Brandos Costumes


Cristina Torrão,

“Métodos que levaram à morte de Ihor não são caso isolado”, alerta Amnistia Internacional.
A dire(c)tora de Investigação e Advocacia da Amnistia Internacional Portugal conta ao JE que existe um “problema sistémico” e “um padrão de abusos dentro” das estruturas do SEF. “Há muitos anos que existem relatos de uso de força excessiva, agressões e maus-tratos”, denuncia.

Existe um comportamento padrão de abusos dentro das estruturas das forças de segurança e, por outro, um sentimento de impunidade que dá a alguns maus agentes a confiança de torturar e assassinar uma pessoa sem temer consequências”.

De um modo geral, a representante da Amnistia Internacional argumenta que a tragédia diz-nos que “não estamos plenamente num Estado de direito e que ainda há muito trabalho a fazer para sermos uma sociedade verdadeiramente respeitadora dos direitos humanos de todos os cidadãos, sem exce(p)ção”.

Maria Lapa deixa por isso um alerta: “é preciso vontade política para resolver os problemas de forma duradoura e não apenas apresentar soluções rápidas para apaziguar a opinião pública enquanto dura a polémica e o mediatismo”.

 

Por todo o Facebook existem milhares de imigrantes brasileiros, angolanos, venezuelanos, ucranianos, agrupados em comunidades virtuais. Lá dentro abundam as reclamações, as sugestões e o medo.
Sobretudo o medo. Falam de racismo, xenofobia e até de agressões, mas a maioria não se sente à vontade para revelar o nome publicamente.

No espaço havia duas áreas, “a nossa e outra secção em que estavam somente pessoas negras”, revela Antónia. “Quando perguntamos o porquê de isso acontecer, o agente respondeu: ‘Vocês não querem ser tratados como eles são, não é…”.

Eles até batiam em alguns. Homens principalmente. Torturavam-nos para dizerem as coisas.

Quanto a Pablo, Gilcimar alega contornos preocupantes e fala em “ameaças físicas” que provocaram medo e, inclusive, despoletaram uma situação de incontinência urinária no jovem de 23 anos.

 

E pensar que vivemos num país pertencente à União Europeia, um país não-racista, respeitador dos Direitos Humanos…

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12 comentários em “Brandos Costumes”

  1. Afinal quem é que não sabia? Brandos, fantoches e cobardes, que levaram nove meses para soltar a cloaca.

  2. Olha os jornalistas já foram ao rolodex e ligaram o numero de telefone da Amnistia Internacional e esta dignou-se a falar mas não há meses. Porque será?

  3. Agora querem todos sacar uns dinheirinhos por maus tratos..

    Vamos lá ver uma coisa: as pessoas são separadas porque vêm de sítios diferentes — por questões processuais não vão meter toda a gente na mesma sala, vão agrupar as pessoas por países ou grupos. Depois, é necessário perceber quem são aquelas pessoas, origem, condições, motivações. E haverá um sem-número de procedimentos de segurança e tempos de espera.

    É giro que depois de bombas, daeshes, aviões contra os prédios, atropelamentos por camiões em mercados de natal com famílias de gente destruídas, criancinhas mortas, violações, assaltos, etc, etc na Europa, as pessoas ainda pensam que os emigrantes são todos bonzinhos — e que pode entrar toda a gente que bate à porta indiscriminadamente (como se ocupar a terra dos outros fosse um direito inalienável porque inventaram uma culpa ocidental que não existe, pelo contrário: se andam de sapatos e sem catanas a tiracolo é graças ao ocidente) e que não é necessário que haja o mínimo de averiguações e verificações. E deve haver gente que pensa que um posto fronteiriço que recebe imigrantes é um salão de chá, que toda aquela gente enfiada no mesmo buraco não gera stress e situações de conflito… Até no Centro de Emprego os nativos sentem stress, exposição física e humilhação e algumas até são mal-tratados, quando mais no SEF.

    Estas queixas agora demonstram o carácter oportunista das pessoas — sempre trazidos, levados e empurrados pela mão das organizações de esquerda.

    1. Aconselho-o a ler os textos que “linquei”. O SEF parece agir mais de acordo com os humores de alguns dos seus funcionários, do que baseado em qualquer sistema lógico, o que contraria logo a sua frase de abertura: «as pessoas são separadas porque vêm de sítios diferentes».

    2. A serio? É Português? Milhões de Compatriotas nossos espalhados pelo Mundo. Nos anos 1960/iam ” a salto”.Tentar uma vida melhor,sair deste País pobre,cinzento e salazarento. Nem todos são terroristas, vêm procurar vida melhor. Calcar uma bota no peito de uma pessoa,diz tudo desses assassinos. E os atrasados dos (das),seguranças a comentarem ” o sacana tinha epilepsia”. Quem é esta gente???!!!

  4. Os pareceres e as cogitações da Amnistia Internacional, são dados constantes no meu trabalho, por isso, acabo por ter uma opinião muito pessoal e direta, sobre aquilo que valem.
    E o certo é que valem pouco. A AI é uma entidade subsidiada por vários estados, privados, entidades internacionais, enfim, um sem número de membros que mantêm aquilo a funcionar.
    A maior parte dos países que de forma mais ou menos clara, a financiam, fazem-no apenas por uma questão de imagem. Porque fica bem na opinião pública, porque fica bem institucionalmente, mas o certo é que não ligam patavina ao que de lá sai.
    Se na segunda metade do Sec. XX, a AI teve um trabalho meritório e com objetivos lúcidos e claros, o que lhe valeu até um prémio Nobel da paz, actualmente isso não se verifica.
    E não se verifica porque caiu no erro de proteger uns e colocar em causa outros. E como já nos habituamos, protege quem mais lhe dá, quem mais lhe interessa.
    Para além disso, a sua descredibilização institucional, e não falo na descredibilização na opinião pública, surge porque se tornou preguiçosa.
    Não é admissível rotular A ou B apenas pelo diz que disse. Para se ter credibilidade é necessário analisar o contraditório. A preguiça chegou ao ponto de se emitirem análises, baseadas em opiniões pessoais, individuais, muitas vezes anónimas, de pessoas nas redes sociais.
    Ora, ser-se tão básico não traz credibilidade.
    Num estado de direito, a opinião de um, deve ser sempre fundamentada, antes de se fazer um juízo de valor.
    E é nisto que a organização peca, não investiga, não se dá ao trabalho de confirmar, contrapor, analisar. Tudo aquilo que fazia antes, deixou de fazer. Daí nenhum governo lhe ligar nenhuma, na realidade.
    A AI deveria elevar-se, regressar aos seus valores e métodos originais, optar por um serviço livre de agendas e cheques com vários dígitos, para fazer o seu trabalho.
    É uma organização importantíssima, que tem vindo a perder importância no seio dos governos, que são aqueles que de facto poderão colocar em prática as suas sugestões.
    Mas os governos não o fazem, porque as suas teorias têm uma sustentação factual muito débil, pouco fundamentada, com pouca prova e muitas insinuações.

      1. Mas o que vale para um, vale para outro.
        O polígrafo afirma que há relatos, queixas não formalizadas, apenas comentadas entre grupos, relatos.
        Em todo o caso, para que algo seja levado realmente a sério judicialmente, que é o que deveria acontecer, é necessária matéria factual.
        No mínimo uma queixa devidamente formalizada. Ao não ser assim, acaba por se tornar um boato. E havendo responsáveis, estes passam impunes.

  5. Todos presos! Os 3 assassinos,o médico do INEM,seguranças e todos que encobriram! Mas aqui em Portugal não, em Kiev!!!!

  6. Como o cidadão ucraniano não tinha visto gold e provavelmente opôs-se a untar os inspectores morreu, deve ter sido isso…Quem quer emigrar tem de trazer documentos, mas não trazem smartphones de ultima geração que nunca ficam sem bateria e alguém paga as passagens aos traficantes…

    WW

  7. CT, o meu obrigado por ter sido a primeira a ter colocado aqui no DO, o primeiro “post” onde o que aconteceu ao Ihor, não foi aproveitado para relativizar o que, pura e simplesmente, deveria ser assumido como uma incondicional vergonha para nós.
    Sei que é expatriada e casada com um estrangeiro (como eu!) e, não tenho qualquer dúvida de que esse facto fará muita diferença, em relação à vasta maioria dos habitués aqui do blogue.
    Eu só “conheci”, de facto, o SEF quando, por termos sido roubados a uns poucos dias de regressarmos, a minha companheira teve necessidade de pedir a extensão do seu visto. Enquanto esperávamos pela nossa vez para sermos atendidos, tive a oportunidade de apreciar como o aparelho burocrático do SEF funcionava: sim, os mais mansos, são retribuídos com supostos favores de quem os atende; os mais exaltados, por sua vez, são castigados o que, evidentemente, leva à situação da tal “pescadinha de rabo na boca”: quanto mais reclamam, a mais prepotência são sujeitos. Eu vi funcionários embaraçados a lidar com um africano que dominava na excelência, o inglês, para logo a seguir se desforrarem num qualquer ucraniano… No caso da minha esposa, até fomos atendidos quase com o estatuto de VIPs: rapidamente fomos encaminhados para uma sala privada e, em menos de 2 ou 3 dias, até lhe concederam uma extensão do seu visto. Mas ela até nem abriu a boca: e nem precisava, porque por lá, ninguém dominava a sua língua ou a outra em que ela se desembaraçava.
    Confesso que a imagem com que tinha ficado do SEF até era ambígua: à entrada em Lisboa, nunca descobri qualquer problema e eu até alinhei, com a minha esposa, na bicha dos “outros”. O pior veio do que assisti nos seus “escritórios”…
    Claro, eu como bom tuga, até deveria estar era caladinho: nós até fomos tratados como VIPs.

  8. Excelente! Realmenteo problema maior é que as soluções efetivas só podem ser alcançadas a longo prazo.
    Trata-se realmente de um problema estrutural ,arraigado pelo constante menosprezo dos direitos humanos,que depende de uma politica responsável e incisiva para a desconstrução da violência enquanto forma de poder.
    Em tantos lugares vem ocorrendo esse fenômeno .O ser humano, vem perdendo uma das principais virtudes que o qualifica
    como humano em sua essência:a empatia.Vigora um menosprezo generalizado:impera a violência policial,o racismo,a violência contra os grupos lgbt contra determinados grupos religiosos …
    Parece que o fenômeno se manifesta com maior intensidade em ciclos na história. Qdo. a violência assume tal atrocidade provoca uma reação contrária e o período seguinte passa a ser mais ameno, e no seguinte esquece-se todo o aprendizado e ocorre novamente a desumanização .
    Qdo. retomamos os períodos mais violentos que se repetiram na história ,por preconceito,arrogancia,abuso de poder,era de se esperar que a humanidade fosse tomada por tamanha empatia que se absteria da violência e dos preconceitos que marcaram tais períodos.
    Depois de passarmos pela “Santa Inquisição “,o genocidio em Guernica, na China durante a invasão japonesa,no período nazista na segunda guerra mundial,do genocídio americano ao bombardear Hiroshima e Nagasaki, o genocídio perpretado por Stalin,posteriormente o ocorrido na divisão da Iugoslávia, dentre outros; é dificil aceitar que os valores (ou ausência deles) venham a ser defendidos com violência por determinados grupos em pleno séc. XXI.

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