Anteontem foi dia da renovação presidencial, por mais 15 dias, do estado de emergência, e ontem da apresentação, com trombetas e fanfarras, do plano de desconfinamento.
Nos próximos dias choverão as críticas às contradições, incongruências, descasos e omissões do segundo dos documentos; o primeiro é apenas a reedição dos anteriores, com uns retoques; a abstenção e voto contra de alguns partidos honra-os, ainda que seja de suspeitar que as motivações não sejam as melhores; é provável que venha uma nova revoada de anúncios de apoios a pessoas e empresas, sem que a comunicação social se dê ao trabalho de escarafunchar a taxa de execução dos anteriores; e nas notícias os que ainda podem recuperar os negócios mancos e crivados de dívidas procurarão ansiosamente saber se fazem parte da primeira, segunda ou vigésima gota – o desconfinamento é a conta-gotas, a miraculosa solução encontrada para dar a impressão de que tudo o que ficou para trás era necessário e sensato e que os pais da pátria estão à cabeceira do cidadão velando por ele.
Suspeita-se – eu suspeito – que o instinto de Costa já lhe deve ter dito que os chamados cientistas, pela maior parte, estão às aranhas com o problema, e que não pode seguir a opinião de quem tem realmente experiência, isto é, alguns epidemiologistas não deslumbrados com o súbito estatuto de oráculos, porque ela choca com aquilo em que a opinião pública acredita.
Enfim, não se pode ter razão contra a opinião pública; a meta dos 70% de vacinados até fim de Setembro não será cumprida mas, à medida que a vacinação avança com os seus vagares europeístas, os seus efeitos acumular-se-ão com os do bom tempo e o do número de recuperados da infecção; e quando a situação clarear uma boa dose de propaganda, a falsificação do passado, a ajuda da comunicação social e a bonanza dos dinheiros europeus talvez sejam suficientes para que os responsáveis não caiam logo abaixo do poleiro.
Resta que nem todos precisam de ser reeleitos. E, por infelicidade trágica, o único responsável político que podia ter alguma independência da opinião pública, porque arrumará as botas daqui a cinco anos, é o campeão da histeria covidesca.
Fica para memória, ao menos da minha, o que escrevi no Facebook mal soube da renovação:
O decreto presidencial é obsceno, porquanto: i) O estado de emergência não deve ser prorrogado todos os quinze dias porque isso esvazia por completo de sentido a limitação temporal que a Constituição estabelece – não estamos em guerra; ii) Há muito que se sabe que a maior parte das pessoas que não viram os seus rendimentos diminuídos está a favor do confinamento, e a maior parte dos que os viram diminuir ou desaparecer, ou ainda os que têm filhos em idade escolar e com eles se preocupam, estão contra, mas não lhes adianta nada porque estão em minoria; iii) O Governo é hipócrita porque se atrela à popularidade esmagadora do hipocondríaco que se senta em Belém, quaisquer que sejam as reservas que tem sobre este estado de coisas, e timorato porque tem medo de que se houver, mesmo que pouco provável, alguma derrapagem, ela será imputada por uma comunicação social acéfala e ignorante a quem tomou a decisão de aliviar; iv) Os partidos políticos sofrem da mesma cobardia, enfermam da mesma ignorância, e estão tolhidos do mesmo medo.
Conclusão: o Presidente é desprezível, os partidos abomináveis, as elites um nojo e o povo, esse, merece que o céu lhe caia em cima da cabeça quando chegar a hora de pagar esta loucura. É triste que os que mais sofrem por esta ausência de sentido do bem comum sejam igualmente chamados a remendar o tecido no qual esta mole de egoístas não cessa de abrir rasgões.

A opinião publica segue a opinião publicada…essa é muito pior.
Entretanto este tempo todo os trabalhadores das obras estiveram no trabalho… sem máscara obviamente. A opinião publicada e os “especialistas” não se interessaram um mínimo pelos resultados de tal.
Vivem na sua redoma “especializada”.
Tudo certo, Conclusão certíssima.
Cumpts.
Conclusão: o Presidente é desprezível, os partidos abomináveis, as elites um nojo e o povo, esse, merece que o céu lhe caia em cima da cabeça quando chegar a hora de pagar esta loucura.
Concordo em larga medida com esta conclusão. Excetuando a parte sobre o povo.
Mas agora não é a «Geringonça 2.0»?
Marcelo+CDS+PSD+PS…
Enquanto o Regime Abrilista (47 anos) durar, será sempre esta oscilação binária a marcar a gravidade da rotação.
Será sempre uma qualquer permutação ou combinatória dentro deste Regime.
Todos sabem, querem é não ver.
“que o instinto de Costa já lhe deve ter dito que os chamados cientistas, pela maior parte, estão às aranhas com o problema, e que não pode seguir a opinião de quem tem realmente experiência, isto é, alguns epidemiologistas não deslumbrados com o súbito estatuto de oráculos, porque ela choca com aquilo em que a opinião pública acredita”
Eu também penso assim: há dois tipos de especialistas – os bons que dizem o que eu quero ouvir e os incompetentes com quem não concordo.
