Neste meu postal, eu referi um grupo do Facebook onde mulheres partilham os seus relatos de assédio. Desses relatos nasceu um blogue, por iniciativa de Maria José Carrilho, cronista da Capital Mag. O blogue Resgate é uma «recolha de testemunhos de mulheres e homens que sofreram de assédio ao longo das suas vidas». Sim, também se aceitam depoimentos de homens, embora ainda não tenha surgido nenhum, o que não deixa de me surpreender. Quando se fala de assédio, há logo homens a reclamar que não são só as mulheres a sofrê-lo. Pois agora também eles têm oportunidade de o provar, através do mail do blogue, na barra lateral.
A melhor forma de desencorajar os prevaricadores é acender a luz. Eles preferem o escuro. O silêncio e/ou resolver estes assuntos “em privado” só contribui para a continuação da prática.
Desejo muito sucesso ao Resgate, a minha escolha para blogue da semana.

“Sim, também se aceitam depoimentos de homens, embora ainda não tenha surgido nenhum, o que não deixa de me surpreender.”
A Cristina ofende os homens portugueses, quando os diminui, dando a entender implicitamente que um verdadeiro homem não chora e se faz questão de chorar então não é um homem ou seja os que aparecem a depor para si não são homens são outra coisa qualquer.
Por vergonha sou anónimo!
Acho que entendeu ao contrário, caro anónimo.
Ora leia bem a frase!
Mais uma idiotice de género que mistura jogos infantis de aprendizagem sexual, com abusos de efectivo assédio, de adultos sobre crianças, de poder em meio profissional.
Desde que falar em ‘moral’ e ‘boa educação’ é suspeito de ser discriminatório, temos tudo reduzido a discutir poder/domínio, como se tal fosse algo de extinguível!!!.
Mais pulsão/domínio (poder).
São relatos impressionantes que de alguma forma todos conhecemos, mulheres e homens, desde a nojice de passar por uma obra a ter que fazer o dobro do percurso para não ouvir, aos apalpões à socapa na escola, na rua, no autocarro cheio, e a culpa. Uma culpa desnecessária carregada durante muito tempo. Obrigada, Cristina por esta partilha.
Bjs
De nada, Alice.
Beijinhos
Cara Alice Alfazema, ao mencionar «desde a nojice de passar por uma obra a ter que fazer o dobro do percurso para não ouvir» despertou em mim, a minha experiência com essa “peculiaridade” bem tuga: numa das poucas vezes que fui a Portugal de férias, durante uma semana, sempre que saía do prédio onde residia a minha irmã, a minha esposa, asiática, era alvo de todo o tipo de “piropos” (ou brejeirices ordinárias e racistas) mesmo ao meu lado. Claro, por ela, todo aquele espectáculo era entendido como muito semelhante ao que ela tinha assistido no Zoológico, não muito distante dali, num desses dias, quando os macacos pulavam enlouquecidos, a grunhirem, perante a presença de humanos: é que, na verdade, ela até não entende nada de português!
Onde ela se apercebeu do que era aquele espectáculo diário, foi quando saímos com a minha irmã – uma loura – e os “primatas”, para além das suas habituais vocalizações ordinárias, passaram a gestos que, para a minha irmã até eram o normal, diariamente.
Quando a confrontei com o facto de aturar aquilo diariamente, acabei por descobrir que ela até já tinha ido à polícia algumas vezes apresentar queixa mas que acabara por sair de lá ainda mais humilhada porque, numa das vezes, um dos polícias até sugeriu que a culpa era dela por ela ser “espampanante”.
Boa analogia, realmente não anda lá muito longe das macaquices. Isso que conta sobre o que se passou com a sua irmã, dá-nos uma perspetiva do porquê de tanta gente calar-se sobre o assunto.
E já que o António Vaz estava “mesmo ao lado” de uma numas vezes e saíu também com a outra senhora de outra vez conte lá o que é que fez para impôr alguma ordem no pagode pois pelo que li fechou-se em copas e seguiu a sua vidinha com o rabinho entre as pernas (e ainda chateou a sua irmã porque não fazia o que você também não fez).
Conversa da treta a sua, muita excitação mas nem à bardacaca mandou os tais “primatas”, Isto é também típicamente “bem tuga”: agarrem-me senão eu mato-os e ninguém o agarra nem ele mata quem que seja.
E que pode um homem sozinho fazer perante uma cambada de trolhas?
Está sempre a aconselhar os outros a lerem o que escreveu e agora só leu o que lhe convinha (ou só responde ao que lhe convém).
O António Vaz ouve a “cambada de trolhas” (bonita expressão…) a meter-se com a mulher e a irmã, finge que não está a acontecer nada porque a mulher não percebeu, chateia a irmã porque não se mexe em vez de ser testemunha dela e ele é que tem razão, é isso?
São situações por que passei com as mulheres cá de casa muitas vezes (são muitas mulheres) e não me lembro de ter ficado calado nenhuma vez (nem elas aliàs) e umas vezes “perdi” e outras “ganhei”: dizer que são uns “cobardolas” e depois “ficarmo-nos” diz tudo sobre nós.
Tenho o carro numa garagem em frente a um liceu de Lisboa numa rua estreita e, por azar,
a hora a que tenho que o ír buscar coincide com aquela meia-hora da saída das aulas para o almoço e garanto-lhe que elas são muito piores que eles quando se trata de mandar “bocas” aos transeuntes (já nem falo entre eles).
Como o meu carro é “vistoso” sem ser “espampanante” já várias vezes tive que parar porque me batem no carro para me dizerem coisas do género de “ganda carro, é pena seres um velho” (tenho 70 anos).
Em compensação, com a minha mulher nunca nenhum rapaz se meteu quando é ela a saír.
Ora eu acho isto tudo normalíssimo, o que não o é são as “calimerizações” constantes e tantas vezes perigosas porque os “coitadinhos” só prejudicam as lutas dos “coitados” de facto.
Como disse Carlos Saura “são os filhos que nos puxam para a realidade”.
E eu agora acrescento “… e os netos” pois tenho filhas e filhos entre os 45 e os 50 e netas e netos entre os 15 e os 20.
Não vivo em nenhuma “bolha” no que respeita ao mundo real que me cerca em termos de relações humanas “mulher-homem” do dia-a-dia no Portugal de 2021.
Caro anónimo, cada um sabe de si e o que tem a fazer, em determinadas circunstâncias. E, em vez de criticar o comportamento de quem supostamente não fez nada, devia criticar o de quem não respeita a dignidade dos outros (incluindo as moças que lhe batem no carro).
Ser Homem com H grande!!
Vá à saída de uma escola (pública de preferência) e siga o linguajar deles e delas com f* e demais obscenidades a comporem frases vulgares,
Se encontrar adultos a reagir a tal falta de educação será algo de excepcional.
Os trolhas já não se destacam no quadro geral!
Joguei futebol num clube da antiga 3 divisão e quando ia tomar banho no final do treino para o balneário os meus colegas ficavam a olhar para mim, nunca aconteceu nada mas eu sentia o desejo deles nos seus olhares. Ainda hoje por vezes me custa a entrar na minha própria casa de banho.
Carlos Miranda
agora também eles têm oportunidade de o provar
Um relato não prova nada. Qualquer relato pode ser uma falsidade.
Não há nada como o flagrante delito! Balio que tal pôr-se a jeito!
Rita Santos
O Homem é sempre mais vitima perante a sociedade porque a vergonha é maior: de ser apanhado ou de apanhar. Seja assédio, agressão, violação ou homicídio.
Muito obrigada, Cristina.
Temos o dever, pelo menos eu assim o sinto, de resgatar o silêncio de toda a nossa ancestralidade pela voz das mulheres e homens do presente que continuam a viver sob o chapéu dessa toxicidade sobre o nosso corpo. Temos que rebentar o elo dessa cadeia de comportamentos patológicos para que deixem de se perpetuar. Claro que nunca irão desaparecer os predadores pois eles fazem parte da condição humana. Não podemos é aceitar isso como normal, aceitável. Seria o mesmo que aceitar que roubar uma carteira ou assaltar uma casa não tem qualquer problema. Por que as pessoas não veem sob o mesmo ângulo, abuso, um comportamento sob o corpo do outro?
Um grande abraço
#estamosjuntas
De nada, Maria José.
Um abraço.
Esta miséria que se ouve seria muito simples de evitar até… -era haver mais um pouco de formação e cultura no ser humano, tanto feminino como masculino, que lhes abrisse o cérebro para conseguirem perceber que somos todos do mesmo mundo, que o mundo é de todos e que temos que respeitar o nosso semelhante, se quisermos ser respeitados…
Era só isto e pronto.
Por razões de trabalho tenho estado muito ausente aqui. Este foi um dos posts que perdi quando foi publicado. Leio-o agora e mais uma vez o que me ocorre dizer é: obrigada, Cristina! Não conhecia o Resgate, nem a Capital Meg. Vou passar a segui-los.
Beijinho, Teresa.

Sou eu, claro, desculpa.