Após uma sequência de trocas e mensagens não entendidas, inadvertidamente acabei por ter uma ameixieira de jardim (Prunus cerasifera) nas cercanias da minha casa.
Além do formato despido de personalidade e do trabalho que dá a podá-la no final do Outono, as suas folhas são de uma cor que só poderia pertencer a um catálogo de cores frias. Não é uma árvore bonita.
Mas como a vida é feita de equilíbrios, é possível encontrar beleza mesmo quando menos contamos.
Assim, todos os anos no início de Fevereiro, esta árvore desperta-me um entusiasmo que lhe garante a permanência por mais uma temporada, e isto acontece por ser a primeira a anunciar a Primavera.
À excepção dos citrinos, que têm um ciclo próprio, apenas as nespereiras concorrem com a precocidade desta ameixieira de jardim. Por isso e desde ontem, que aqui à volta se tornou oficial: a Primavera vem aí! E nunca ansiamos tanto pelo fim de um Inverno.


todos os anos no início de Fevereiro, esta árvore desperta-me um entusiasmo que lhe garante a permanência por mais uma temporada
Como assim? Aquilo que lhe garante a permanência por mais temporadas não é o facto de dar ameixas?
Uma ameixieira serve para dar ameixas, não propriamente para enfeitar um jardim. Ou sou eu que estou a ver mal a coisa?
Só é ameixeira de nome. Não é bonita, mas é supostamente uma árvore decorativa.
As ameixeiras produtivas são mais tardias a florir.
Isso é porque essa sua ameixieira deve dar ameixias — mas uma ameixeira normal também pode ter um carácter decorativo. Não serão exactamente como os cedros que ficam bem em qualquer lado, mas o encaixe estético da ameixeira (e das árvores de fruto em geral) depende mais do quintal do que da árvore propriamente dita.
Acho eu.
Beleza? Equilíbrio?… Não dá para desconfiar, de que estamos a ser enganados por esses marcadores emocionais? …
Essa ideologia assente no “equilíbrio” (e depois, na prisão cognitiva à “beleza” que ele impõe a priori, como de um programa/software inscrito/inseminado por algo de fora se tratasse) tem muito que se lhe diga.
Esse desejo de “equilíbrio” não vem da necessidade de Simetria, imposta ditatorialmente ao livre-arbítrio e à liberdade de escolha humana?
A Natureza não impôs o seu Regime Ideológico, através da inculcação da crença de que Tudo está submetido ao Regime da Simetria Binária Isometricamente Inversa (sim/não, certo/errado, esquerda/direita, tudo/nada, culpados/inocentes, igual/diferente, mal/bem, etc.)?
Repare-se noutra “bela” flor/planta… a atual e mediática TAPSIGARGINA (Thapsia garganica), comum em zonas de mato no interior centro e no sul de Portugal, e noutros países em todo o mundo. Dizem (os investigadores da Universidade de Nottingham) que é um potente anti-viral contra o Covid, as gripes e outros vírus. ORA, será certamente uma coincidência. Mas os multiterminais da planta parecem uma isometria inversa dos multiterminais do Covid-19. Uma mesma solução comunicativa, isometricamente inversa, entre o lado de dentro e o lado de fora.
Coincidências…Que servem para extrapolarmos para o Debate Político, para a lógica dos Regimes que nos teimam em impor, e para esse soporífero vulgarmente designado por “Equilíbrio”. (Pedro Manuel-Cardoso)
É claro que as emoções nos enganam e iludem. Não precisamos delas para nada mais do que isso.
A concepção islâmica da beleza artística está presa à simetria, mas existem outras concepções artísticas diferentes. O equilíbrio não depende da simetria nem dos contrapontos em oposição.
Quando fala em regimes que nos tentam impor, faz-me lembrar da confirmação que recebemos de que a nossa democracia está a regredir. Qual será o melhor antídoto para isso?
Caro Paulo Sousa, permita que discorde.
1. O “Equilíbrio” é a consequência da “Simetria”, e esse fenómeno está para além da vontade ou escolha humana. Radica e está incrustado na própria Natureza (Física e Biologia) muito antes do Homo sapiens ter aparecido.
2. A compreensão da Natureza por parte do atual ser-humano opera através de um modelo simétrico isomorficamente inverso e opositivo. De facto, a evidência empírica (científica, histórica ou etnográfica) constata-o. Por exemplo, na matemática (mais/menos), física (ativo/neutro; preenchido/vazio; tudo/nada), biologia (nós/outros; morto/vivo), ideologia/política (esquerda/direita; igual/diferente), moral (bem/mal; certo/errado), ética (culpado/inocente; sim/não), e, transversalmente, em várias outras atividades humanas (desde a arquitetura, aos rituais, jogos, cerimónias protocolares, ou “festividades cíclicas”). As inúmeras metáforas do espelho, a estrutura antropológica do duplo expressa pela palavra “doppelgänger”, e outras formulações semelhantes, são também disso indícios.
3. É através deste programa/modelo a priori inscrito na cognição que funciona a regulação da vida biológica, social e cultural.
4. Esse modelo de compreensão (software), pelo qual a cognição do ser-humano julga «tudo aquilo o que o rodeia», permite criar um mecanismo de regulação quase-automático, ao induzir a necessidade de um ponto-de-equilíbrio (“meio”, ponto-de-fuga, espaço-de-Lagrange), que faça cumprir essa condição de simetria inversa isomorficamente oposta. Isto é, existe a priori inscrita na cognição uma necessidade de simetria, que impele forçosamente a um comportamento permanente de compensação e proporção, o qual se expressa no desejo ideológico, moral e ético de homeostase. E, na simetria dessa simetria, no desejo de transcender essa prisão da natureza através de um 3.º termo, considerado transcendente, divino ou espiritual. E assim sucessivamente.
5. Essa estrutura simétrica, isomorficamente inversa, constitui até um Objeto musealizável, possível de ser matematicamente captado e formalizado. Possibilitando construir uma equação que descreva e preveja todos os tipos de variação da simetria. Logo, o modo como ocorrerão os comportamentos humanos e biológicos dominados por tal modelo.
6. O Debate Político ganharia em perceber isso.
(Pedro Manuel-Cardoso)
A arte não tem de resultar de equilíbrios, nem das simetrias traduzidas na imensidão de equações com que podemos descrever os átomos, as pessoas ou o cosmos.
Mas o ponto inicial era a beleza que se oculta no improvável, e com atenção e sorte podemos realmente encontrá-la onde nenhuma algoritmo de IA se arriscaria a colocar.
Esse é o limite em relação à verdadeira Beleza.
A constatação de que não lhe temos acesso. Por estar vedada e oculta, a um primeiro nível de nós.
A constatação de que não é uma “evidência” (no sentido usado por Fernando Gil no seu “Tratado da Evidência”, de que “nada é menos evidente do que a evidência”). Que temos sempre de a procurar, e talvez, com sorte, como o Paulo Sousa diz, a possamos encontrar. Isto é, não está lá, dada pela aparência ou pelo imediato de nós.
É isso (essa Beleza) que o seu Post conseguiu fazer em todos nós que o vimos/lemos.
Só lhe temos que agradecer.
(Pedro Manuel-Cardoso)
Eu que lhe agradeço por me ter posto a pensar.
Paulo Sousa, os Posts fazem-me inventar, enquanto penso neles. E, quando passo a escrita, ainda mais improviso acontece. Nunca sei, antecipadamente, o que irá sair, e muito menos para onde a escrito me leva. O prazer desse jogo, é um dos motivos por que comento. Não tem a ver com necessidade de comunicação, conexão ou razão. Isso faço na minha atividade profissional. Quem os lê, devem parecer muito elaborados, e cheios de desejo ético ou moral. Mas não é verdade, isso é uma ilusão. Não é esse o meu objetivo. Muitas vezes nem sei o que estou a dizer, antes de ver o formato das letras que imprimi. Um processo semelhante à pintura automática. Há neste comentar algo impronunciável, a que, pessoalmente, também poderia chamar «beleza».
A espontaneidade com que nos prendou não foi descabida de todo, antes pelo contrário. Como disse, para poder comentar também me pôs a pensar.
Obrigado por isso
Obrigado.
O que aqui é de mais admirar é a árvore começar o texto como ameixeira e acabar como cerejeira já em flor. Mistérios da natureza com certeza.
Num momento destes, apontar erros é anti-patriótico
PS: Já corrigi. Obrigado.
É verdade! Nunca ansiei tanto pela Primavera. E não só pela pandemia,mas este ano o Inverno também chegou em força. Faz parte,mas é tão triste… Que bonita essa flor.😀
Uma ameixeira de jardim. É daquelas que têm as folhas vermelhas muito escuras? Eu gosto, com o background certo. As minhas prunus estão ainda muito adormecidas. Mas flores do Inverno estão agora a chegar: as das camélias já abriram e as das azáleas estão mesmo quase.
Adoro o despojamento Invernal. Mas também é bom ver chegar a Primavera.
🙂
São essas mesmo, Susana.
Talvez o background não a ajude a fazer boa figura. Será um problema idêntico ao sentido pelos nossos governantes…
Aqui discordo. Se plantar uma conífera dourada ao pé da sua ameixeira vai ver que o efeito é bonito. Já aos nossos governantes não há dourado que lhes valha… 😉
Já eu preferiria ver florir uma amorphophallus titanum no jardim de São Bento.
E que o cheiro se entranhasse bem nas narinas parlamentares…
Isso cheira-me uma qualquer ilegalidade… para violar a lei, eu preferia comprar livros escondidos por detrás de umas latas de conserva num hipermercado.
Sempre uma florinha onde não se espera.É uma luzinha ao fundo do túnel e prenúncio da chegada da Primavera!