Vacinas, cegueira e desorganização


joaomsandre,

Nestas discussões sobre vacinas acaba por se ver um nível de discussão que me confunde. Quando se fala da vacina contra o sarampo, poliomielite ou tosse convulsa, a questão dos (idiotas) anti-vacinas é apenas sobre “a vacina”, não sobre a origem dela. Ninguém pergunta qual a empresa que a fornece. Aceitamos que foi aprovada e que oferecerá protecção directa ou indirecta (quando entendemos a diferença). No caso do COVID-19 discutimos sobre o tipo de vacina que receberemos. AstraZeneca, Pfizer, Moderna ou “a russa” ou “a chinesa”. Não entendemos os princípios nem como funcionam, mas queremos ou não queremos só porque.

Claro que isto começa com os governantes que também não entendem nada disto e, apesar de serem instruídos por quem o entenda, acabam a dizer asneiras de tempos a tempos. Isto só resulta na população a acumular confusão. Se os políticos não entendem, como o conseguiremos nós? (não é irrazoável). Isto estende-se às negociações sobre a compra de vacinas. Os governantes parecem ter ouvido da AstraZeneca a frase «Temos capacidade para produzir e entregar X milhões de doses por mês» e aceitaram tal declaração como uma promessa. Pessoalmente entendo que terá sido esse o problema com as entregas da vacina na Europa: governantes que não entendem que ter “capacidade” não implica que essa seja atingida de forma regular. O meu carro poderá ter capacidade para atingir 200 km/h na autoestrada sem trânsito e com descidas, mas isso não significa que conduzirei de Lisboa ao Porto a essa velocidade média.

Claro que isto pode ser resolvido se existir uma administração pública com pessoas suficientes para ter especialistas nestas áreas ou, em alternativa, possam contratar consultores para estas áreas (desde que identifiquem tal necessidade). A Comissão Europeia terá muitos especialistas em cotas de peixe ou regulamento para queijos, mas provavelmente nunca terão tido uma única negociação para entrega de medicamentos.

Esta situação vem também demonstrar como este semi-confederalismo da UE não oferece nada. Nem a independência dos estados nem as sinergias dos federalismos. Os EUA têm uma administração federal repleta de especialistas em diversas áreas que trabalham nas suas competências independentemente do partido na Casa Branca ou que domina o Capitólio. A Europa tem especialistas em meia dúzia de áreas e falha nas outras. É uma área mais onde se aprender.

33 comentários em “Vacinas, cegueira e desorganização”

    1. Tudo é ultrapassável, mas demora sempre mais ou menos tempo. Neste caso não me incomoda que estas coisas demorem tempo, antes que os responsáveis (políticos ou das empresas) tenham prometido oq ue não entendem.

    2. É-me muito mais fácil acreditar que Governos que sem vergonha nem responsabilidade querem vivamente vacinar as suas populações com vacinas mRNA experimentais corram a defender e fazer a lavagem possível do que foi publicamente exposto no caso da AstraZeneca. Que só por acidentalidade se encontra exposta, face ao contencioso com a União Europeia, das outras vacinas nem pio.
      Julgo que as únicas vacinas tradicionais não-mRNA são a da Johnson & Johson e a Sputnik.
      Pessoalmente, achei mais interessantes os artigos médicos já publicados e não refutados que estabelecem a relação com a coagulação (alemães, noruegueses, dinamarqueses). Ou o facto de que vários países, designadamente a Suécia que é um dos que desenvolveu e produz, mantém a suspensão. São tolos e ignorantes estes suecos.. nós somos mesmo mais espertos. Nem as “autoridades” oferecem outro racional que “benefício supera o risco”. Mas então há risco ?
      Isto para quem queira acreditar que apenas esse número de casos indicados determinou este clamor e suspensão por tantas autoridades sanitárias e que não se trata de números “trabalhados” para melhor óptica.

