. E o que interessa é que sejam as melhores tribos a mandar se não isto acaba tudo na trampa.

        1. Eu também tenho as minhas irritações, convivo mal com pessoas que pertencem a alguns grupos (holigões, sorvedores de caracóis, militantes do PS socratista, prostitutos de rua), pois encaro-as cheio de pressupostos desvalorizadores. Mas não é bem disso que se trata neste caso.

      2. Lá peculiar é certamente, e eu diria que não só o ‘comentariado’, mas também as crónicas.
        O desequilíbrio que reconhece no seu texto não tem porque me desagradar … de todo.
        De facto, nada de especial me chamou a atenção na crónica, porquanto o assunto é conhecido e badalado sob vários ângulos e por isso eu diria que sobre a ‘coisa’ nada de novo. Peculiaridades de uma sociedade que sofre uma recomposição e, é tudo.
        Daí que tenha sido ‘isso’ que me chamou a atenção, como diz.
        Contudo, não deixa de ser interessante que o ‘patrioteirismo racista’ mereça uma benévola expressão adjectivante de ‘castrista resmungão’, ao passo que o ‘outro racista’ leve um adicional bónus de ‘filho da puta’. Uns serão menos azuis que os outros, pronto!
        Enfim, vieses …
        O congénere “Porta da Loja” no seu último post parece lançar alguma luz sobre o porquê de alguns dos vieses de certas figuras.
        Se quiser dar-se ao trabalho …

        1. Acho muito bem que se alerte para textos de outros blogs (nos comentários e nos postais), uma antiga prática que foi caindo em desuso. Muito obrigado pela chamada de atenção para esse texto que irei ler. Quanto ao resto: entre um sacaninha que diz que só os brancos é que são portugueses e que, portanto, as medalhas dos negros não são nossas e um tipo que chama paraquedista a um opositor a Fidel Castro, não tenho qualquer necessidade de ir ler um texto analítico para compreender porque desprefiro muito menos o camarada comunista ao vigoroso fascista.

          1. “…desprefiro muito menos o camarada comunista ao vigoroso fascista. …”
            Pois, para mim são os dois lixo do mesmo monturo, cujo destino deverá a mesma fossa com desinfecção a creolina, que é o desinfectante para porcaria. (Des)norteados por ideias que só trouxeram miséria, opressão e morticínio, ideias que só podem ter acolhimento em mentes ignorantes ou deformadas.
            É lamentável como, depois das desgraças mais que documentadas e conhecidas, desde pelo menos, o último quartel do século XX, haja ainda gente que, miseravelmente, ainda faz a apologia deste lixo ideológico.

            No mais, dê lá uma saltada ao post de 7/08 no ‘Porta da Loja’ e verá que não é vão.

  2. Lamento apenas que estes vistos gold sejam apenas céleres para atletas de alta competição, os restantes trabalhadores estrangeiros ou os filhos deles penam para obter dupla nacionalidade. Aliás o Nelson Évora é um bom exemplo disso, só quando se percebeu que era um atleta com potencial é que desbloquearem o seu processo.

    1. Tem toda a razão no que diz, Ricardo Abreu (eu não me lembro do processo do Nelson Évora mas julgo que a “naturalização” [insisto, trata-se de uma nacionalização] de Pichardo foi cumprida em 6/7 meses, muito menos do que no caso de um vulgar imigrante). Essa é uma questão relevante – e que eu deveria ter colocado no postal, deixei-a cair pois dizem-me que boto postais demasiado longos.

      1. O Pichardo teve tratamento especial porque veio como refugiado político. Dissidente. Nao era um “imigrante”.
        Depois teve uma coisa qualquer do interesse público ou o que é.
        Em nota, esteve impedido de representar a selecção 2 anos, porque entretanto a federação internacional apertou as regras de uso de naturalizados e criou um período de nojo.

        1. “Dissidente” é termo pejado de adesão àquele espectro de ditaduras, caramba. As federações internacionis – como digo acima – têm tentado algum controlo nestas coisas, e vão variando nos regulamentos (consoante o desporto). Mas em última análise deveríamos convocar as nossas federações para práticas de inclusão que não sejam as desta clubização das selecções.

      2. Também tivemos o Francis Obikwelu e ninguém levantou na altura estas idiotices de agora que me lembre. Será o problema de Pedro Pichardo ser um atleta de ouro que vai fazer sombra ao Nelson Évora.

