
Vi ontem a final da Liga dos Campeões, na qual o Chelsea defrontou uma equipa fortemente influenciada pela escola holandesa de posse de bola e jogo pelos flancos. Apesar de o Chelsea ter algumas das maiores estrelas do futebol mundial, acabou por perder o jogo por 4-0, resultado que já se encontrava ao intervalo e acabou por dar a vitória ao Barcelona.
Barcelona? Ontem? Liga dos Campeões? Sim. Como é óbvio, não falo da final da Liga dos Campeões masculina entre Chelsea e Machester City, que o Porto irá acolher a 29 de Maio, mas da final feminina, que teve lugar ontem em Gotemburgo.
Não sou alguém que siga muito o futebol feminino, em grande parte porque são raros os jogos transmitidos na televisão. Mas quando posso tento vê-los. São bem disputados, mais abertos que os jogos masculinos e com uma competitividade e qualidade que aumenta de ano para ano. Não é um desporto com nomes como Messi, Ronaldo, Mbappé ou Haaland, mas tem Harder, Kerr, Miedema, Bronze (inglesa de pai português), Henry, Renard ou Marozsán. No jogo de ontem apaixonei-me pelo futebol de Alexia Putellas e Martens (ambas do Barcelona).
Por curiosidade fui ver qual o prémio monetário para o Barcelona pelo feito: 460 mil euros. O prémio para quem vença a final no dia 29? 19 milhões de euros. Cerca de 41 vezes mais. Em França, em 2018, o orçamento da Liga masculina era de 1.900 milhões de Euros. O da liga feminina 19 milhões. Um rácio de 100 para 1. Será que o futebol masculino é 100 vezes melhor? Ou sequer 40 vezes? Será sequer 10 vezes melhor como a diferença de prémio monetário entre a França (vencedora do Campeonato do Mundo masculino de 2018, 38 milhões de dólares) e os EUA (vencedoras do Campeonato do Mundo feminino de 2019, 4 milhões de dólares) indicaria?
Certamente que não. Não é uma questão de ser essa a minha opinião, é uma questão de realidade. A audiência do Mundial feminino de 2019 foi de quase mil milhões pela televisão e quase 500 milhões por outras plataformas. No masculino foi de cerca de 3,5 mil milhões, ou pouco mais do dobro. Será então justo que as mulheres sejam pagas tão pouco e joguem em condições bastante piores que os homens quando estão a fazer o mesmo trabalho?
O argumento contra a paridade de pagamento é o habitual: não geram as mesmas receitas. No entanto este é um argumento falso porque incluí um círculo vicioso: se as mulheres não têm os seus jogos transmitidos, não poderão gerar visibilidade e não atrairão mais receitas. Sem essas receitas não podem desenvolver o jogo e ficam presas às condições em que jogam.
E para que não se pense que isto é nada, as mulheres frequentemente jogam nos campos de treino das equipas masculinas, equipam-se com roupas e calçado concebidos para homens, têm de usar equipamento de treino de menor qualidade (o melhor vai para os homens) e quando os clubes lhes oferecem massagistas e médicos, estes são especialistas em – adivinhem – desportistas masculinos e não fazem a menor ideia de como gerir a saúde das profissionais que têm pela frente. Há excepções, como as que o Lyon e o Wolfsburgo iniciaram e vários clubes começam a copiar (em Portugal o Sporting chegou a ter os jogos da sua equipa feminina no Estádio Alvalade XXI, algo muito de louvar, não sei se o continuaram).
Seja como for, é difícil engolir o argumento da falta de receitas quando olho para o que me aparece na televisão. Homens de meia idade que devem ter chutado uma bola pela última vez quando Jimmy Carter era presidente a falar de um desporto que mal compreendem. Tipos gordos a atirarem dardos a uma parede podem receber um total de uns milhões (não contando sponsors) nos torneios oficiais. De snooker nem falo. Baseball ou cricket, que têm interesse limitado (mesmo que com muita gente) no mundo, geram muitos milhões. Que aconteceria se déssemos a mesma visibilidade ao futebol feminino?
Sinceramente não sei porque ninguém o sabe, mas estou em crer que, mesmo que nos restringíssemos à população feminina como alvo, seria possível gerar muito dinheiro em receitas. As mulheres, e aqui vou apenas por conhecimento pessoal, têm muito mais interesse em ver outras mulheres a chutar uma bola do que em ver homens a fazer o mesmo. Isso já daria para aproximar as diferenças de receita e as diferenças salariais. Entretanto, o dinheiro pago a quem represente a selecção nacional do seu país deveria ser o mesmo, quer se trate de um homem ou de uma mulher, dado que a função é exactamente a mesma: representar o país.
