Pensamento da semana


Pedro Correia,

A internet promoveu a verdadeira “revolução socialista” do mundo actual. Destruindo todas as hierarquias em nome da igualdade. Atrás dum ecrã digital, o génio e o imbecil estão hoje equiparados.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana.

80 comentários em “Pensamento da semana”

  1. Não, nunca estarão equiparados. O que, provavelmente, quis dizer é que têm os mesmos direitos e eu digo que lhes cabem também iguais deveres porque são indissociáveis um do outro, toda a moeda tem dois lados. Ora, tanto se distinguem nuns (direitos) como nos outros (deveres). Basta ler os comentários de ambos os indivíduos/grupos. Diria até que não há “coisa” mais diferente.

  2. Como génio celestial que sou, é meu dever elevar os imbecis. A internet permite-me levar todos a passear na nuvem e perceberem o quanto são iguais.

    A internet também é muito boazinha, pois permitiu demonstrar o quanto são imbecis os que se supunham génios.
    A internet permitiu ainda a democratização da informação e conferiu poder de decisão. Não há um único decisor, investigador, curioso, estudante, empresário, médico, doente… que não recorra à internet. Assim, a democratização da informação permitiu não igualdade entre pares mas igualdade e liberdade na escolha e na decisão. E isto os génios não gostam, em particular os génios à la portuguaise.

  3. A democracia promoveu a verdadeira “revolução socialista” do mundo actual. Destruindo todas as hierarquias em nome da igualdade. Dentro da urna, o génio e o imbecil estão hoje equiparados.

    P.S.1 – Costa continua firme nos 40%.
    P.S.2 – Se Costa sofresse um enfarte fatal, se o PS escolhesse Sócrates e se as eleições fossem hoje, Sócrates ganhava.

  4. Atrás dum ecrã digital só conseguimos distinguir os génios se lá estiverem os imbecis. Se não houver imbecis os génios são todos iguais, não há distinção.

  5. O método científico. Culpo as escolas. A minha petiza quando está a fazer um qualquer trabalho e pesquisa na internet, a primeira coisa que aparece é logo enfiada. Não sabem que têm se verificar várias fontes, comparar, aferir a credibilidade, datas, etc.

    1. Não sei porque culpa a escola se a filha é sua. Se a filha de alguém que sabe fazer pesquisa a faz mal com conhecimento do pai é rebuscado ir buscar a culpa à escola.
      A escola é parte a educação dos jovens não é um outsourcing da família.

  6. Em Novembro de 1996, na Conferência apresentada na Academia Americana para Estudos Avançados na América, Umberto Eco disse:

    «Às vezes penso que, em breve, as nossas sociedades serão divididas (ou já o estão a ser) em duas classes de cidadãos: os que vêem TV, que recebem imagens pré-fabricadas e, portanto, definições pré-fabricadas do mundo, sem qualquer poder para escolher criticamente o tipo de informação que recebe, e os que sabem como trabalhar com o computador, que serão capazes de escolher e elaborar informação. Isso irá restabelecer a divisão cultural que existia no tempo de Claude Frollo, entre aqueles que eram capazes de ler manuscritos e, portanto, trabalhar criticamente com assuntos religiosos, científicos ou filosóficos, e aqueles que eram educados apenas pelas imagens da catedral, escolhidas e produzidas pelos seus mestres, os poucos alfabetizados.»

    Talvez, a consciência de que as imagens pré-fabricadas, da TV, produzem o efeito de inconsciência, nos tenha levado a copiar a ideia e transpô-la para a internet. As imagens e as suas cores, são um atractivo para a nossa atenção.

    A especialização e a fragmentação do conhecimento, têm produzido informação mais abundante e complexa. Em vez de admitirmos a incapacidade, naturalmente humana, de acompanhar a complexidade, seleccionamos e distribuímos imagens incompletas, do mundo. Não resulta para qualquer um de nós. A importância está na escolha da “audiência”.

    1. O problema não é tanto a tecnologia, mas o que fazemos com ela.
      Posso estar um dia inteiro na Internet a aprofundar conhecimentos sobre um tema específico, enriquecendo a minha bagagem cultural. Enquanto outro qualquer ocupa esse mesmo dia a receber e distribuir vídeos idiotas e ‘memes’ imbecis.

      1. Podemos dizer o mesmo da televisão ou da escrita. De certeza que algum intelectual dirá que passa umas horas a ler e absorver conhecimento, enquanto um qualquer idiota gasta hora e meia a ver 22 mecos a perseguir uma bola.
        Como o comentador bem refere, não temos capacidade para processar toda a informação que nós é apresentada. E pior, a internet cria a sensação da informação isenta e infinita, quando o que nos é disponibilizado é gerido por um algoritmo que sabe o que queremos ler.