  1. Hoje, cf. convocatória telefónica de 6ª feira, dirigi-me ao Centro de Saúde para ser vacinado. O segurança, muito simpaticamente, deu-me um papelinho manuscrito que dizia: Vacina adiada. Será contactado por telefone.
    A vacinação com a Astra-Zeneca foi suspensa ontem à tarde porque houve 40 ocorrências de trombos (salvo erro 2 ou 3 mortes) em 17 milhões de casos. Não vou repetir o exercício de calcular quantas mortes por Covid irão resultar desta suspensão mas, para quem fez as contas (suspensão de 15 dias e valores médios europeus) sendo a percentagem de ocorrências 0,000235% o número de infecções será da ordem dos 10.000 vezes mais e, contando 2% de óbitos por infecção a comparação com 2 ou 3 óbitos e 40 casos é disforme.
    Isto admitindo que a vacina foi efectivamente a causa das 40 ocorrências o que não está provado mas é possível. Tromboses são uma das consequências da doença em fase aguda e, se alguém já tiver tendência para isso ou se apenas tiver uma produção de anti-corpos muito elevada (sistema imunitário hiper-eficaz) parece possível que seja replicada a consequência da formação de trombos.
    Mas, para evitar 40 ocorrências e 2 ou 3 mortes, podem ocorrer 10.000 infecções e 200 mortes. Isto não faz sentido. Sobretudo porque – ao contrário de alguns médicos particulares – os SNS não preconizam a simples precaução de tomar Aspirina 100 uns dias antes e depois de tomar a vacina – o que eu já faço por ser doente cardio-vascular – o que, por si só, reduziria o risco de 20 a 33% e provavelmente seria o bastante para reduzir o efeito e afastar mortes.
    A explicação oficial, baseada no “Princípio da Prudência” que só pelo nome cheira a parlapatanice e, não só é perverso em relação aos números em causa como, se realmente aplicado, poria todas as vacinas em stand-by pelo menos 1 ou 2 anos, talvez apenas sirva para mascarar o facto dos governos estarem a gerir as reacções públicas ao anúncio da morte da enfermeira austríaca(?) e do(s?) 2(?) italianos, publicadas em destaque e sem enquadramento. Por exemplo, tenho estado atento e ainda não sei qual a ocorrência de tromboses ante-covid por 17 milhões de habitantes nas faixas etárias semelhantes.
    Mas o que é certo é que para países vulneráveis – Portugal é um caso extremo – o atraso de 15 dias vai também atrasar a retoma e potenciar a dependência do BCE e da UE ou seja, favorecer mais um “salto em frente” na integração europeia, desta vez com um ministério da saúde europeu em primeiro lugar e suficientemente grande para tapar o muito que virá por acréscimo.

    1. Interessante, o mesmo aconteceu comigo mas foi para o Domingo
      Houve uma ligeira confusão, isto às 15 horas, com a entrega dum questionário e depois uma pequena entrevista. Tudo bem, a vacina, a explicação de possibilidades e identificação de sintomas, meia hora de quarentena e boa tarde.
      Á noite a zeneca tal e coisa coisa e tal, e eu nem sequer uma impressãozinha no braço.
      Hoje na tv ouvi um especialista dizer que nos 17 milhões que tomaram a zeneca (nome interessante para um trocadilho zé nega) se não a tomassem morreriam na mesma uns milhares de trombose e já não poderão morrer uns milhares de covid.

    2. Hoje a Ordem dos Médicos distribuíu um comunicado às redacções que, de uma maneira geral, apenas destacaram um ou dois pontos.
      Cito:
      “Trata-se de uma incidência de 0,000006%, ou seja, 0,6 casos por cada 100 mil pessoas”, destaca a Ordem dos Médicos. Salienta ainda que, na população em geral, se registam normalmente 16 a 38 casos de tromboembolismo pulmonar por 100 mil pessoas a cada ano”.
      A percentagem da OM difere da que usei porque esta utilizou apenas os números da UE e os meus incluíam a Grã-Bretanha (11 milhões de vacinas).
      Mas o ridículo acentua-se. Mesmo reduzindo os 16 a 38 casos anuais a metade do período de vacinação efectuada, o número tal que a única conclusão científica seria que a vacina diminui as incidências de tromboembolismo (é evidente que não se pode extrair esta conclusão mas é grotesco que se tenha considerado a conclusão contrária).
      O que quase toda a CS não entendeu divulgar foi o apelo da OM para que se tomem decisões baseadas em evidência cientifica e não decisões políticas.
      Outro pedido da OM também geralmente ignorado “… apela a que sejam divulgados os dados com enquadramento e contrapondo também os riscos e benefícios já conhecidos” que a OM lembra serem 2% de óbitos em infecções, subido para 14% em maiores de 80 anos.
      Pessoalmente verifico que a decisão de suspender a vacina, subiu o meu risco de morrer de 0,0006 % (UE) ou 0,0002% (Europa) para talvez 12% (78 anos com 2 comorbidades) x 673 (novas infecções hoje) / 11 milhões (população) ou seja um risco 1.224 ou 3.670 vezes maior.
      E o mais extraordinário é que em toda a UE ninguém em nenhum país, considerou sequer a hipótese de perguntar aos interessados se queriam arriscar ou adiar. Isto em democracia, pelo que pergunto como seria em ditadura?

