
Acabo de responder ao censo 2021. Ainda telefonei para os serviços a resmungar e fui informado que as coimas para quem não responda oscilam entre 250 e 25000 euros e rendi-me. A muitos o motivo da minha repulsa poderá parecer uma minudência. Mas não é. Há um conjunto de perguntas cuja resposta é facultativa. E outras que são de resposta obrigatória, entre as quais várias são de índole administrativa mas outras são já intrusivas – por exemplo, porque sou eu obrigado a dizer quantas divisões tem a minha casa?
Mas o pior, a inaceitável intrusão, é a utilização dos censos para se fazerem questões de índole pessoal: pois para aqueles que residiram no estrangeiro e regressaram ao país desde 2010 há uma pergunta de resposta obrigatória. Somos questionados sobre o motivo do regresso. Ou seja, a República Portuguesa obriga os cidadãos a apresentar o motivo que os faz regressar ao seu país! E se entender que isso é inaceitável, uma inadmissível intromissão dos meus direitos, terei que pagar no mínimo 250 euros. Isto é mesmo sintomático de uma mundividência estatizante, altaneira, sobranceira.
(E não se propagandeie uma putativa importância dos dados. Se são relevantes então façam-se inquéritos sobre a matéria. Ou, vá lá – e mesmo assim… -, inclua-se uma pergunta de resposta facultativa no Censo.)

Somos questionados sobre o motivo do regresso.
Certamente essa é uma pergunta intrusiva. Mas, presumo eu, as possibilidades de resposta oferecidas serão bastante genéricas e pouco intrusivas, tipo “motivos familiares”, ou “motivos laborais” ou até “outros motivos”.
porque sou eu obrigado a dizer quantas divisões tem a minha casa?
Trata-se de facto de uma questão bastante parva, dado que há no país milhentas casas desabitadas (por exemplo, casas de segunda habitação), pelo que a pergunta em questão pouco indica sobre a qualidade do parque habitacional português.
“Somos questionados sobre o motivo do regresso.”
Oh vizinho! É só dizer que foi por causa do Sporting!!
Ahah, essa era bem linda.
“Somos questionados sobre o motivo do regresso.”
– apeteceu-me
– a mulher obrigou-me
– venho comemorar o título do Sporting
– tenho saudades de sardinha assada e vinho verde
– estou fascinado com o excelente trabalho desenvolvido pelo Dr. António Costa e seu executivo e quero dar o meu contributo à nação, mesmo depois de ter sido escorraçado pelo anterior governo neoliberal
O que me preocupa não é o facto de eu ser obrigado a dizer quantas divisões tem a minha casa, o que me preocupa é o facto dessa pergunta já estar pré-assinalada.
Pois não concordo com a sua opinião. Os censos, julgo eu, têm finalidade estatística atrás da qual- mediante ela – se pode melhorar o que se verifique estar pior no tecido social. De alguma forma os défices portugueses vão aparecer em quantidade. Julgo importante contabilizar o número de divisões de uma casa., sim. Ter casa ou apenas viver nela não é indiferente; como não é indiferente ter duas divisões ou quatro ou seis. Espero que todos colaborem e que os senhores políticos façam a sua leitura e aproveitem para legislar e melhor empregar o dinheiro dos nossos impostos. Se o não fizerem, cabe-lhes a responsabilidade. Não é cusquice governativa nem outras avarias. E espero que todos colaborem. O que não sei de facto é se toda a gente sabe qual o objectivo do censo.
Bea, permite-me que discorde.
Como verifiquei noutra questão mais simples o Censo foi, como de costume, pensado e imaginado para Lisboa ou outras cidades.
No interior, quem viver em casas antigas pode ter quartos com 9 ou 10m2 e e o número de divisões ser erroneamente metido na mesma estatística com uma casa moderna que tenha quartos com roupeiro e área útil de 15-20 m2.
Há várias questões que eu achei demasiado intrusivas — e que o PS (perdão, o INE) não precisaria de saber para fazer os seus estudos de merda. Só respondi porque fui ameaçado com uma multa. Calculo que seja assim na Venezuela e noutros sítios sub-desenvolvidos também.
Além da questão das divisões, acresce tb a – área – a garagem –
Da garagem da vizinha?
Há em nós (felizmente não em todos) um instinto persecutório. Por isso agitam logo com a coima, em vez de persuadirem o cidadão a responder. Faz-me lembrar coisas não dignificantes do nosso passado colectivo.
E, já agora, como é que, no nosso caso, as características da casa já vinham previamente preenchidas? É um abuso recolherem dados em outros sítios (câmaras municipais?) e cruzarem informação para chegarem a moradas e pessoas concretas. E para que é que querem o nome completo dos residentes? Também o e-mail? Repito, para cruzarem informações? E, provavelmente, até vão buscar os dados dos rendimentos às Finanças (em censos anteriores ainda perguntavam em que escalão de rendimento o cidadão se incluía). Vá lá, não perguntaram o saldo da conta bancária! Mas quiseram saber quais os encargos financeiros relativos à casa! A banca pode muito bem fornecer dados estatísticos sobre esta matéria sem identificar os cidadãos concretos, apenas para efeitos estatísticos. Tudo para juntar numa grande base de dados? Para servir quem? Quem me vigia? Não estou nada seguro de que a informação recolhida ficará confidencial e apenas servirá para saber quem somos em termos colectivos, quanto às pessoas e parque habitacional.
Quando tiverem informação concreta vão ver que os valores mobiliários de cada um de nós – ex. depósitos bancários, títulos e demais poupança – passarão a ser tributados num imposto qualquer. Já não chega o IMI.
se não mudou de residência desde 2010 ( o canso anterior) vem pré preenchidas determinadas questões relativos aos fogos , ou ao inquirido , que foram respondidas nos censos anteriores.
‘Sou obrigado a dizer quantas divisões tem a minha casa’ ?
Então pela morada, nº. da porta, andar, etc, ou vivenda a resposta aparece automaticamente, e ninguém é totó de mencionar alguma alteração sem autorização camarária.