          1. Meu não (incluo-me no lote), mas há quem assim pense (basta ler o que escrevi, está bem explícito, ou prefere fingir que não entendeu?). O PC dirá que são intelectuais armados ao pingarelho. Os tipos dos memes dirão o mesmo de si

      2. O progresso da civilização não é impulsionado por aquilo que os Seres Humanos pensam, mas por aquilo que os salva ou economiza, de pensar.

        «…receber e distribuir vídeos idiotas e ‘memes’ imbecis» salva-nos de pensar, embora os autores dos mesmos tenham “perdido tempo” a pensar numa forma de atrair a nossa atenção e interferir com as nossas emoções.

        1. Tenho tanto tempo de vida antes da internet (ai) com depois da internet (di), e prefiro mil vezes o presente mesmo com os imbecis voluntários ou involuntários, grupo do qual eu não me posso excluir .
          A quantidade de informação a que temos acesso em segundos, a partilha de conhecimentos técnicos, científicos educacionais, etc, contrabalança a existência de conteúdos mais irritantes. Falsidade sempre existiu e continuará a existir, está é mais visível. Na minha opinião, se quisermos, a escola pode educar o sentido crítico logo desde o início. Mas o que frequentemente acontece na educação portuguesa é habituar para o “come e cala”. Empina a matéria que os “superiores” querem se seja empinada e nada de pensar e criticar. Não se podem questionar os grandes mestres modernos que nos vendem amanhãs que cantam enquanto nos hipotecam o futuro.

          Maria

          1. “Empina a matéria que os “superiores” querem se seja empinada e nada de pensar e criticar.” Sou professor e discordo completamente. As aulas, minhas e dos meus colegas, são um questionar constante do que se estuda.
            “Não se podem questionar os grandes mestres modernos” Pode, pode e muito facilmente.

          2. “Empina a matéria que os “superiores” querem se seja empinada” Alguma coisa há que empinar. Se nada se empinar, nada se sabe e nada há a criticar. Por que não a palavra “saber” em vez de “empinar”? Esta tem uma conotação negativa. Quando se quer desvalorizar o saber utiliza-se a palavra empinar.

  7. Para essa afirmação fazer sentido teremos de saber separar um génio de um imbecil.
    Os génios serão os que pensam como nós e pertencem ao nosso grupo. Os imbecis são os outros.

          1. Talvez “nem oito nem oitenta”. Como em quase tudo que seja passivo de classificação, existe toda uma escala onde também podemos encontrar imbecis geniais e génios imbecis.
            Maria

      1. Eu diria que o génio é como o herói, só existe no cinema. na vida real, muitas vezes uma pessoa pode ser genial às 10 da manhã, e imbecil ao meio-dia.

          1. também. quantas vezes os verdadeiros génios são anónimos, e quantas vezes os autoproclamados e devidamente lambuzados “génios” não são mais que imbecis.

          2. por outro lado, volta a ter razão novamente. aliás, muito explorado pelos discursos que inundam cultura popular é a ideia do génio incompreendido e, porventura, anónimo, até ao momento em que é descoberto e devidamente entronizado, digamos assim, derrotando as forças do mal ou o que seja. também uma perfeita tontice.

          3. Se a coisa já estava mal quando havia vários génios incompreendidos tornou-se pior ainda com a actual multidão de anónimos incompreendidos.

          4. Não é problema nenhum. Se fosse problema vocês, anónimos, não eram autorizados a acampar nestas caixas de comentários. Como se estivessem em vossa casa.

          5. “Se fosse problema vocês, anónimos, não eram autorizados a acampar nestas caixas de comentários”
            Caro Pedro Correia: ainda acabo por me zangar consigo. Embora não o deseje.

      2. Nunca se enganou a classificar um génio que não compreendia, como imbecil …ou vice-versa?????
        QUE SUPER… QUÊ ????

    1. Um imbecil nunca pode dizer que é um imbecil. Se o disser passa a ser um génio.
      Um génio também nunca pode dizer que é um génio. Se o disser passa a ser um imbecil.
      Um não pode passar sem o outro pois só se distinguem se estiverem juntos.

        1. O Umberto Eco também dizia que a internet tinha promovido o idiota da aldeia a detentor da verdade. Curiosamente ele era um idiota nas novas tecnologias.
          Não será melhor definir o que é que se considera génio? É que imbecil parece que toda a gente sabe o que é.

          1. Entre o que escrevi e o que o Sr. refere, Umberto Eco deve ter chegado a uma conclusão mais, ou menos, óbvia, dependendo da perspectiva: a internet alterou a forma como nos comunicamos, mas não alterou o nosso raciocínio.

          2. Alterou a forma como nos comunicamos e alterou o nosso raciocínio pois temos acesso a muito mais informação em tempo real e de qualquer parte do mundo.

          3. A quantidade de informação disponível na internet permite aceder a mais factos se, a pessoa em questão, utilizar a lógica. Se for alguém com ideias pré-concebidas, a internet é apenas um meio de comunicação, com dados e informação acumulada.

            A internet oferece conhecimento apenas a quem o está disposto a aceitar, compreender e incorporar no seu raciocínio. Não é uma condição sine qua non.

          4. E quem garante que o que ficou registado nos documentos históricos é 100% verdadeiro?
            Lembro-me das ‘aulas’ de JHSaraiva sobre Fernão Mendes Pinto com exemplos de “feiquenius’ de barbas.

            Maria

        2. Realmente só um imbecil é que esfrega uma lâmpada à espera que saia um génio. Mas também não estou a ver que raio de génio é que se mete dentro duma lâmpada à espera que um imbecil a esfregue.

  8. Se considero altamente subjectiva qualquer afirmação do tipo básico como esta de que «Atrás dum ecrã digital, o génio e o imbecil estão hoje equiparados» (como sabe, a bem da “coisa” até há moderadores de comentários que “moderam” os seus “idiotas”!) já nada de subjectiva tem a suposta premissa, muito em voga aqui, de que «a verdadeira “revolução socialista”» tem a ver com a destruição de «todas as hierarquias em nome da igualdade»… é que, sejamos sinceros, essa lengalenga da “igualdade” é (e sempre fez) parte da semântica burguesa que, como sabe, foi quem implantou a nossa Democracia: ela é hoje até é aquela do Fernando Ulrich quando, assumindo a tal de “igualdade”, declarou que o “país” (nós: eu, V., ele e todos os outros, até) «Ai aguenta(mos), aguenta(mos)!» qualquer tipo de “austeridade” porque lá está, ele também insiste que as hierarquias foram destruídas… também na “Internet”.

  9. Confusão de conceitos.
    A palavra que deveria usar é: Liberal

    O Socialismo é fortemente hierárquico. Veja-se como forçam os não socialistas a sê-lo, isto quando não se dedicam ao genocídio de classes.

    1. O liberal põe ênfase na liberdade, o socialista na igualdade.
      Genocídio é “passatempo” comunista, não socialista. Meter Pol Pot e Olof Palme no mesmo saco é desarranjo mental.

      1. Não. O socialista põe enfase no que diz ser “igualdade” determinada pela hierarquia socialista.
        E até parece que a Suécia socialista não tinha programas de apuramento da raça…ou que se podia não seguir o ditames do Governo de Olof Palme…
        A Internet é um espaço de liberdade não um espaço socialista.

          1. Caro Pedro Correia. Passo essa mania do anonimato. Se me quer conhecer, basta dizer e enviar email.
            O que comentei nada tinha a ver com essas estranhas querelas de se achar que um qualquer nome viável é mais identificável que um pseudónimo de alguém que anda há 2 décadas na blogo e com vários bloggers que conhecem.
            Estava apenas a brincar com o detalhe de ser hábito dizer-se “atrás do monitor” em vez de à frente do monitor. Ninguém consegue escrever nada se se sentar atrás do monitor
            ehehe
            Foi uma brincadeira anódina e nem sei o motivo do amofino.

          2. Sim, eu percebi, não tem problema nenhum. Aliás o seu anonimato é uma não-questão. Nada que se confunda com os AVA (Anónimos Verdadeiramente Anónimos).
            Há pseudónimos que funcionam como genuíno cartão de visita. É o caso.

          3. Mas, já que mandou uma boca, eu respondo com outra verídica. Por acaso já fui personagem de obra literária mas, do que mais gostei, foi de fazer parte do L123 do saudoso Fernando Relvas. Mais lumpen era difícil (ainda que não fizesse parte desse grupo- ele escolheu-me para outra coisa). Se tiver o álbum era engraçado porque tanto o Relvas como eu perdemo-lo.

          4. Não mandei boca nenhuma: ainda há poucos dias li o seu “nome” num livro sobre a blogosfera em Portugal.

            Fui fã do Fernando Relvas, grande autor de BD. Pena que o tenhamos perdido tão cedo.

  10. Um ecrã digital é como um espelho, o génio com que pensamos estar a teclar é apenas o reflexo dum imbecil a bater nas teclas.

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