      1. Essas suas contas estão erradas. Os 3.670 serão apenas 30 a 50 conforme os parâmetros utilizados mas isso não não invalida a ideia nem a pergunta final.

    3. O BCE já ficou sem munição há muito…

      Mas as suas contas fazem-me lembrar a piada que vi por aí: alguém foi atropelado depois de levar a vacina da AstraZeneca: parem tudo!

  2. este semi-confederalismo da UE não oferece nada

    Nada?! Nalguns setores oferece muito. Por exemplo, em matéria de pescas e de agricultura, a UE substitui completamente os Estados.

    Em saúde, nomeadamente em compra de vacinas, a UE ainda não tem prática e, portanto, saiu-se mal. Agora, daí até dizer-se que a UE não oferece nada vai um grande caminho.

    1. Tem razão balio, perdoe-me. Queria dizer que neste caso não ofereceu nada porque está mal cozinhado. O semi-confederalismo é daquelas organizações ad-hoc que não é carne nem peixe e que só vê o que quer cozinhar quando chega a casa e ao ver o que (não) há na despensa acaba a fazer uma massa com atum.

      Mas é verdade: para o que foi 1já criado, funciona bem. Fez bem em me apontar a asneira, obrigado.

    2. Durante algum temo acreditei, e ainda parcialmente acredito, que o único benefício que a UE traz a Portugal é o “encapsulamento” monetário/financeiro do Euro,em dois tempos:
      1 – A obrigação dos Estados de manterem a despesa controlada abaixo dos 3% – foi a 1ª vítima da gripe, todos os Governos correram na oportunidade para rebentar o Pacto de Estabilidade – mantinha os nossos Governos minimamente controlados no despesismo;
      2 – Terminado esse mito (i.e. caso “Sócrates”) o facto de o Banco Central Europeu evitar que Portugal caia na bancarrota e segura a venda de dívida portuguesa – ainda o faz.
      Quanto ao resto, outros benefícios ? Naaaah.

  3. Anda toda a gente a criticar a UE pelos erros na compra de vacinas, mas o facto é que, se as vacinas tivessem sido compradas pelos Estados-membros, nós cá em Portugal teríamos agora ainda menos vacinas do que as que temos. E provavelmente pagaríamos também mais por elas.

    1. Eu não critico que tenham sido compradas pelos estados-membros. Critico que eum o tenha feito esteja provavelmente mais habituado a negociar cotas de sardinhas.

      Concordo consigo: o poder negocial aumenta como UE que como país individual, mas isso só funciona quando bem usado.

      1. Para mim nem sequer é óbvio que a UE tenha negociado mal.
        A UE procurou poupar dinheiro e não oferecer um excesso de dinheiro a empresas privadas. Isso parece-me bem. Compreendo que a posição do Reino Unido ou dos EUA seja diferente: eles querem subsidiar empresas privadas dos países deles, financiando a investigação que deveriam ser elas a realizar e comprando-lhes produtos por um preço excessivo, muito acima do razoável.
        A UE teve uma posição diferente. Não esteve para subsidiar de forma irrazoável empresas privadas. Já as subsidiou, em minha opinião, demais, ao resolver escolhê-las a elas (em vez de ir comprar vacinas a quem as tivesse primeiro, que neste caso foi a Rússia) e só a elas, e ao resolver comprar-lhes uma quantidade de vacinas largamente em excesso da população da União.

        1. Aqui já discordo em parte de si.
          Quanto à vacina russa, concordo no essencial consigo: deveriam ter ido analisar a vacina sem discussões sobre geopolítica e ver simplesmente se era eficaz. Sim? Então que se aprove e utilize.

