
Adolfo Mesquita Nunes: «Sempre tive duas cores favoritas, quase sempre incompatíveis: o amarelo e a cor dos olhos da Elizabeth Taylor.»
Ana Cássia Rebelo: «Marisa continuou a comer cupcakes durante muito tempo. Quantos mais os comia, mais liberta se sentia, mais fornicava, mais gastava o ordenado em sandálias-bota e livros de auto-ajuda. Estava cada vez mais moderna. E feliz. Até que um dia, não se sabe bem o que se passou, talvez a cobertura de queijo creme não estivesse nas melhores condições ou as artesãs culinárias tivessem exagerado no corante alimentar, apanhou uma gastroenterite. Passou dois dias de cama, a vomitar um líquido viscoso, azedo, cor de cereja. A sofisticação e a modernidade saíram-lhe, dias depois, muito fedorentas, pelas tripas.»
Luís M. Jorge: «Nada pode regenerar a nossa classe política como a abundância de eleições – ou melhor, a abundância de derrotas. Que um Governo dure seis meses ou ano e meio perturba-me pouco. Pior são as coligações oleosas e o clamor dos pactos de regime. Temos um problema político com efeitos económicos; não o contrário.»
Rui Rocha: «Estamos então como antes. Pobres e endividados. A diferença é que agora não temos governo e antes estávamos desgovernados. A crise política, diz-se por aí, pode precipitar o pedido de ajuda externa e a intervenção do FMI. Imagino que o FMI seja como o Pai Natal, mas ao contrário. O Pai Natal traz prendinhas aos meninos que se portaram bem durante o ano. O FMI traz medidas duras aos países que fizeram asneiras durante anos. É importante ter isto presente no momento de repartir responsabilidades pela situação actual. O que tínhamos era um copo cheio. E não existem grandes dúvidas sobre quem o encheu. Seis anos consecutivos de governação não podem passar em claro.»