        1. Ninguém na altura levantou idiotices sobre a naturalização do Obikwelu (excepto alguns “puristas” mas idiotas desses haverá sempre) porque o Chico já cá vivia há sete anos quando se naturalizou (seis quando tomou essa decisão). Recordo-me de o ver no Mundial de 1999 e, nessa altura, já parecia mais estranho vê-lo correr pela Nigéria do que, dois anos depois, vê-lo correr por Portugal.

        2. No caso do Pichardo o mais relevante é a resmunguice por razões políticas. Mas também vi resmungos (e aplausos) por via do clubismo (o sempre Sporting/Benfica). Mas também concordo, a antipatia entre o “nosso” Évora e o recém-Pichardo não terá ajudado à popularidade deste último.

        3. O Obikwelu é o “típico ” emigrante, ficou por cá, andou nas obras e tudo, decidiu representar Portugal depois de uns anos a viver cá.
          Não andou a decidir entre as melhores propostas.
          Mais uma nota: há muito que algumas pessoas defendem 2 recordes nacionais, um para nacionais e outro para naturalizados. Os mesmos que sempre criticaram as medalhas de importação. Claro que só agora, por clubite ignorante, esses indivíduos são “racistas”. Ou aziados como se diz na néte.

  3. A naturalização do Deco deu celeuma. Alguns jogadores até veladamente ameaçaram boicotar a selecção.
    Racismos à parte, é algo hipócrita andarmos a desdenhar a selecção cazaque de futsal cheia de brazucas, a de corta-mato turca cheia de quenianos, as vitórias dos sprinters espanhóis sul-americanos, e depois aplaudir o Pichardo.
    Falta muita autocrítica e discutir problemas no abstracto e não focado num caso específico.
    Esta naturalização do Pichardo devia era levantar a questão da nacionalidade de miúdos emigrantes que provavelmente quererão ser portugueses e não conseguem.
    Ps
    O Armand Duplantis é um sueco nascido e criado nos states, o Jacobs um italo-americano nascido no Texas mas criado em Itália, a Hassan uma refugiada etíope.

    1. V. tem razão em termos gerais, e também por consigo concordar em deixei que os limites destas inclusões de ex-estrangeiros tem limites que são fluidos.

      Já a naturalização apressada do Pichardo teve, decerto, esse fito, o da campionite, e tem como contraposição as dificuldades de outros nada campeões em obterem a nacionalidade – o que também demonstra como a administração pública é sensível a pressões de grupos de interesse [clubes e federações] neste assunto que é bastante sensível. Ainda assim os resmungos actuais com isso oriundos dos PCs e seus compagnons de route têm outras raizes.

      Ainda assim eu faço um distinção (que não poderá ser absoluta) – e tento explicitá-la no postal – entre imigrantes naturalizados que são profissionais desportivos já consagrados e refugiados (como o Pichardo ou, pelo que me diz, a holandesa papa-medalhas ida da Etiópia).

      E V. lembra bem o caso do Deco. Se não estou em erro chegou a anunciar a disponibilidade para jogar na sua selecção, esperou a convocatória, ela não veio e então optou por jogar na portuguesa. Eu não o critico (nem aos outros) mas as opções de representação nacional deveriam afastar-se desta “clubização” das selecções.

  4. Subscrevo inteiramente o seu postal.
    É uma canseira tamanha aturar este pessoal que se diz de esquerda, mas não pratica. Insuportáveis.

  5. jpt (não anónimo por ter blogue) gosta de lançar confusão e atira com ‘um comunista da RTP’, não se trata de nenhuma variante covid, mas como é que sabe isso? Depois resolve considerar-se um esquisito geriátrico franquista e atira ‘patrioteirismo racista não está só nessa gente “roja” ‘. O que é isto de gente “roja” ser patrioteira racista?
    Repare nos atletas americanos, nomeadamente os da prova dos 100 metros, que me lembre desde os JOs de 1936, têm sido sempre ao que chamam afro-americanos, não sei se alguma vez apareceu na formação dos USA algum atleta índio, o quer dizer que todos os atletas americanos são qualquer coisa-americanos.
    Agora a Patricia Mamona, Pedro Pichardo, as outras atletas de origem africana que chatice e tal. Então o Jorge Fonseca cabo-verdiano, e outras judocas cubana e brasileira, e a senhora brasileira do hipismo?
    jpt (não é anónimo por ter blogue) tanta partícula de realce para nada. Os leitores deste “Delírio de Opinião” sabem que tudo isto é por causa de cubano Pedro Pichardo que fugiu a nado ou numa balsa e merece um tratamento especial e rápido de naturalização para nos dar medalhas de ouro (o que ele aprendeu por cá em tão pouco tempo).
    Por mim, e como diria o outro, deixem o Pichardo em paz.

