
[Amadeo de Souza-Cardoso e amigos (em pose…digestiva, no atelier de Emérico Nunes) em Paris, circa 1909. Galeria da Biblioteca de Artes/Fundação Calouste Gulbenkian, visitável no Flickr.]
Antes de mais, um agradecimento aos aforistas que rechearam a canastra de comentários – contámos quase cinco dúzias de sugestões, descontando as repetidas. A tradição oral pode já não ser o que era*, mas vive. Aqui o júri (i.e., eu) dá por encerrado o período de candidaturas, e comunica que no Delito há quem entenda realmente de procedimentos concursais (i.e., o Adolfo), não vá algum de vós achar achar que impugna isto sem-ai-nem-ui. Assim sendo, feita a pré-selecção, apresentamos os nove desaforismos finalistas, organizados tematicamente:
Propriedade Rústica
Se queres conhecer o vilão, mete-lhe a vara na mão. [dita dura]
Quem cabritos vende e cabras não tem, de algures lhe vem. [Maria; Chloé]
Em tempo de figos não há amigos. [CPrice]
Abusos & Costumes
Não peças a quem pediu, nem sirvas a quem serviu. [Fernando]
Diz o roto ao nu: porque não vestes tu? [ariel]
Quem parte e reparte e não fica com a melhor parte, ou é tolo ou não tem arte. [L. Rodrigues]
Motejos Mutantes
O que torto nasce, tarde ou nunca vai ao endireita. [João Carvalho].
Quem sai aos seus não regenera. [mdsol]
Nem tudo o que é oiro luz. [Fernando Pessoa, via Ana Vidal]
Na vossa opinião, qual o melhor?
*Ainda anteontem me disse certa amiga que, nesse mesmo dia, prestes a comprar um par de sapatos que não era exactamente o desejado, deixou sair um ‘bem, quem não tem cão caça com gato…’, ao que funcionária, baralhada, respondeu com um esbugalhar de olhos.

Parabéns, Ana Cláudia. Organização impecável, belíssima ilustração – sinto-me muito honrada em ter participado num concurso de desaforos de tão alto nível.
Tem prémio? Pronto, já estalei o verniz…;))
Hehehe…
A saída da sua amiga lembrou-me outra*, também aplicável a estes tempos de flop financeiro e à necessidade de fazer das tripas coração:
Em tempo de guerra não se limpam armas.
(e afinal saíram-me dois aforismos, eheh)
* calma, que eu já sei que o tal concurso fechou 🙂
;))
E, nos tempos que correm, não se pode/deve queimar os últimos cartuchos por dá cá aquela palha;))
Faço minhas as palavras da Maria (espero que a Maria não se importe).
Fico com o papinho cheio de mimo, sim porque
“Grão a grão incha a galinha o papo”
e
“Quem sai aos céus, logo se venera”
:)))))))
:))))
“Neja” por isso, Maria, aceito como uma *lisonja…;))
(*esta é daquelas, Pedro, aliás toda a frase)
De lisonja gosto, Maria. Bela palavra.
O sujeito em primeiro plano, ao meio, parece o Rowan Atkinson (mr Bean) …!
Fernando, não estou segura, mas acho que o cavalheiro (o de perfil beanesco) era o seu amigo António Mata. A compostura engomada dos comensais em fim de festa é que dá cabo de mim.
Se continuarem neste ritmo, teremos de criar nova categoria, extra-concurso 🙂
E qual o vosso favorito de entre os nove?
O meu é ‘quem não tem cão caça com gato’. Pode haver algo mais português que isto?
“Quem cabritos vende e cabras não tem, de algures lhe vem” – este como meu favorito 🙂 tão a propósito de tanto que se vê hoje *
(fantástica a organização Ana, parabéns*)
Deixo-te aqui mais um contributo para a categoria dos Motejos Mutantes. Este é da minha lavra (que me perdoe o Pessoa o atrevimento da concorrência…): “Na melhor nódoa cai o pano”.
Gosto do que ele significa, e tenho a secreta esperança de ver o pano cair em breve sobre muitas das nódoas que andam por aí a sujar-nos a alma.
Isso digo muita vez: na melhor nódoa cai o pano. E é bem verdade.
Ana, fora-de-série ou não, a tua sugestão é singularmente bem vista.