Existem alguns com experiência da pandemia da gripe espanhola, mas estão na bicha para a vacina porque são prioritários e agora não podem pronunciar-se.
Ando há vários meses a, no meu modesto círculo de contactos e influência, defender mais ou menos estas posições.
Toda esta novela já pouco ou nada tem de fundamento cientifico, até porque as evidências se acumulam no sentido contrário da maior parte das teorias vendidas e das medidas tomadas.
As teorias nunca foram solidamente fundamentadas ( frequentemente as evidências infirmam-nas ), e tornaram-se dogmas defendidos por um santo ofício sanitário pronto a lançar na fogueira qualquer herege.
Os resultados das medidas, que nunca foram solidamente fundamentadas ( sempre o “ouvimos os especialistas” ) não resistem a análise cientifica baseada em evidências, o que não impede que um coro de crentes defenda, qual seita, doses reforçadas do mesmo.
Nunca se prova qualquer nexo causal, e na melhor das hipótese encontram-se correlações que os políticos e “especialistas” exploram descaradamente, como o fez agora o Costa.
Já outro “especialista” recomendou o encerramento das escolas porque o modelo matemático disse que sim. A temperatura subiu, os números desceram, e o especialista veio a palco pedir palmas à sua sensata decisão… “Foi o fecho das escolas que eu recomendei, e que teve efeito 6 dias após esse fecho”. Lá foram para o caixote de lixo da história o tempo de incubação e os manuais de epidemiologia.
Pois… é das medidas… é um plano de desconfinamento baseado nas medidas… Pois, e por acaso as datas batem todas certas com a linha temporal padrão da sazonalidade. Coincidências, certamente.
Tal como o anuncio do previsto sucesso do efeito das vacinas lá a partir do início de Abril. Calha mesmo bem ser o período em que as infeções respiratórias caiem a pique todos os anos. Mais coincidências.
Esta autêntica birra em evitar, pelo menos considerar a sazonalidade, em excluir das equipas epidemiologistas e organismos pertinentes e válidos, e a recusa em planificar estratégias e analisar resultados à luz de evidências e da metodologia científica, só pode ser explicada como uma fuga desesperada há hipótese de toda esta narrativa criada no ano passado cair pela base, e começar a equacionar-se seriamente pedir responsabilidades políticas e mesmo criminais a quem tomou decisões graves e desastrosas de forma precipitada e mal fundamentada, desprezando avisos e ignorando o fundamental debate e contraditório.
E os “especialista” vão igualmente agarrar-se às suas teorias e modelos matemáticos como a uma boia de salvação, porque correm o risco de verem a credibilidade académica ser arrastada pela lama provando-se que não seguiram a ética e metodologia científica, já para não falar do risco de sentarem o rabo em tribunal por cumplicidade com a classe política, ao caucionarem as “medidas”.
Portanto, esta gente ( e não me refiro só a Portugal ) prefere arrastar sociedades inteiras para o charco a assumirem sequer a hipótese de estarem enganados e corrigir o rumo, fugindo a responsabilidades e, evidentemente, assegurando-se que podem saltar fora do comboio quando ele se precipitar para o abismo.
P.S. O que escrevi não são “bocas avulsas” Há também opinião, mas fundamentada em dados. Por interesse académico, tenho analisado com atenção o desenrolar desta saga e consultado as revistas e sites de referência, estando à disposição para partilhar fontes que penso credíveis.
“Suspeita-se – eu suspeito – que o instinto de Costa já lhe deve ter dito que os chamados cientistas, pela maior parte, estão às aranhas com o problema, e que não pode seguir a opinião de quem tem realmente experiência, isto é, alguns epidemiologistas não deslumbrados com o súbito estatuto de oráculos, porque ela choca com aquilo em que a opinião pública acredita.”
Eu acho que tem razão…
Só substituiria “opinião pública” por “opinião pública que interessa”.
A emergência que eu vejo neste país é a alteração do sistema político-social que nunca se faz.
Como é possível ver ambulâncias paradas em frente a hospitais sem resposta e dizer-se que estamos em estado de emergência?
A culpa é do Trump, do Bolsonaro e do Boris, esse mesmo que saíu da UE e ficou com as vacinas todas !
O que mais me preocupa são as estirpes que podem aparecer num qualquer país do mundo pois o vírus chinês já está debelado pelo menos na China onde em mais de 1.5 biliões de pessoas nem sequer tiveram 10 mil mortos por covid, ou deverei dizer com covid que a língua portuguesa é muito traiçoeira.
Ide fazer mais negócios para e com a China onde a mão-de-obra é barata e as leis ambientais e humanitárias não existem, viva o mercado liver e auto-regulado pela mão invisível…
WW
Deduzo q o PCP, discordando de emergências e prorrogações, não é… um partido político.
Extraordinário!