O Diário de Notícias titula isto na sua primeira página de hoje e é um sinal dos tempos que eu, numa primeira olhada rápida, tenha lido encobrimento em vez de incumprimento sem que isso me parecesse estranho.
12 comentários em “Encobrimento”
Um processo de legiferação afinal e taxativamente irrelevante, em qualquer caso de forma desproporcional nas mãos do poder executivo e com estabilidade na melhor hipótese quinzenal; a ameaça da prisão invocada por dá cá aquela palha, desde que sobre o cidadão fraco e por sua natureza obediente à lei (“fortes com os fracos…”); uma comunicação social para lá de domesticada, de obediência acrítica e abjecta; um verdadeiro passaporte interno – o famoso certificado digital Covid, esse nunca suficientemente louvado cume do génio socialista português na presidência do conselho da UE – que afinal nem como tal, nem interno nem externo, é aceite. Ou é e deixa de ser, em função do insindicável humor governamental do momento. O povo levado contínua, metódica e incessantemente ao medo, à obediência incondicional. Porque sim. Tudo sobre a égide de um querido líder que inundando com a sua salvífica e preclara imagem os noticiários televisivos e embora vacinado, mascarado, devidamente afastado e testado – e “negativo” nesse teste – se retira em isolamento dito “profiláctico” (mas anuncia manter toda a sua actividade governativa, claro!), não se percebe se em magnífico e abnegado exemplo de sacrifício pessoal e a Bem da Nação, se como pretexto para não ser incomodado, pelos poucos que ainda o ousam, a pretexto da actuação da sua gente, se como demonstração exuberante da fundamental inutilidade da estratégia – enfim, do que quer que isso seja – cuja materialização tem chefiado há um ano e meio. Ou tudo isso. Há uns tempos isto seria a caracterização básica de um estado já para além do autoritário. Mal escondendo ambições totalitárias. Mas por estes tempos parece que se lhe deve chamar progressista, solidário e inclusivo. Tudo coisas boas.
A comunicação social não está domesticada – está amancebada. Domesticado parece estar Rio. Costa (o António) não se isolou profilacticamente por causa do virus – isolou-se profilacticamente de Cabrita. E pormenores como “legalidade” ou “constituição” são para alguns, quando na oposição, mandamentos escritos em pedra – e, quando no poder, vagos preceitos gerais passíveis de interpretação caso-a-caso.
Terá seguramente razão quanto à comunicação social. E quanto a Rio. Quanto a António Luis, estamos plenamente de acordo. Veja que escrevo, e admito que tenha falhado na clareza (e a dúvida que lá invoco é, creia, meramente retórica), que o homem procurou pretexto para não ser incomodado.
Sim, eu percebi e, creia, não falhou na clareza. Eu apenas preferi apontar explicitamente para um gentio, da sua (dele) gente, em particular. Pode ser que, se suficientes pessoas lhe apontarem o dedo (indicador ou médio, tanto me faz), Marcelo diga a Costa haver limites para a desfaçatez.
Olhe que a água já está mesmo muito quente… Agora percebo como foram possíveis os totalitarismos dos anos 30. Aos poucos, passo a passo, as pessoas deixam-se enganar. E algumas aplaudem. Tudo em nome de um bem maior.
Menina retirada à mãe por militares da GNR após recusar utilizar máscara na escola https://www.cmjornal.pt/sociedade/detalhe/menina-retirada-a-mae-por-militares-da-gnr-apos-se-recusar-utilizar-mascara-na-escola
“RECOLHER À NOITE NÃO É OBRIGATÓRIO E INCUMPRIMENTO PODE DAR PRISÃO “ Pois olhe! Parece estranho, mas isto é que devia ser o título do Diário de Notícias.
Estive a ler a notícia do DN sobre o assunto. As contorções semânticas de que juristas, constitucionalistas e outros istas que tais são capazes fazem-me asco.
Um processo de legiferação afinal e taxativamente irrelevante, em qualquer caso de forma desproporcional nas mãos do poder executivo e com estabilidade na melhor hipótese quinzenal; a ameaça da prisão invocada por dá cá aquela palha, desde que sobre o cidadão fraco e por sua natureza obediente à lei (“fortes com os fracos…”); uma comunicação social para lá de domesticada, de obediência acrítica e abjecta; um verdadeiro passaporte interno – o famoso certificado digital Covid, esse nunca suficientemente louvado cume do génio socialista português na presidência do conselho da UE – que afinal nem como tal, nem interno nem externo, é aceite. Ou é e deixa de ser, em função do insindicável humor governamental do momento. O povo levado contínua, metódica e incessantemente ao medo, à obediência incondicional. Porque sim.
Tudo sobre a égide de um querido líder que inundando com a sua salvífica e preclara imagem os noticiários televisivos e embora vacinado, mascarado, devidamente afastado e testado – e “negativo” nesse teste – se retira em isolamento dito “profiláctico” (mas anuncia manter toda a sua actividade governativa, claro!), não se percebe se em magnífico e abnegado exemplo de sacrifício pessoal e a Bem da Nação, se como pretexto para não ser incomodado, pelos poucos que ainda o ousam, a pretexto da actuação da sua gente, se como demonstração exuberante da fundamental inutilidade da estratégia – enfim, do que quer que isso seja – cuja materialização tem chefiado há um ano e meio. Ou tudo isso.
Há uns tempos isto seria a caracterização básica de um estado já para além do autoritário. Mal escondendo ambições totalitárias. Mas por estes tempos parece que se lhe deve chamar progressista, solidário e inclusivo. Tudo coisas boas.
A comunicação social não está domesticada – está amancebada. Domesticado parece estar Rio. Costa (o António) não se isolou profilacticamente por causa do virus – isolou-se profilacticamente de Cabrita. E pormenores como “legalidade” ou “constituição” são para alguns, quando na oposição, mandamentos escritos em pedra – e, quando no poder, vagos preceitos gerais passíveis de interpretação caso-a-caso.
Terá seguramente razão quanto à comunicação social. E quanto a Rio. Quanto a António Luis, estamos plenamente de acordo. Veja que escrevo, e admito que tenha falhado na clareza (e a dúvida que lá invoco é, creia, meramente retórica), que o homem procurou pretexto para não ser incomodado.
Sim, eu percebi e, creia, não falhou na clareza. Eu apenas preferi apontar explicitamente para um gentio, da sua (dele) gente, em particular. Pode ser que, se suficientes pessoas lhe apontarem o dedo (indicador ou médio, tanto me faz), Marcelo diga a Costa haver limites para a desfaçatez.
É proibido cobrir à noite?
Já duvidei mais de que lá chegaremos…
Esperemos não acontecer como ao sapo da anedota que se vai deixando cozer aos poucos sem o perceber.
Olhe que a água já está mesmo muito quente…
Agora percebo como foram possíveis os totalitarismos dos anos 30. Aos poucos, passo a passo, as pessoas deixam-se enganar. E algumas aplaudem. Tudo em nome de um bem maior.
Menina retirada à mãe por militares da GNR após recusar utilizar máscara na escola e/menina-retirada-a-mae-por-militares-da-g nr-apos-se-recusar-utilizar-mascara-na-e scola
https://www.cmjornal.pt/sociedade/detalh
Tivesse a miúda espancado um(a) colega na escola e colocado o vídeo no Facebook, nada disso teria acontecido.
“RECOLHER À NOITE NÃO É OBRIGATÓRIO
E INCUMPRIMENTO PODE DAR PRISÃO “
Pois olhe! Parece estranho, mas isto é que devia ser o título do Diário de Notícias.
Estive a ler a notícia do DN sobre o assunto. As contorções semânticas de que juristas, constitucionalistas e outros istas que tais são capazes fazem-me asco.