Acredito que tudo isto seja possível e que, mesmo que a paridade não seja completamente alcançada (algo que desejo), pelo menos poderíamos diminuir o fosso. Seria justo. O futebol de ontem, uma exibição de enorme classe do Barcelona contra uma equipa de enorme qualidade com a do Chelsea, demonstrou que o futebol feminino pode ser muito mais interessante que o masculino.
PS – nota para dar os parabéns aos meus colegas de blogue sportinguistas. Uma vitória merecedíssima no campeonato nacional e que todos os adeptos do clube devem festejar.

Há que ter em conta que o futebol, como as outras modalidades de exibição, está sujeito à regra “the winner takes it all”. Ou seja, as pessoas desejam sempre ver o melhor dos melhores – raras vezes aceitam quedar-se por um produto de segunda ou terceira qualidade.
Portanto, uma vez que as mulheres tipicamente fazem menos (e menos vistosas) habilidades do que os homens, as pessoas tenderão sempre a preferir ver os homens.
Há desportos (ténis, por exemplo) em que mulheres e homens fazem mais ou menos as mesmas habilidades, lances de igual espetacularidade, e nesses desportos mais facilmente as mulheres ganharão o mesmo que os homens.
mais abertos que os jogos masculinos
O futebol feminino tem duas vantagens sobre o masculino.
A primeira é que tem muito menos faltas, e faltas muito menos graves. O jogo não é constantemente interrompido por faltas, como acontece em muitos jogos masculinos, e o espetador não tem que ver algumas faltas que doem até mesmo a quem as vê.
A segunda é que usualmente as mulheres sabem melhor do que os homens que o objetivo é marcar golo, e não fintar metade da equipa adversária. Enquanto que muitos homens fazem tantas fintas que às tantas nem se percebe que baliza estão a atacar, as mulheres raras vezes ou nunca se perdem com essa falta de objetividade.
Tenho dúvidas que já tenha perdido algum tempo a ver futebol feminino, segui o campeonato do mundo de selecções para apostar e doi de ver a falta de qualidade, são vários degraus abaixo dos jogos da segunda divisão do Perú
Quando eu trabalhava numa universidade americana assistia a todos os jogos da sua equipa de futebol feminino, que era uma das melhores dos EUA. Não assistia aos jogos da equipa de futebol masculino, que era tão má que até doía.
Quando vim para Portugal passei a só ver futebol feminino ocasionalmente, porque raramente é transmitido. Mas vejo sempre que posso.
Nos EUA o futebol feminino é de melhor qualidade do que o masculino porque os homens dotados para desporto preferem ir para beisebol ou futebol americano. As mulheres dotadas para desporto dificilmente praticam esses desportos, que exigem muita força de braços e ombros, e portanto dedicam-se ao futebol europeu.
Porque é que há campeonatos feminino e masculino (separados) de xadrez? O sexo influi na maneira como se joga?
No futebol e outros desportos é claro que influi.
o dinheiro pago a quem represente a selecção nacional do seu país deveria ser o mesmo, quer se trate de um homem ou de uma mulher, dado que a função é exactamente a mesma: representar o país
Não, porque tem que se comparar o custo de oportunidade para uma mulher e para um homem em jogar na seleção nacional.
Um homem que não estivesse a jogar na seleção nacional estaria a jogar num clube onde lhe pagariam um salário enorme. A mulher estaria a receber num clube um salário bem mais baixo.
Os salários nas seleções têm que se alinhar com os salários no setor privado. Da mesma forma que um médico tem que ganhar num hospital público mais ou menos o mesmo que num privado.
“Será que o futebol masculiono é 100 vezes melhor?”, não sei se será, mas que não é 100 mas 1000 vezes mais mafioso que o feminino, não tenho dúviodas que o é, e que o feminino por este andar lá chegará.
Vi no domingo a final da Liga Europeia. O Sporting sagrou-se bi-campeão. Não, não estou a falar de futebol.
Não tive curiosidade de verificar os prémios monetários. Mas adivinha-se facilmente a discrepância.
Porquê esta falta de paridade? Porquê esta injustiça para com outros homens desportistas profissionais?
Blá, blá, blá…
A selecção feminina actual campeã do mundo, perdeu contra putos sub15 do FC Dallas, a Australia quinta no ranking perdeu contra putos sub16 do Newcastle Jets, portanto já muito ganham para a qualidade de espectáculo fornecido, ou em nome da justiça vamos pagar o mesmo e com os mesmos direitos televisivos a final da liga dos campeões e a final dos solteiros casados
A diferença está no dinheiro que o futebol masculino gera. Ou gira.