Todas estas confusões em torno da vacina da AstraZeneca demonstram bem as insuficiências de um sistema de direcção central de administração de vacinas, como aquele em que assenta a União Europeia. Na verdade esta conversa de que os benefícios da vacina suplantam os riscos faria todo o sentido se só houvesse uma vacina disponível no mercado. Havendo várias vacinas, deveria naturalmente permitir-se a escolha aos consumidores, que podem legitimamente perguntar-se porque não haverão de ter o direito de receber uma vacina que produza os mesmos benefícios com menos riscos.
Já se percebeu perfeitamente que esta aquisição em massa pela União Europeia da vacina da AstraZeneca resulta especialmente do seu baixo preço. A vacina da AstraZeneca custa apenas 3 euros, sendo cinco vezes mais barata do que a vacina da Pfizer, que custa 15 euros e sete vezes mais barata do que a vacina da Moderna, que custa 21 euros. Mas, se se perguntar aos consumidores, perante os riscos de trombose anunciados, mesmo que sejam ínfimos, da vacina da AstraZeneca, se preferem gastar mais 30 ou 40 euros em duas doses de outra vacina, em vez de receberem as duas doses da AstraZeneca, qual seria a opção deles? Aposto que a esmagadora maioria preferiria pagar mais, o que levaria a que no mercado essa vacina não fosse a preferida.
Já o Estado e a União Europeia raciocinam de outra maneira. Se a vacina mais barata resolve o problema, venha ela, uma vez que os riscos são reduzidos, e a poupança em termos financeiros é colossal. Só que esse é o tipo de raciocínio que desconsidera os direitos dos consumidores, ainda mais quando o Estado os priva da liberdade de escolha entre medicamentos com a mesma eficácia, mas com níveis de segurança diferentes.
António Costa diz que a decisão sobre a vacina não pode ser tomada por um Primeiro-Ministro que não percebe nada de vacinas. Eu também não percebo nada de vacinas, mas gostaria de ter a opção de escolher, com base na informação disponível sobre as vacinas, aquela que me parece mais adequada. Esta opção a nível central sobre a vacina que os cidadãos devem receber, quando as mesmas são diferentes em níveis de segurança, é tudo menos típica de um país democrático.

Completamente de acordo. O ditador Costa é um chico esperto e os bajuladores aparam o golpe
Concordo inteiramente.
Discordo inteiramente. ucesso-dos-eua-nas-vacinas-contra-a-covi d-e-o-falhanco-da-ue-o-que-e-preciso-ref ormar-para-preparar-a-uniao-da-saude/
Sem a aquisição negociada pela UE os pequenos países teriam menos vacinas e bem mais caras; os mais pobres tê-las-iam muito mais tarde.
Os preços das vacinas não são esses. Esses são os preços negociados pela UE (que investiu apenas 4 libras per capita) pela Grã-Bretanha (que investiu 17 libras) e pelos EUA (que investiram 14/15 libras). Por exemplo Israel pagou a Pfizer a 23 euros (contra os 12 da UE).
Acho chocante que o articulista considere que os consumidores pagariam de bom grado mas 30 ou 40 euros por outra vacina quando a realidade que eu conheço é de consumidores com doenças crónicas que não aviam as receitas nas farmácias ou que, como ouvi, uma idosa com uma receita para três medicamentos pediu ajuda à farmacêutica porque só tinha dinheiro para um queria a opinião sobre qual seria o mais importante.
Mas considerando que há outras vacinas mas não estão disponíveis imediatamente, quem recusar a vacina que lhe foi destinada, na minha opinião, poderia optar por outra desde que a adquirisse particularmente ou que esperasse até que existam sobras disponíveis. Considerando ainda que a não vacinação de, por exemplo, países africanos pobres, aumenta a probabilidade de ocorrência de novas estirpes que podem depois ameaçar toda a eficácia da vacinação já feita na Europa, entendo mesmo que que só deveriam ser fornecidas vacinas a farmácias para compra livre desde que garantida mundialmente pelo programa COVAX a vacinação de 70% (ou outro valor que a OMS venha a recomendar).
E recomendo muito vivamente a leitura de um artigo de hoje no Observador de Abel Mateus.
https://observador.pt/especiais/o-grande-s
Se eu residisse na Alemanha ou noutro país rico e grande, se auferisse no agregado de duas fontes de rendimento, se não tivesse mais que 2 filhos, então também me sentiria tentado a concordar,… mas apenas se conseguisse ignorar qualquer espírito de solidariedade internacional e deixasse triunfar o egoísmo.
Vivo na Alemanha, não tenho filhos, mas apenas auferimos no agregado uma fonte de rendimento há muitos anos. Além disso, mesmo que a vacina desejada custe 30 ou 40 euros, e embora haja pessoas que não estão em condições de a pagar, por outro lado, não é preciso, nem de longe, ser rico para poder dispor de tal quantia. Mesmo que o tivesse de fazer com dificuldade, preferia prescindir, durante um mês, de algo não estritamente necessário. Por isso, considero a sua acusação de ignorar qualquer espírito de solidariedade internacional e deixar triunfar o egoísmo perfeitamente abusiva.
Já agora: Portugal está a vacinar com mais rapidez do que a Alemanha, país rico.
Pura e simplesmente não há vacinas suficientes neste momento, mesmo incluindo a da AstraZeneca. Só seria possível escolher para um pequeno grupo de eleitos.
Se não há vacinas suficientes, quem poderia escolher?
Tem que se ir à Sérvia para se poder ter liberdade de escolha…
Madame Ursula a Presidente da Comissão Europeia anda com mau astal. Recebeu ordens da indústria farmaceutica europeia para arrastar os pés na questão da aprovação da vacina russa, mas a Bavaria negoceia compra e produção local da Sputnick V. A realidade, a apetência por aquela vacina, espalhe-se por toda a “sua” UE.
Pretendeu liderar negociações com a Turkia, mas Erdogan recebeu o “European Council” Charles Michel e a “European Commission” Ursula von der Leyen num luxuoso salão…com duas cadeiras. Apesar do lesto improvisar de poiso o dialogo foi isso, dialogo entre homens.
A vida de uma tão artificialmente alcandorada funcionária por vezes tem maus bocados. Aparentemente não está a conseguir gerir a preceito o encargo. Nada que a preocupe, ou afecte a principesca reforma, diga-se.
“se preferem gastar mais 30 ou 40 euros em duas doses de outra vacina, em vez de receberem as duas doses da AstraZeneca, qual seria a opção deles? Aposto que a esmagadora maioria preferiria pagar mais, o que levaria a que no mercado essa vacina não fosse a preferida”
Isso só é verdade, se existisse um mercado público de vacinas. Desta ou de qualquer outra!
Transportar uma questão politicoideológica de modelo de sociedade em situação normal para um combate em momento de emergência é muito imoral.
A vacinação em curso não resulta de um questão de mercado mas de uma estratégia de travar uma pandemia em curso, onde com o tempo corremos o risco de novas variantes que sejam cada vez mais letais e os Estados chamaram a si este combate… não compete ao soldado nesta guerra dar-se ao luxo de escolher a arma do seu agrado, até porque há casos graves com outras vacinas que não estão a ser notícia.
Eu pessoalmente preferia ser vacinado com a Pfizer, mas aceitei esta semana a astrazeneca como obrigação de participar nesta luta ao covid e recebi-a já depois de referida a ligação às tromboses.
Bom texto!
Muito pertinente e estou completamente de acordo.
1-Uma vacina que mata, não é uma vacina séria e os casos reportados de morte pela Europa fora, bem como as reacções adversas graves não são nada de desconsiderar.
2-Muitos fármacos são descontinuados ou postos fora do mercado por efeitos secundários. 3-Astrazeneca desde o princípio que está envolta em contradições, como se estivesse ainda a experimentar e a fazer das pessoas cobaias.
4-A liberdade de escolha pode neste momento não ser viável para todos, mas devia haver uma atenção na escolha da vacina para quem já tem problemas sérios de saúde.
5- A estória de os benefícios da vacina serem maiores que os custos não está provada, basta pensar que estas certezas (benefícios) são tão validas como aquelas que a direcção geral de saúde e cientistas e médicos Portugueses tinham em Janeiro ou Fevereiro de 2020 em que era impossível este vírus chegar a Portugal…
6- Uma vida é uma vida
7-Sou pela liberdade de escolha, afinal penso que ainda vivemos em democracia.
Os meus parabéns mais uma vez pelo seu texto
Carla Santos
Quatro questões, apenas (e que são válidas, no caso, para qualquer vacina, independentemente e antes mesmo dos seus méritos ou demėritos, presentes ou futuros):
1) não há liberdade de escolha. A vacinação contra a Covid 19 é, parece, um monopólio de estado. Quanto à sua administração, quanto ao que é administrado e quanto ao momento em que se administra. Não há liberdade nem quanto à vacina a tomar, nem quanto ao momento em que é tomada. Vemos, aliás, o critério da sua administração ser, por cá, despudoradamente influenciado pela força – enquanto clientela eleitoral – do grupo a que se pertença (ou não). Razão bastante para suscitar as maiores dúvidas quanto à legitimidade de um “passaporte”, ou figura análoga, conferindo vantagens aos vacinados contra esta doença.
2) a vacina da Astra Zeneca tem – horror! – génese no Reino-Unido. Que aos olhos da União Europeia nunca expiará suficientemente as culpas do acto infame de ter questionado a virtude infinita da União e da pertença à mesma (note-se que isto que escrevo não representa a rejeição liminar da UE – desgraçados de nós, portugueses, acredito, se não fosse ela -; é apenas uma constatação de facto. Sendo, calcule-se!, que há povos que até podem passar sem “a Europa”).
3) trinta ou quarenta euros, pelo menos em Portugal (onde a pertença a uma, supõe-se, confortável classe média, começa ofensivamente cedo, de acordo com os padrões legais aplicáveis e em matéria de rendimentos), significam muito. Significam, para muitos, demasiado.
4) mais não houvesse, cuidado, senhoras que o fazem; parai já com a toma da pílula anticoncepcional. Já!
Quem dera a muitas parar.
Creio que se reporta ao último ponto do meu comentário acima. Não é novidade, isso que escreve e merece o meu irrestrito respeito. O meu “género” – creio dever usar este termo, sob pena de ser liminarmente desqualificado como machista, hetero-patriacal e homofóbico (pelo menos), ou apenas um absoluto bruto sem remissão – não me impede de estar atento ao que passa ou passou família próxima.
Percebo o seu desassossego e desalento com a baixa natalidade, mas eu ainda só tenho 17 anos e sou muito nova para indecências.
1-Apenas estou preocupada com os meus pais e avós e de todos os mais velhos, pois penso que AstraZeneca mesmo com limitações de idades não faz o menor sentido: Os coágulos não andam a escolher idades, por isso se a vacina não serve para uns também não serve para todos( em dados oficiais 19 mortes e 170 com reacções adversas graves com possíveis sequelas para toda a vida, só em inglaterra a somar a outras centenas de casos e mortes por essa Europa fora.)
Penso que é preferível esperar pela produção da Pfizer da Modena e de outras alternativas do que colocar pessoas em perigo ao serem vacinadas pela Astrazeneca e pensar que azares só acontecem aos outros não me parece sensato, por mais ínfima que seja a probabilidade a verdade é que acontece e pelos vistos não é assim tão raro.
Acho que o problema da astrazeneca não é só político, existe um problema maior e há mais vida para além da astrazeneca.
Este vírus ainda tem muitas incógnitas e mesmo esta vacinação esta no fundo sob experimentação.
Será que faz sentido assumir as pessoas como um mero número de encher um saco? Penso que não! Uma vida é uma vida!!!
Menos egoísmo e mais solidariedade e respeito pelas pessoas é o mundo que eu gostaria de ter.
Carla Santos
Completamente de acordo com:
Luís Leitão,
Carla Santos
Costa
Cristina Torrão
As vacinas (todas, incluindo a russa e a chinesa) deveriam estar livremente disponíveis para quem as quisesse tomar, numa base de “o primeiro a pedir é o primeiro a ser servido”. As pessoas deveriam poder inscrever-se para tomar a vacina que desejassem e, em essa vacina estando disponível, tomá-la imediatamente, por ordem de entrada do pedido.
Penso que é assim que se faz com as outras vacinas não obrigatórias, e não vejo razão para que com a da covid-19 se aja diferentemente.
Óbvio. Esta União Europeia vai por muito mau caminho se não gere o que é público como tal e não deixar o privado gerir o que não deve ser exclusividade do Estado.
Que o Estado providêncie vacina x ou y a A ou B nos circuitos de saúde estatais, faz sentido.
Proibir que um cidadão faça opções de saúde pessoais que não interfiram com os restantes cidadãos é abuso do Estado.
Um cidadão vacinado não só está imune como não faz mal a ninguém.
Ou será que a, ou algumas vacinas, em certas circunstâncias, não cumprem o anunciado pelo Estado?. O Estado está a mentir?.
Então será lícito, ou criminoso, este coagir e/ou refrear estatal?.
António Costa limita-se a lavar as mãos como Pilatos !
Vergonha!