    1. Oh lindo, antes de haver América já havia lá “afros” (pretos, negros, escuros, menos claros, mistos, mulatos, o que tu quiseres) ou será que é proibido haver cubanos brancos, ou não escuros?
      Vê lá bem o que isto é: proibido na pátria da “liberdade ou morte “.
      Ah, outra coisita, já viste que os chineses campeões são todos campeões chineses? Bando de racistas, e não só eles.

    2. Como é sabido os blogs perderam alguma da atracção que tiveram quando surgiram já há cerca de duas décadas, e muitos dos bloguistas e leitores transitaram para outras plataformas. E também por isso é sempre agradável perceber que se está diante de novos visitantes, gente sem experiência veterana na leitura de blogs. Parece-me ser o seu caso e seja bem-vindo. E parece-me porque V. insiste – em registo de pirraça, ainda por cima – numa questão que é quase tão velha como os blogs, que foi discutida ene vezes alhures e também aqui, e é notório que V. nunca acompanhou. Pois nesta questão do anonimato V. vem insistindo – e, pelo tal desconhecimento, com total despropósito – nessa sua pirraça do “não anónimo porque tem um blog”, como efeito de algo que eu lhe respondi há tempos (ou que V. leu de mim em resposta a algum outro anónimo que me cutucava sobre essa questão). Isto é tudo muito simples, e se V. não tivesse uma predisposição aziaga logo teria compreendido: eu nunca disse que não sou anónimo “porque tenho/escrevo (n)um blog” mas sim que estou identificado no blog. E isso é completamente diferente. Sou um cidadão vulgar, mas por isso não sou um “cidadão anónimo” como costuma dizer alguma má imprensa. E identico-me quando falo com outrem ou quando opino em público (seja ao vivo, numa qualquer mesa de café ou similar, seja em blogs ou redes sociais ou outros recantos da internet). V. pode não considerar isso relevante, está no seu direito. Mas pode associar esse seu exercício do opinar em anonimato com outra coisa, a de perceber que suporte é que está a utilizar. E se assim for poderá deixar cair essa pirraça que é anacrónica (porque é tema imensamente discutido) e até ridícula (porque mostra que não domina este suporte tão fácil de manusear). Eu explico-lhe mais detalhadamente: não sei se V. lê o DO (e os outros blogs) em telefone, tabuleta ou computador. A configuração com que o blog surge (o seu visual) é um pouco diferente conforme o modo de acesso. Por isso depende do instrumento que usa onde encontra um conjunto de informações. Tem o rol de autores do DO aposto, que surge na coluna da direita (paralela aos textos). Ou no sopé do blog (típico nos telefones). Nessa coluna V. pode clicar no nome de cada autor e aceder à selecção dos postais que esse bloguista aqui deixou. E logo à frente pode aceder ao “perfil” de cada um, com a identificação de cada um.. Os elementos que aí deixei parecem-me mais do que suficientes para que não seja eu confundido com outro qualquer cidadão vulgar. Se V. insistir na atitude pretensamente confrontacional (mas que de facto é apenas a tal pirraça, anacrónica e um bocadinho apatetada) poderá ainda resmungar sobre porque assino eu os postais apenas com as minhas iniciais. Eu poderia dizer que é uma opção minha, que a ninguém fere. Mas ainda assim explico-lhe: nem sequer é uma originalidade, nos primórdios dos blogs era isso muito costume no corpo dos textos – estando os autores (em blogs individuais ou colectivos) identicados ou numa linha do topo dos blogs (como era o caso do meu blog individual) ou no topo da coluna da direita (as então célebres “colunas de links”). E alguns dos meus bloguistas preferidos também assim assinavam os postasi (em particular o jcd [João Caetano Dias] e o hmbf [Henrique Manuel Bento Fialho]) para além de imensos outros.

      Então, e depois desta longa e pausada explicação, a ver se V. compreende, deixe-se lá dessa pirraçazinha. Proteste, conteste, resmungue, faça o que quiser. Mas entenda que quando vem com esse renhanha tudo o que depois escreve perde qualquer pertinência (de facto nem leio, encolho os ombros num “lá vem estee outra vez”). Volte sempre, saudações.

      1. Ena, ena, nem ultrapassou os dígitos que é dada noutra explicação.
        O anónimo escreve debaixo do anonimato com medo de convites para duelos da defesa da honra, se as armas escolhidas forem sabres.

        1. Oh lindo estás a falar para mim ?
          Alexandre Soares, Marco de Canaveses, terra do mata e queima. Traz as armas que conseguires, e não te preocupes com o regresso a casa, cá até as cinzas de merda aproveitam aos solos.
          Boa viagem, e faz cuidado com as curvas, com as esquinas e com as costas, pois nunca sabemos de onde elas podem cair.
          Até já riqueza valente.

      2. ’tá bem, ‘jpt’ chega para não ser anónimo.
        Voltando ao ‘um comunista da RTP chame “desertor”….’
        Não sei se jpt trata nos seus escritos os jornalistas da RTP pela ligação/votante/simpatia/apoiante
        partidário, que com certeza saberá qual é ou desconfia por as notícias que divulga.
        Comunistas, socialistas, sociais-democratas e democratas cristãos serão alguns jornalistas da RTP, não poderiam ser outra coisa numa estação de tv estatal, nunca poderia haver um liberal a trabalhar na RTP por razões de saúde mental. Aliás um liberal não é trabalhador por conta de outrem, quando muito colaborar como agora se usa para disfarçar o recibo verde.
        Por isso é desnecessária a indicação partidária quando é referido um jornalista da RTP, que liberal sabemos todos que não é, nem na RTP nem noutra qualquer empresa a não ser sua accionista.

  6. Que a guerra entre deserções e dissidências continua bem viva, tivemos prova bem recente no caso da atleta bielorrusa que quase ia sendo raptada pelos seus e acabou pedindo asilo à Polónia. E se bem que os extremos tocam-se, também é certo que há matizes diferentes no lidar com os opositores quando observamos o expectro político: de um lado é mais frequente ter de se fazer face à expulsão; na outra ponta, a fuga parece ser a única via possível.

    Quanto à nossa representação, há que reconhecer que o número de atletas naturalizados (ou descendentes de imigrantes) é significativa, por comparação com olimpíadas anteriores. Acaba por obrigar a um auto-questionamento, quase sempre incómodo, sobre os conceitos que guardamos de nação e nacionalidade. Muitos ainda estarão fixados num Portugal como país de emigração, e no ouvir falar do êxito de atletas com nomes ou apelidos portugueses que concorrem por outros países (como o karateca Steven da Costa). Outros estarão mais conscientes do papel de acolhimento que Portugal também tem tido, mas muito dentro da realidade dos PALOP, a que se juntou mais recentemente o Brasil. Agora, assistir à prestação de atletas de origem chinesa, cubana, etc, sob as cores da nossa bandeira causa a alguns espanto certo. Que pode traduzir-se em alguns resmungos enquanto as coisas correm bem; mas que pode virar para algo bem mais nefasto quando as coisas correm mal (veja-se as reações na Inglaterra à derrota da sua selecção na final do último Euro de futebol).

  7. Quanto às “contratações”, é bom lembrar que há cargos (e tachos) em jogo, bem como avultadas quantias de dinheiro. Quanto melhores forem os resultados, mais seguras ficam as cadeiras e mais pilim chove para atletas e dirigentes. Comparada com o dopping, a batota dos vistos parece (quase) inofensiva.

  8. Também acho imensa piada toda a gente andar aí a falar dos “racistas” (pressuponho que se refiram aos mecânicos e a barbeiros caucasianos) quando ainda não viram o racismo sanguinário de que os africanos, os indianos e os asiáticos são capazes e — notem bem — esta gente é muito menos instruída e tolerante do que os europeus facilmente incendiável por religiões e chefes tribais. Portanto toda a linguagem e toda a estrutura social e política “anti-racista” que se está a instalar para destruir a Europa devia ser por e simplesmente eliminada do dia para a noite — o que implicaria que esses Marcelos de Sousas e os Mamadus que andam por aí voltaressem todos no dia a seguir para os buracos de onde saíram. Porque eles não são os melhores, são os piores.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *