
(Photograph: Biontech Se Handout/EPA)
Interrompo a ausência dos últimos dias chamando a vossa atenção para três curtas notas, que são ao mesmo tempo evidências do contraste entre a actuação do novo inquilino da Casa Branca face ao seu antecessor, à retórica confrontacional de Pequim e aos abusos que estão a ser cometidos em nome do rule of law na RAE de Hong Kong.
A primeira diz respeito à decisão ontem revelada pela Embaixadora dos Estados Unidos junto da Organização Mundial do Comércio (WTO no acrónimo inglês), Katherine Tai, de que o Presidente Biden deu instruções no sentido da suspensão das protecções da propriedade intelectual, de maneira a que possam ser disponibilizadas para todo o mundo, ricos e pobres, as patentes das vacinas da COVID-19, no que constitui um passo extraordinário no combate à pandemia.
Mas mais do que isso, os EUA não estarão apenas a partilhar patentes e tecnologia. Este é o culminar dos primeiros cem dias de governo do novo presidente, a pérola que brilhou quando se abriu a ostra.
Não sei qual será o efeito prático deste movimento. Estou, todavia, convicto de que este é um sinal muito forte no sentido do desanuviamento da tensão internacional, uma ajuda consistente aos países menos desenvolvidos e a transposição de um discurso inflamado e balofo para acções que podem fazer a diferença, ajudando os EUA a limparem a má imagem internacional deixada por Trump e a sua pandilha de cantinfleiros.
Em sentido oposto, o discurso cada vez mais belicista do mais alto responsável chinês. Pode ser que seja apenas um discurso para dentro e destinado a impressionar os seus fiéis, Taiwan e Hong Kong, em ano de grandes comemorações internas, embora seja difícil acreditar nisso.
A retórica da invencibilidade não é própria de quem defende a paz e uma coexistência pacífica e cooperante com todas as nações e povos do mundo, em especial se for acompanhada daquelas conferências de imprensa surreais dos porta-vozes do MNE chinês, plenas de ameaças e acompanhadas de exibições de força no Mar do Sul da China e no estreito da Formosa.
A forma como Pequim reagiu anteriormente a um simples pedido feito por Camberra de realização de uma investigação independente ao surgimento da COVID-19, que viria depois a permitir no âmbito da OMS/WHO, e o modo como agora suspendeu toda a cooperação com a Austrália a propósito do China-Australia Strategic Economic Dialogue, revela a utilização de dois pesos e duas medidas.
Iguais reacções não surgem quando em causa estão decisões da União Europeia ou dos EUA que colocam em crise interesses chineses, o que mostra como é fácil ser contido com os mais fortes e desabrido com os mais pequenos. Ou como se as razões de segurança nacional, quando seriamente invocadas, e não com uma cortina para outro tipo de actuações à margem do justo e do legal, constituíssem um exclusivo de um qualquer país.
Quando começar a fase da contenção de danos talvez seja tarde para se alterarem os sentimentos que, desgraçadamente, amiúde começam a surgir em diversos países relativamente a tudo que traga a marca identitária chinesa. É mau para a imagem do país, é mau para o seu povo, é mau para o desenvolvimento e o equilíbrio global.
Uma última nota para a decisão proferida pelo District Court de Hong Kong de aplicar penas de prisão a alguns activistas. Isso seria expectável tendo presente a natureza do regime, tudo o que aconteceu nos últimos dois anos e a forma desastrada como as autoridades locais e o Governo central lidaram com o problema.
Cada um fará a sua leitura, alguns apenas aquela que será compatível com os seus interesses pessoais.
Em todo o caso, não deixa de ser preocupante que um tribunal se permita, independentemente de se poder discutir se foi um motim ou não, condenar os arguidos afirmando expressamente que não existe qualquer prova de que os arguidos tenham desempenhado qualquer papel efectivo no tumulto (riot).
Se a isto se somar a dispensa de uma jornalista por colocar perguntas difíceis em conferências de imprensa, começa-se a ter o filme completo da extensão da substituição do rule of law pelo rule by law.

Biden ou qualquer que fosse o presidente não teria outra alternativa que não aprovar a quebra das patentes enquanto durar a pandemia. A Índia soube trabalhar e criar o argumento necessário para que isto acontecesse (1 Bi e 300M são argumentos fortes e uma fortaleza contra a China). O Brasil também fez o mesmo quando enfrentou o problema do HIV. ntre-paises-ricos-e-pobres-pelo-fim-das-p atentes-das-vacinas-13124188.html pos-intensa-discussao-senado-aprova-proj eto-que-quebra-patentes-de-vacinas-remed ios-contra-covid-19-1-24995393
https://www.dn.pt/vida-e-futuro/guerra-e
https://oglobo.globo.com/sociedade/saude/a
Porém Biden é um aluado ao provocar uma aliança militar entre Rússia e China, o que permite a esta última fazer o que com Trump não se atreveu. Até passeiam com sua marinha pela área do Atlântico, a coberto dos russos.
Mas dos feministas civilizacionais é isto que se pode esperar, aumentando também par 750 Bi USD as despesas militares que deveriam ter siso canalizadas para a tão propagada política de saúde aos desfavorecidos que continua sem ver luz ao fundo do túnel.
A política chinesa é fruto das tolices americanas. Hong Kong é a outra face da moeda contra o colonialismo britânico. Não tem volta a dar.
1) Para aumentar a produção de vacinas no mundo, atualmente, quebrar as patentes não tem efeito absolutamente nenhum. Se não há maior produção, não é devido às patentes. Se os EUA quisessem verdadeiramente fazer aumentar a produção e vacinas, o que deveriam fazer seria acabar com as proibições de exportação de componentes que impuseram, e que, essas sim, impedem a produção em muitos outros países.
2) A China não tem retórica belicista. Quando Xi Jinping diz que a China é invencível, não o está a dizer em sentido militar. Ao contrário de outros países, a China nunca agrediu ninguém desde 1978, quando invadiu o Vietname. Desde há 43 anos a China está em paz, salvo algumas escaramuças fronteiriças. O mesmo não se pode dizer da maior parte dos outros países.
Pelo que julgo saber, só haverá seis laboratórios no mundo com capacidade para produzir a vacina da Pfizer e estão todos a produzi-la. Suponho que o mesmo aconteça com a Moderna.
Contrariando o autor do postal, lembro que foi a administração Trump que 2 meses antes da UE e em valor “per capita” 3,5 vezes superior, financiou 4 laboratórios para produzir a vacina. A Moderna, uma simples “start-up” teve o arrojo de construir uma fábrica de raiz ainda antes de ter a vacina.
Portanto, se a minha leitura é correcta, os EUA com garantia da população toda vacinada e que até rejeitaram a Astra-Zeneca, cedendo 40 milhões de vacinas ao Canadá e México o que estão basicamente a fazer é uma ofensiva diplomática no âmbito da guerra comercial com a China mas também fazendo um cheque à Europa já que o Parlamento Europeu tinha chumbado o levantamento de patentes há pouco e agora, muito provavelmente, terá de reverter essa decisão. E, evidentemente, a ideia básica é combater eventuais vantagens dos russos com a Sputnik-5 e dos chineses com as duas que têm mas que sofrem o enorme ónus de só conseguirem vacinar a sua população no final deste ano, mais de 6 meses depois dos EUA.
Nesta questão não há nenhum antagonismo nem nenhuma alteração das políticas de Trump, que iniciou o conflito com a China e subalternizou os interesses da Europa em relação aos da América (Canadá´e México) e da Ásia. De resto o “Buy american” de Biden, no mercado interno americano continuou e ultrapassou o “MAGA” de Trump.
Chamo a atenção para dois pormenores cruciais.
– À primeira vista a questão do levantamento das patentes seria um pelouro de Deb Haaland, secretária do Interior, eventualmente de algum dos conselheiros económicos e, se encarada no âmbito externo, do departamento de Estado ou do representante da Saúde para a OMS. Sendo uma iniciativa presidencial, seria de esperar ter sido anunciada pelo presidente ou pela secretária de Imprensa Jen Staki; mas não, quem deu a cara foi a embaixadora no WTO eliminando qualquer dúvida de que o que se trata é de comércio.
– Katherine Tai é uma americana filha de pais de Taiwan e a sua nomeação poderá ser tudo menos inocente.
P.S. – A China merece um comentário à parte.
Enquanto escrevi o meu comentário, foram publicados dois, de “Vento” e de “Anónimo”.
Tenho diferente enquadramento para parte do comentário de “Vento” no que à China respeita e discordo da parte final do “Anónimo”, que tem toda a razão na parte inicial. Só a Astra-Zeneca usa 15 fornecedores externos e, previsivelmente, parte deles não terão capacidade para aumentar a produção.
Excluindo a Pfizer e a Moderna, todas as outras vacinas são clássicas, inoculando uma quantidade de vírus não suficiente ou incapacitada para se replicar causando a infecção mas suficiente para que o sistema imunitário reconheça um corpo estranho e produza anti-corpos.
Essa parte do vírus é introduzida do corpo por um outro vírus, por sua vez colocado num, chamemos-lhe, excipiente que varia de vacina para vacina, está protegido pela patente e é um composto de diferentes origens.
O vírus transportador é, em todos os casos que conheço, um adenovírus, o vírus das constipações, que já “sabe” bem como se introduzir em células humanas. Aqui surge um problema porque esse adenovírus também não se pode replicar pois a constipação, além dos riscos acrescidos por também actuar no sistema respiratório, poderia desviar a capacidade de produção de anti-corpos, diminuindo a produção de anti-corpos para o Covid ou seja, diminuindo a eficácia da vacina. Assim este adenovírus tem de ser não replicante, técnica que não está ao alcance de qualquer laboratório.
A EMA europeia, admite uma percentagem de adenovírus replicante superior à da FDA americana, o que levou o Brasil, que segue as regras da FDA a não aprovar a vacina russa, que usa dois adenovírus diferentes na primeira e na segunda inoculação e não forneceu informação suficiente sobre os valores dos replicantes (provavelmente porque não testou para poder iniciar a vacinação mais cedo).
Das vacinas chinesas, o que se pode dizer é que não se sabe o suficiente e há hoje uma sólida evidência que a China tem ocultado o número real de mortes, pelo que poderá ter feito o mesmo quanto às vacinas.
Para já concluo que a posição americana é excelente e muito oportuna,… no campo da propaganda.
O Totalitarismo de Biden e desta Presidência Americana fica logo bem demonstrado logo Imposto Mundial sobre as empresas. Um político que não aceita concorrência é o quê?
No texto temos isto contra a lei e a regras elementares de empresas que também nasceram por causa da patentes:
” primeira diz respeito à decisão ontem revelada pela Embaixadora dos Estados Unidos junto da Organização Mundial do Comércio (WTO no acrónimo inglês), Katherine Tai, de que o Presidente Biden deu instruções no sentido da suspensão das protecções da propriedade intelectual, de maneira a que possam ser disponibilizadas para todo o mundo, ricos e pobres, as patentes das vacinas da COVID-19, no que constitui um passo extraordinário no combate à pandemia.”
Para comparar com esta do mesmo texto:
“começa-se a ter o filme completo da extensão da substituição do rule of law pelo rule by law.”
Resumindo o autor é favorável – tal como Biden e como Xi Jinping a fazerem o que lhes apetece independente da lei.
Gostava de cá estar daqui a 100 anos, nem que fosse só para os resultado das políticas da RPC. Se o regime for bem sucedido à medida das respectivas expectativas, então o mundo será um sítio pior para se viver.
Nunca li nenhum romance de ficção científica em que se viva em democracia. Tudo acontece em regimes autoritários.
E será que todos os seres humanos aspiram de facto à liberdade? Crescemos a acreditar nisso, e olhando para Hong Kong e Taiwan, isso parece confirma-se, mas já sabemos que o que acontece aos chineses que se armem em carapaus de corrida.
Será que no longo prazo, nos tais 100 anos, não surgirá, de entre a imensidão de gente que constitui a classe média próspera e informada de origem chinesa, uma figura daquelas que conseguem mudar a direcção da história e dos destino dos povos?
A sua curiosidade pode ser satisfeita em 5 anos, mais um, menos uns.
As mortes na China têm subido muito pouco entre 2000/2006, tiveram uma aceleração 2006/2008 e mantiveram-se nesse patamar até 2018. Por sua vez os nascimentos decresceram fortemente entre 2000/2006 mantiveram-se nesse patamar até 2015, tiveram uma subida em 2016 e tornaram a descer catastroficamente de 2017 a 2020.
Antes do mais, os gráficos planos entre 2006/2015 são de tal forma invulgares que existe a possibilidade dos chineses terem mentido para não apresentar estatísticas vitais desfavoráveis; contra esta hipótese o terem publicado a redução catastrófica de nascimentos dos últimos quatro anos. Note-se que a política de um só filho levou os chineses a eliminarem filhas para poderem ter um filho e hoje o desiquilíbrio é tão grande que não é possível aplicar medidas de fomento de nascimentos por falta de mulheres.
Mas é flagrante não terem dado os números de mortes em 2019 e 2020 o que leva a suspeitar que estão igualmente a mentir sobre a extensão da Covid-19.
Mesmo com esses gráficos, a projecção simples apontaria para um balanço negativo já em 2025 mas, quer porque os números de mortes de 2019 e 2020 serão sempre maiores quer porque a tendência para a redução de nascimentos mostra aceleração, esse balanço negativo será antes.
Peritos que se têm dedicado a esses estudos, apontam para uma redução da população para metade no final do século, podendo assim a China ter nessa altura uma população entre 1/5 e 1/3 da indiana.
O PCC conhece esta realidade e sabe igualmente que, sem um mercado interno em crescimento, não pode aumentar a produção industrial ou tem de assegurar o seu escoamento para o exterior (parece que além de edifício habitacionais novos mas vazios, já há armazéns de produtos sem escoamento). Agora que os EUA acordaram com Trump e o resto do mundo está a acordar isso simplesmente não será possível. Por isso a China tem dois únicos caminhos, ou volta a fechar-se sobre si mesma (que é a tendência da sua história) ou prepara-se para um conflito (o que a recente aproximação à Rússia pode indiciar).
De qualquer forma, nos próximos 5 anos vai-se saber. Ou antes, porque de facto a China está a ficar sem tempo.
Não.
A China produz e cria não terá problemas de maior a não ser se escolher aventuras político-militares.
A ideia que a China está perto do colapso (dívida,demografia etc) já a oiço à décadas.
O único que ponto que levo a sério é a ocorrência de um desiquilibrio importante na quantidade homem/mulher se forem jovens em idade de combater.
Tempo é que não falta à China. Pela forma como se relacionamos com ele, o tempo, falta-nos mais a nós, Portugal, UE, ocidente, etc, do que à China. Veja os crimes, as agruras e misérias que já foram cometidas pelo Comunismo na China, e entenderá que por maior que seja o cataclismo, o projecto irá continuar. As pessoas contam lá muito menos do que cá, até porque são muitos mais.
Mudanças no prazo que aponta, existirão certamente, mas a questão que coloco respeita os ciclos longos.
Quando escrevi que começa a faltar tempo à China, foi apenas no sentido ter de optar por mais um período de isolamento ou de aceitar um cenário de conflito mundial que, nesta fase, tem rejeitado e evitado. Concordo que o projecto continuará mas, para a cultura chinesa, o tempo pode ser adiado de algumas gerações. É esta diferença de atitude em relação ao tempo que dificulta se não impossibilita, acordos com os chineses. Eles estão a pensar no longo termo e, no momento, concordam e assinam seja o que for mas sem qualquer dificuldade, deixam de cumprir. Há um memorando célebre do embaixador americano em Pequim que os chineses impediram a publicação que historia o roubo de informação industrial por estudantes e cooperantes nos EUA, prácticas comerciais ilícitas, etc., tudo em violação de acordos escritos. Nesse sentido, a terceira parte do postal de S.A.G. é quase pueril: o acordo sobre Hong-Kong era para durar 50 anos e já está a não ser cumprido, aliás, é um dos melhores indicadores de que a China está a ficar sem tempo.
Voltando ao seu comentário inicial, não é de esperar que surja alguém da classe média que imprima um novo rumo. Isso foi o que acreditaram os americanos quando abriram as portas à China, admitindo-a no WTO e aceitando a exclusão diplomática de Taiwan. Falhou.
Outros,incluindo alemães, acreditaram que ao ver os empresários ricos os quadros do partido se sentiriam com o mesmo direito e o regime cairia por corrupção. Como se sabe, fuzilararam e fuzilam os corruptos que apanham e essa possibilidade também falhou.
A China não é um país nem uma nação, mas um império; e o actual poder imperial é o PCC completamente e perfeitamente entrosado com as forças armadas e de segurança. Isto não cai nem pode cair e só se poderá alterar por dentro – como de certa forma fez Xi – mas um alívio no controlo da sociedade tornará a China ingovernável e conduzirá a uma desagregação. Qualquer chinês culto sabe isso e nenhum o deseja, porque os chineses são dos povos mais xenófobos do mundo e só com a força e coesão internas se podem afirmar face aos vizinhos e, sobretudo, aos ocidentais.
Portugal caminha para o Socialismo logo obviamente não quer Liberdade pois Socialismo é contra Liberdade por definiçao. E quais foram o partidos que votaram contra a Contituição por quererem Liberdade? que eu saiba nenhum.
E como se pode ver pelo silencio de quase todos ao ataque à Liberdade e Democracia feito por Biden. De uma penada colocou em causa todas as democracias.
Eu diria que a Liberdade dos ocidentais no próximos 5 a 10 anos será não muito dissimilar à do Chineses.
Inglaterra s/1389180850080735239
Sherwood is a 71-year old grandfather arrested under Section 5 of the Public Order Act for Biblical definition of marriage. Held over night in jail, released without charge, but case will be reviewed by the CPS. He suffered injury to his wrist & elbow.
https://twitter.com/TitaniaMcGrath/statu
https://yle.fi/uutiset/osasto/news/ex-in terior_minister_rasanen_charged_with_hat e_speech/11907573