
Amêndoas confeitadas – Amêndoas Moles
Todos os anos era a mesma dança.
Em começando as férias que antecediam o segundo período, entabulavam-se os preparativos para a Páscoa. Numa vertente mais religiosa, cabia-me a confissão, a missa e a comunhão, por isso lavava e engomava a mantilha branca que a Lena do Vitinha me tinha trazido de Badajoz, polia o terço de prata que estava guardado na caixinha de folha espelhada com a Rainha Santa Isabel em relevo, guardada junto ao pequeno missal e saía para ensaiar para a missa de Domingo e para a procissão que se lhe seguia.
Era por essa altura que, num pequeno intervalo de toda aquela roda viva, me escapulia com o meu irmão até ao Confeiteiro, para comprarmos amêndoas doces.
Ainda sonho com elas.
O meu irmão preferia as torradas e caramelizadas; eu adorava as amêndoas moles, que se desfaziam na boca com uma leve pressão. Ainda agora sonho com elas, mas nada se compara. Quando o Confeiteiro deixou de as fabricar, íamos comprá-las à Baixa, à Pastelaria Suiça. Eram menos boas, mas bastante satisfatórias.
Nunca gostei muito de confeitos de licor, amêndoas em chocolate, amêndoas verdes, ou das tradicionais duras e multicolores. A minha perdição eram as moles, um veneno para os dentes, mas quem se ralava com pormenores na pré-história da existência?
Era um martírio fazê-las render até ao Festival Eurovisão da Canção, acontecimento socio-familiar, em que se juntava uma data de gente, velhos e novos com snacks no colo à volta de uma TV e se vivia aquela que, na altura, era uma verdadeira festa da música.
Comer amêndoas moles era uma emoção.
As lembranças são emocionantes, doces e quentes, com aroma a incenso e caramelo e melodiosos e desafinados Lá Lá Lás.
A amêndoas moles também.
Ainda sonho com elas.
Quero desejar a toda a família do Delito uma Santa Páscoa.
Foto do Google

Obrigado pela partilha, fez-me recuar vários anos, o meu contexto foi diferente, mas os sentimentos são comuns. Uma Santa Páscoa
Pedro Cunha
Obrigada Pedro. Independentemente dos enquadramentos, vivemos as emoções .
Boa Páscoa.
Oh… é das que eu gosto mais! Gostava tanto de saber fazê-las…
Feliz Páscoa!
Também eu! Tenho tantas saudades de as comer! Nada se lhes assemelha
Boa Páscoa!
Excelente série, Dulce. Doce e gostosa. A puxar para cima, como tanto precisamos.
Votos de uma Páscoa feliz.
Obrigada, Pedro. O que é doce nunca amargou . Amêndoas amargas podem ser doces e até mesmo o amargor do Gin tónico, tem a sua doçura especial.
Páscoa Feliz!
Amêndoas moles será aquilo a que se chama marzipã (pasta de amêndoa)?
As amêndoas moles têm/tinham uma amêndoa com pele no centro que era revestida com açúcar como as tradicionais coloridas, mas o revestimento não era muito duro e era “enfarinhado” em açúcar refinado.
Se não estou em erro, chamavam-se Amêndoas Moles de Coimbra. Eram uma bomba energética do mais doce que havia, Cristina.
Boa Páscoa!
Então não é a mesma coisa, Dulce. Pensei que lhe poderia fazer um gosto, pois na Alemanha há muito “marzipã”. Em Portugal também se deve encontrar. Mas essas amêndoas moles realmente não conheço.
Boa Páscoa!
Obrigada pela lembrança, Cristina!
Tenha cuidado, não coma uma amêndoa dessas na rua, no domingo de Páscoa, não vá algum invejoso telefonar à polícia.
Feliz Páscoa para si também.
As pessoas telefonam para a polícia por dá cá aquela palha, lá isso é verdade, mas não me importava de passar uma tarde “presa” com um livro, uma garrafa de água e um pacote de amêndoas moles, claro.
Boa Páscoa, Carlos.
Viagem no tempo e no espaço.
Obrigado.
Uma Páscoa Feliz, para a escritora e Tribo familiar.
JSP
Viajar é preciso JPS.
Boa Páscoa!
Agora fez-me lembrar as amêndoas de Portalegre. Saudades… Boa Páscoa.🐰
Ah! Já me falaram nelas e falaram muito bem !
Boa Páscoa para si, obrigada!
No meu tempo chamavam-se amêndoas moles de Coimbra. Mas admito que possa ser mais uma herança árabe pois em Itália, na época romana, as amêndoas eram cobertas com mel enquanto o açúcar e especialmente esse açúcar que se desfaz, é uma componente vulgar na doçaria árabe (pelo menos na zona mediterrânica). E Coimbra, a região, terá sido a zona de Portugal onde a presença moçárabe foi mais forte.
Exactamente, Francisco Almeida. Com reminiscências árabes ou romanas, chamavam-se Amêndoas Moles de Coimbra e provavelmente foram mais umas vítimas da modernidade saudável .
Boa Páscoa!