          Quanto às negociações, compreendo o que quer dizer sobre dar dinheiro às suas empresas, mas há dois pormenores. A AstraZeneca, falando apenas desta, é britânica e sueca. Se lhe dessem dinheiro estariam também a financiar uma empresa da UE. Seja como for, considero isso um pormenor insignificante. Nesta situação a prioridade deveria ser distribuir a vacina o mais depressa possível. Se quiser olhar por uma questão financeira, é quase certo que o dinheiro extra que (talvez) poupem é menos que aquele que se perde com prolongamento dos lockdowns por todo o continente e com os pacotes de estímulos. Por outro lado, e para mim mais importante, a principal função de um estado (ou associação deles) é garantir a segurança (inclusive na saúde) dos seus cidadãos, o que significa que ineficiências, especialmente em emergências, podem ser aceites.

    2. Você é engraçado. Contraria normalmente os postais mas essa defesa da UE é curiosa. Senão vejamos.
      Em comparação com os EUA e a Grã-Bretanha, assinou os contratos 2 a 3 meses mais tarde; não calendarizou os fornecimentos (o mais cedo possível); não previu cláusulas penais por incumprimento (sem calendário nem podia fazê-lo). Isto é, prescindiu de tudo o que um simples particular que quer renovar a casa de banho exige ao empreiteiro.
      Geralmente ignorado é que a Inglaterra financiou as farmacêuticas com 17 libras/per capita, os EUA 14/15 libras e a UE 4 libras.
      E que nós teríamos menos vacinas e mais caras é simplesmente artigo de fé. Com as – para mim lamentáveis – ligações que Portugal tem ao capital chinês e, de facto ao capital do Partido Comunista Chinês, com a prestimosa ajuda do grupo do Hospital da Luz (o maior fornecedor de Portugal em material anti-covid) e uma palavrinha de encorajamento da EDP, se calhar até tínhamos tido a Sinovac mais cedo e a melhor preço. Quem sabe?

      1. Em comparação com os EUA e a Grã-Bretanha, assinou os contratos 2 a 3 meses mais tarde

        Dessa forma terá tentado evitar fazer contratos com empresas que no fim não seriam capazes de fazer uma vacina eficaz. E, mesmo assim, fez contrato com a francesa Sanofi, que precisamente se mostrou incapaz de elaborar uma fórmula eficaz.

        não calendarizou os fornecimentos

        Que eu saiba, os fornecimentos estavam calendarizados. As farmacêuticas é que depois violaram o calendário…

        não previu cláusulas penais por incumprimento

        Os contratos não são públicos, portanto não se sabe se previu ou não previu. Eventualmente terá querido prever, mas as farmacêuticas terão recusado – porque sabiam que já estavam comprometidas com os EUA e com o RU…

        prescindiu de tudo o que um simples particular que quer renovar a casa de banho exige ao empreiteiro

        Belo exemplo que você foi dar… Os empreiteiros de construção civil são useiros e vezeiros em violar contratos e prazos!

        a Inglaterra financiou as farmacêuticas com 17 libras/per capita, os EUA 14/15 libras e a UE 4 libras

        Fez a UE muitíssimo bem! Que raio, quem tem que financiar a investigação são as empresas privadas, não é? Se elas vão ganhar montes de dinheiro a vender as vacinas, esse dinheiro deve ser justificado por aquilo que investiram a criar as vacinas!

        se calhar até tínhamos tido a Sinovac mais cedo e a melhor preço

        É bem possível… Mas para isso a UE teria tido que esperar até ao fim (até as vacinas estarem todas prontas) e só então ter optado por comprar uma ou outra vacina. A UE, tal como os EUA e o RU, optou por uma estratégia mista – em que não negociou nem no último momento (quando as vacinas já estivessem prontas e aprovadas), nem no primeiro momento (quando ainda não se sabia quem seria capaz de criar uma vacina eficaz), mas sim num momento intermédio. Eu acho que teria sido muito mais honesto negociar somente no fim, ou seja, somente quando houvesse vacinas feitas.

    3. A UE, por comparação com os EUA e a Grã-Bretanha, assinou os contratos 2/3 meses mais tarde, não indicou prazos de entrega (o mais cedo possível), nem incluiu cláusulas penais para incumprimento (não podia sem prazos) isto é, não exigiu o que qualquer pessoa que quisesse reformar uma casa de banho exigiria ao empreiteiro.
      Acresce “the last but not the least” que a Grã-Bretanha financiou a investigação das farmacêuticas com 17 libras /per capita, os EUA com 14/15 e a UE com 4.

