John Le Carré em sete citações


Pedro Correia,

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«Todo o poder corrompe, mas alguém tem de governar.»

A Toupeira (1974)

 

 

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«Dos fortes sei eu proteger-me. Deus me livre dos fracos.»

A Gente de Smiley (1979)

 

 

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«A lealdade em excesso pode ser uma terrível maldição. É que pode vir um dia em que não haja mais nada nem ninguém a quem servir.»

A Casa da Rússia (1989)

 

 

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«Nós, os seres humanos, somos umas armas muito perigosas. E mais perigosas ainda nas nossas fraquezas. Sabemos tanto sobre o poder dos outros. E tão pouco sobre o nosso.»

O Nosso Jogo (1995)

 

 

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«As mulheres fazem os lares, os homens fazem as guerras.»

O Fiel Jardineiro (2001)

 

 

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«É um dos grandes problemas do nosso mundo moderno, sabe? O esquecimento. A vítima nunca esquece. Pergunte a um irlandês o que os ingleses lhe fizeram em 1920 e ele dir-lhe-á o dia do mês, a hora e o nome de todos os homens que eles mataram. Pergunte a um iraniano o que os ingleses lhe fizeram em 1953 e ele dir-lhe-á. O filho dele dir-lhe-á. O neto dele dir-lhe-á. E quando ele tiver um bisneto, também lhe dirá. (…) Ignorar a história é ignorar o lobo à porta.»

Um Homem Muito Procurado (2008)

 

 

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«O que é a memória? Devíamos encontrar outro nome para a maneira como vemos os acontecimentos passados que permanecem vivos dentro de nós.»

O Túnel de Pombos (2016)

19 comentários em “John Le Carré em sete citações”

    1. Le Carré – que escreveu sobre os temas mais emblemáticos do século XX – merecia ter recebido o Nobel da Literatura. Esta grave omissão foi uma das maiores injustiças cometidas pelo vesgo júri daquele prémio.

    1. Essa citação aflora um dos maiores problemas do nosso tempo, relacionado com a soberania dos povos e os seus labirintos identitários, explicando em parte os ressentimentos que se multiplicam nas mais diversas latitudes e longitudes.

  1. Um Excelente escritor que na vida real foi espião, alguém que conhecia o ser humano e a capacidade que este tem de se esconder de si próprio.
    John Le Carré também era uma escola de vida e um manual de relações humanas, onde a psicologia imperava num mundo frio de homens que faziam do mundo um simples jogo de tabuleiro enredado em complexas teias obscuras de interesses onde a ficção e a realidade se confundiam.
    Autor de uma obra vasta e única de livros, filmes e séries que fazem a delícia de qualquer fã de histórias de espionagem.
    Vou ter saudades!

    1. Le Carré elevou a literatura de espiões, celebrada por autores como John Buchan, Eric Ambler e Ian Fleming, a um patamar de excelência. Por efeito de contágio, isto sucedeu também com filmes e séries – desde muito cedo, aliás.
      No cinema, por exemplo, com ‘O Espião que Veio do Frio’ (filme de 1965, realizado por Martin Ritt, com Richard Burton e Claire Bloom).
      Na televisão, por exemplo, com ‘A Gente de Smiley’ (série de 1982, produzida pela BBC e com Alec Guinness como protagonista).

    1. Parece uma paráfrase da célebre “boutade” atribuída a Giulio Andreotti. Mas lembra bem esse livro dele que também li e só aqui não trouxe porque (ao contrário do que em regra faço) esse não o tenho sublinhado, tal como essa obra-prima do mesmo autor que é “Um Espião Perfeito”.

      Também li há muitos anos “O Espião que Saiu do Frio” (velha edição da Portugália, salvo erro), mas alguém mo levou sem devolver. Faz parte desta “dinâmica” dos livros…

      Mas verifiquei agora que li mais obras de John Le Carré do que supunha.

  2. Quando era miúda tinha um caderninho onde assentava as frases que mais me tocavam de cada livro que lia. Depois perdi esse hábito.
    Este conjunto de citações relembrou-me esse tempo. 🙂
    Interessantes citações de um autor que acho nunca ter lido. Gostei particularmente da citação do Fiel Jardineiro.

    1. Eu colecciono citações há muitos anos, tenho milhares – organizadas por temas.
      Entre essas citações, incluem-se as dos muitos livros que vou lendo. É útil, por exemplo, para serem rememoradas em momentos como este. Vantagem de sublinhar trechos de livros: não voltam a ser os mesmos depois de os ler. E, se são bons, também eu mudo um pouco em função deles.

  3. Li-lhe quase tudo Pedro.
    São os leitores quem imortaliza o escritor , lendo e relendo-lhe as obras, rindo, chorando, emocionando-se, enfim vivendo o conteúdo com avidez. Agradeço-lhe todas as viagens que me proporcionou, nos livros e na tela, e as boas memórias que deles tenho. Bela homenagem, Pedro.

    1. Obrigado, Maria Dulce. Lembrei-me de homenagear Le Carré desta forma, já com alguns dias de atraso.
      Mas, de facto, a melhor forma de homenagearmos um escritor é lendo as suas obras. Cá tenho mais duas dele, prontas a ler nos próximos tempos: “O Gerente da Noite” e “O Venerável Espião”. A primeira, aliás, conheço-a de uma excelente adaptação televisiva da BBC, estreada em 2016, com Hugh Laurie no principal papel.

  4. Não tenho a certeza de ter lido todos os livros dele mas tenho a certeza de ter gostado (quase diria amado) de todos os que li, todos os que aqui mostra excepto o Tunel dos Pombos.
    Agradeço a sua lembrança que é, afinal, um tributo ao homem e à sua infinita imaginação.
    Cumprimentos.

  5. Cada legenda, dava um programa, uma discussao fraturante.
    Mas só um especialista , sabendo de mais livros ? de Carre, poderia descortinar o sentido do Pedro na apresentaçao.
    Tocou-me particularmente “a vitima nao esquece”, muito poderia dizer, mas o exemplo dos irlandeses, e o mais , está correto, é pertinente. Mas poderiam ser dados mais exemplos dentro de nós, nós pais colonizador, p.e.

    Estou justamente a escrever de memoria , para memoria e para partilha de quantos fizeram parte de um comunidade laboral concreta. Homenageando os que já nao estao, já nao vivem, e juntando os outros. Nos ” acontecimentos passados que vivem dentro de nós ”

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