A blogosfera permite a reacção instantânea. Leio uma notícia, vejo um programa de televisão, e zás!, em vez de fazer um comentário apressado à minha reduzida assistência, escrevo um post de meia dúzia de linhas sobre o assunto. Todos dizemos disparates, nessas primeiras reacções infundadas e a quente. A coisa passa, porque não pensamos mais no assunto, ou porque a informação que depois obtemos nos leva à auto-correcção.
Agora mesmo, eu ia fazer precisamente o mesmo que o Miguel Marujo aqui fez, ao ler a notícia sobre alterações da Igreja Católica com respeito aos matrimónios. Ainda bem que não o fiz. Na verdade, ia escrever exactamente o que o Miguel escreveu, numa fúria que me dá com frequência, sem saber que a notícia foge, por assim dizer, um bom bocado à verdade. Os comentários ao post do Miguel explicam que, mais uma vez, a nossa comunicação social se entretém a tresler um documento da Igreja, induzindo os leitores em erro.

Começa a ser cansativo descortinar que as notícias sobre a Igreja católica sejam tantas vezes superficiais e enganosas.
E não serão todas, João?
Estou tentado a dar-lhe razão. Não são todas, mas as excepções estão a deixar de ser regra – apenas a confirmam.
Infelizmente, o rigor deixou de fazer parte das regras do jornalismo. Não vende!
Bom post. Não deveria ter sentido nenhum fazer um post como este, mas é bom que haja rigoroso neste caso.
Declaração de interesses: sou católico e sacerdote da igreja católica.
Não tenho problema em conviver com a pluralidade de opiniões sobre tudo e também sobre “assuntos internos” da comunidade de fé a que pertenço.
Mas tenho dificuldade em perceber estas notícias do ionline (de manhã eram pelo menos duas). Vi o título, fui ler
eram óbvios os erros (confusão entre “católicos” e “baptizados”; diáconos a “celebrar” missa…)
Uma ida rápida ao google, a consulta do site do vaticano permite perceber do que se trata: umas alterações menores ao código de direito canónico.
O que eu não percebo é como é que um (ou mais jornalistas) assinam as peças, um editor aprova aquilo. Aquilo não se refere apenas ao erros factuais mas também à sobreposição entre notícia e opinião.
A sério que gostava de perceber como é que isto se faz.
É só estupidez e ignorância?
Desculpem se as expressões são muito fortes; mas as questões em apreço são muito básicas; não se trata de uma tese teológica arrevezada que exija um mestrado e não sei quantos cursos de línguas exóticas.
Eu também ia reagir a quente, Ana Margarida (embora cada vez mais me apeteça começar um post, baseado em notícias publicadas, pela frase “a ser verdade…”). Salvaste-me.
a expressão da Ana Vidal resume isto tudo: para a próxima, é incluir a expressão “a ser verdade”. é que disparate escrito ou dito fundamentado em fonte disparatada é só disparate maior.
Nestas situações, em que é possível (e portanto exigível) um mínimo de investigação dos factos, qualquer uso da condição “a ser verdade” por forma a legitimar uma reacção a quente não deixaria de ser perverso (e condenável): no reino do soundbyte, equivaleria a assinar por baixo do que o jornalista escreveu. No pouco tempo em que as duas notícias do “i” sobre esta alteração ao Código Canónico estiveram no site do jornal, uma dezena de blogues comentou as notícias condenando a atitude da Igreja. É só imaginar o número de leitores do “i” e dos blogues que só lêem as parangonas para perceber a importância de uma reacção ponderada…