      “… teríamos agora ainda menos vacinas …” é artigo de fé.
      Dada a realidade – que eu deploro – do capital chinês, aliás do capital do Partido Comunista Chinês, o grupo do Hospital da Luz (o maior fornecedor do Estado português em artigos anti-pandémicos) com uma ajuda da EDP talvez nos tivessem assegurado a Sinovac mais cedo. E se calhar a melhor preço, quem sabe?

        1. Esses quatro e mais um.
          Aconteceu que, como Francisco Almeida, vi um comentário regeitado por um autor que por aqui passou recentemente e não vejo activo há mais de dois meses, o que é esperançoso. Assim, após cerca de três meses de nojo, voltei ao DO como Augusto Tavares. Quando o meu comentário foi retido por mais de 24 horas e escaldado que estava, decido refazê-lo de memória como Francisco Almeida para testar. Foi assim com alguma surpresa que vi os dois publicados, o primeiro bem mais de 48 horas depois de enviado.
          Num blogue que aceita anónimos, não me parece relevante o “nick” adoptado mas se gosta de Batata, Batata será.

  4. “«Temos capacidade para produzir e entregar X milhões de doses por mês» e aceitaram tal declaração como uma promessa. Pessoalmente entendo que terá sido esse o problema com as entregas da vacina na Europa: governantes que não entendem que ter “capacidade” não implica que essa seja atingida de forma regular.”

    Não sei se foi assim. Se foi, foi um logro. Quando se negoceia não é só à parte que compra que compete a clarificação de equívocos. Também compete ao vendedor. Se for à procura de um meio de transporte para ir do Porto a Lisboa a 200 km/h e alguém lhe vender um carro alegando que ele atinge 200km/h, escamoteando que é só numa parte do percurso, está perante uma burla. Não me diga que na AstralZeneca pensaram que as vacinas não eram para distribuir à população.
    Não pretendo dizer que a UE não devia ter acautelado tudo e evitado ser aldrabada. Mas para se ser aldrabada faz falta um aldrabão.

    1. As empresas colocaram nos contratos que têm capacidade para X e que farão o seu melhor para cumprir essa capacidade. Estão assim a colocar um limite máximo na entrega (X) e a acautelar-se para quando inevitavelmente não o atingirem, não sofrerem. É por os contratos estarem relativamente seguros para as empresas que a UE não parece ter avançado para tribunais de forma séria e prefere mecanismos políticos (o embargo à exportação).

      O problema é que quem recebe a mensagem ouve o que quer ouvir. Isto não é só problema dos políticos. Os CEO e outros gestores de topo sofrem do mesmo problema de audição selectiva. Já sofri muito com isso.

  5. O problema aqui não são os idiotas nem os fundamentalistas, o problema aqui é a mentira e a falta de seriedade em todo este processo. Basta ver a conferência de imprensa por causa da suspensão da vacina em que ninguém assumiu a responsabilidade nem o protagonismo, parece que estava tudo comprometido.

  6. A UE foi incompetente nos contratos com a Astrazen. O Reino Unido frizou nos contratos sanções e multas no caso de não cumprimento nas entregas e prazos. Os funcionários da UE, bem pagos (“tax free” e sempre a pensar nas principescas reformas ) imagiona-se porquê, “conversaram” com a Astrazen. Entre ser multada pelo RU e o bla bla bla na UE não há muito que pensar.
    Charles Michel, um auto-proclamado executivo (nunca eleito) de esta UE, há dias falando sobre a vacina (russa) Sputnick confundia os seus simplórios preconceitos políticos com a saúde dos cidadãos da “sua” UE.
    Esta UE nunca irá longe.

  7. o problema destas vacinas é que” depressa e bem não há quem”…a mim é-me indiferente a empresa , não levo vacinas fabricadas à pressão sem esperar pelo menos 5 anos para ver o que acontece a quem a levou. é só pensar nas estatinas e em diabetes como efeito secundário. se confiam nos cientistas de olhos fechados , como tendo um saber de origem divino , é lá com vocês.

    1. Esteja à vontade. Pessoalmente sou da opinião que quem não quer ser vacinado deveria ter de pagar toda e qualquer despesa médica do seu próprio bolso se contraísse a doença. Seria justo. É a liberdade.

      1. está bem , desde que a mesma lógica seja aplicada aos obesos , e todos os que tenham excesso de peso paguem todas as despesas das doenças provocadas pelo dito , inclusive o covid.

