Hoje fiz uma viagem ao mundo das substâncias proibidas. Andava realmente necessitado de uma trip à antiga.
Para não me comprometer nem ao dealer a quem recorri, usei palavras codificadas.
– Orientas aí uma castanha? Ia bem com um cilindro mágico…
O tipo, com um ar mal estimado, olhou-me de cima a baixo, e com maus modos grunhiu:
– Sabes bem que não há material!
– Como é que não há? Tens o tapete no último degrau, meu! Eu conheço o sinal.
– Qual sinal, crxxxxlo? – Quase que ladrou. Anda tudo nervoso.
– Eu conheço o sinal. Sou amigo do gajo que espetou um prego no pé. – Tinham-me garantido que dizer isto era suficiente. Pelo encarquilhar e insuflar da máscara deu para ver que ele estava quase a hiperventilar.
– Mostra o papel!
Meio a tremer e já com grossas gotas de transpiração a correr pela testa mostrei-lhe a nota. Fui novamente avaliado com desprezo.
– Então querias uma castanha e um cilindro? Um speedball, hãa?
– Ya! – pareceu-me uma resposta que um entendido daria.
– Não há garrafas de água. Ficas-te com uma bica e não digas que vais daqui.


Lindo.
Veja lá se é apanhado pela brigada dos cofinados e o obrigam a frequentar um programa de desintoxicação em Caxias.
Todo o cuidado é pouco. Anda aí uma bufaria do pior.
Ah, os cafés na clandestinidade… Vivemos tempos mesmo muito estranhos!
Chamar cafés aos estabelecimentos que não podem vender café será mais ou menos como chamar governo àquelas pessoas que se reúnem no conselho de ministros.
Ora bem 🙂
Também já bebi alguns destes, à socapa, mas infelizmente em copo de plástico. Enfim.
O recipiente também conta, mas importa é bater.
Ainda ontem falava disto com um amigo que não vejo pessoalmente há um ano: nunca pensei sentir tanta falta de uma esplanada e de uma bica.
Recusar-se a açucarar o cimbalino? Fassista!
Ou então frugal, que ficará uns pontos abaixo de fassista
Não poder ir tomar o meu ao Majestic, com um Dow’s… é o pior tormento da vida.

Ser obrigado a ouvir o PM é bem pior.
Concordo em absoluto!
Parece que estamos todos numa procissão dos coitadinhos, condenados ao mesmo desfecho final… Um verdadeiro hino à impotência, à igualização e ao marasmo.
As sondagens ajudam a entender como é que encaixamos 50 anos de ditadura.
E esse estabelecimento fica onde?
😉
Toldo azul, ao lado da mortuária. Há fila nos dois estabelecimentos. Um para entrar, no outro para sair.
Quando recolhem o tapete, estão a torrar grãos.
Na Mui Nobre e Invicta Cidade do Porto.
e o produto, como era? muito cortado ou à maneira?
A torrefação é feita num subterrâneo anexo a uma cave. A chaminé debita gases à superfície perto de um centro paroquial. Os agarrados não se arrancam dali a tremer, e o padre pensa que são este tempos de provações que os deixou mais sensíveis à mensagem.
Mas provações era o que eles queriam, pois de cheirar estão fartos.
O produto esse era bem honesto
Isso é que importa. Contra a crise, sempre!
Baril!
jsp