Três semanas depois do “rigoroso inquérito” mandado instaurar pelo ministro da Administração Interna aos distúrbios ocorridos no dia em que o Sporting se sagrou campeão nacional de futebol, alguém faz a mais remota ideia acerca disto? Qual o ponto da situação? Ainda não apuraram nada? Estão à espera que passe mais quanto tempo?
E o ministro, o que tem a dizer a isto? Terá mesmo alguma coisa a dizer?

Já diziam no Sim, Sr Ministro, a melhor maneira de enterrar um problema é abrir uma comissão de inquérito (lost in translation)
Sir Humphrey faria sucesso no Governo português. Onde estaria rodeado de almas gémeas.
Para começar não havia muito para inquirir. Os ajuntamentos foram à vista de todos e os responsáveis do governo e da administração interna são conhecidos. Sé se estão a preparar um inquérito para provar que a culpa foi do leão do marquês.
Mais um motivo para estranhar tanta demora.
Se o ridículo e a cara-de-pau matassem …
Neste caso não matam nem moem.
Todos vimos na televisão a PSP a fazer uma barragem “stop” à GNR em Évora e depois, uma escolta dupla e mista de motos e carros com as primeiras vacinas a caminho do Algarve.
Eram conhecidos os comandos das duas polícias e as respectivas competências territoriais. Tal como no Sporting, várias entidade poderiam (deveriam?) ter previsto o disparate de pôr a GNR a escoltar até a uma cidade, aí entregar a escolta à PSP, e voltar a retomar a escolta à saída da cidade. No entanto foi o que se fez e continuou a fazer, até em provas de ciclismo.
O inquérito foi hoje ou ontem arquivado.
Parece-me razoável esperar uns meses pelo arquivamento do inquérito do Sporting. Afinal quem pode saber por quantas secretarias, serviços, delegações, etc., tem o inquérito por passar, ser registado e carimbado, quanto tempo é necessário para ouvir e auscultar, desde sindicatos a observatórios, ligas, partidos etc., antes de ser arquivado.
As pessoas terão o direito a ser informadas da decisão em “devido tempo”. É uma das fórmulas habituais: publique-se e arquive-se.
P.S. – Neste caso particular do Sporting, é possível que seja mais rápido porque o “devido tempo” – que é quando o assunto já está esquecido – terá sido adiantado com a final da “Champions”.
O senhor ministro da Administração Interna é o “escudo protector” do senhor primeiro-ministro e em última instância do próprio governo: leva com todas as pedras. Imprescindível para o Verão que se aproxima: será o bode expiatório ideal se a época de fogos se revelar desastrosa. Faz-me lembrar uma personagem de “Uma louca história do mundo” do Mel Brooks: “o moço do balde das mijas” em Versalhes, trabalho ingrato, sósia do rei, foi ele que acabou na guilhotina… Sir Humphrey era um zeloso e competente funcionário público, nunca aceitaria fazer parte deste governo. O rigoroso inquérito será entregue por D. Sebastião.