        1. O excesso de peso não influencia a saúde de mais ninguém. Não se vacinar sim, dado que complica a imunidade de grupo.
          Se fosse possível identificar sem dúvida alguém que V. contaminasse não estando vacinada, eu perferiria que as contas a pagar fossem a dessa outra pessoa. Como isso não é possível, que pague as próprias.

          Se tiver de passar por um bypass quadrúpulo com salto mortal à retaguarda por excesso de peso e horas d emais a olhar para os programas da Cristina não sei das quantas, isso deve ser pago pelo SNS. A não se que queira ir pelos privados, mas nesse caso serão contas suas.

  8. Dá para perceber que você não percebe patavina do que é um contrato de fornecimento… compra coisas pela internet e acha que está esclarecido (é como 9999999999999 perfis portugueses das redes sociais, nada de estranho).
    O contrato é feito com base na “capacidade de entrega e prazos para tal”. O maior problema foi mesmo as empresas estarem descansadas pois o previsto para entregar tem uma punição leve, pois o contrato é de 9-12 meses.
    A AstraZeneca e a Pfizer não tem cumprido as entregas pela simples razão que andam a vender a outros clientes, remessas que eram para ser entregues à Europa, para dividir pelos países. Alemanha comprou 28 milhões de vacinas, desviando uma entrega que era para ser feita dia 17 de Março, pagando 127 euros por dose, ao contrário dos 18 euros pagos pela UE. Israel ROUBOU 13 milhões de vacinas que já estavam prontas para entrega a países africanos pagando 800 euros por cada dose, para as receberem no dia seguinte. Dinamarca comprou 11 milhões de doses, a 97 euros cada, para lhes serem entregues até ao fim de Março. (Todos negócios com a AstraZeneca.)
    Com a aprovação dos EUA, existe a ideia que a empresa irá colocar 43 milhões de vacinas (produção mensal dos laboratórios da Holanda e Bélgica) para conseguirem preços a rondar os 100 dólares por dose. Ora se vão despachar 30 dias de produção, a UE vai receber remessas de 25 a 40 milhões de doses, vindas de um dos 3 laboratórios ingleses, até ao fim de Abril.
    A pressa de quererem as vacinas, leva a esta fome…
    E está muito enganado acerca dos “políticos”. É que se não fosse a UE a negociar, Portugal estaria a pagar 200 a 1000 euros por cada dose e as entregas seriam lá para Outubro a Dezembro, na melhor das melhores hipóteses, pois os grandes países iriam pagar 5 a 1000 vezes mais para ficarem com a população toda vacinada, antes do primeiro dos outros ser vacinado. (Russos e chineses tem um grandíssimo problema: a fórmula das vacinas tem mudado mais depressa que se muda a roupa interior… algo que as autoridades europeias não aceitam, pois validam um medicamento, não vão receber outro, com o mesmo nome, tal como aconteceu no Chile e Brasil.)

  9. post até está razoavel, popular, sem excessos. A nodoa é no final, quando elege os EUA como exemplo, pais que nao é exemplo para nada, excepto para provincianos admirados com o exterior da torre dos clerigos.
    Sendo que a ideia do Autor será só evidenciar que possuem uma estrutura diferente, mas a imagem que acaba por passar é a que eu disse. Qualquer um, e sao muitos, dizem o mesmo, elegem os EUA como exemplo em que a justiça é exemplarissima. E sao muitos mais os que , nao lendo os jornais dos mais paises, tem desses paises a ideia de que esses nao sofrem os problemas que sofremos naquilo que sao os casos do dia.

    Chegado aqui, em vez de “dedicar-me” á espuma dos dias das vacinas, estou a perguntar ao Joao, se acredita que nos mais países os governantes tambem nao nao acusados de comunicaçao iinsuficiente ou mesmo deficiente ? Esta é que é a questao, a pedagogia. Excluindo os pintelhos do retangulo.

  10. quero acrescentar
    O Joao defende consultores.
    Eu digo : basta ver o que se passa a nivel bancario e internacional, com os Consultores e afins.
    Por outro lado, basta ver o que a Uniao Europeia fez ao BES.
    E mais digo, eu que nao leio jornais do brasil, e portanto tenho a iideia de que tudo se resume ao bolsonaro, contra ou a favor, mas o que interessa á populaçao é isso : alguem que mande.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *