Hoje queria escrever sobre tanta coisa.
É dia de São Martinho e diz o proverbio que se vai à adega e prova-se o vinho.
O vinho que bebi hoje foi de uma vinha plantada pelo meu pai, que nos deixou, fez dois anos em Maio. Essa vinha é hoje cultivada por alguém com que eu poderia ter alimentado um conflito, mas que afinal consegui transformar todos os motivos, que no fundo nada valiam, num acordo. A vinha em causa está voltada para sul, é pequena, é estimada e foi nela que o actual cuidador ensinou os seus filhos a podar. Fui presenteado com um dos primeiros garrafões PET de 5 litros da época, que me chegou à mão dentro de um saco de plástico preto. Já aqui vos falei da importância que as castas teimosas têm, e esta é uma casta teimosa premium.
Recebi também uma excelente notícia. Soube que uma amiga ultrapassou uma etapa efectiva e sólida na sua luta contra o cancro. Só isso seria sempre motivo de celebração, mas em tempos de pandemia, essa excelente notícia é também um solene levantar do dedo do meio às doenças da moda, ao Covid e ao cancro em particular. Vai buscar, tinhoso.
Num ápice li este texto do Carlos M. Fernandes. Mesmo sem ter conseguido enxergar as suas interpretações na leitura recente da Peste de Albert Camus, achei que deviamos inventar uma manifestação simbólica e achincalhante para com os nossos governantes. Mas tinha de ser algo fácil e cómodo, pois se não o for, todos preferirão enfiar o cabresto dos mansos.
Após o pico da preia-mar acontece o chamado estofo da maré. Demora algum tempo e durante o qual o ciclo seguinte é quase imperceptível. Até mesmo ao início da vazante, tudo está aparentemente na mesma. E num repente tudo muda. O pico anterior é apenas passado e depois disso o momento, e o momentum, tornam-se vorazes e totalmente inversos ao passado. Acho que o estofo deste governo, e da geração de Sócrates (passo a redundância) está a terminar.

“deviamos inventar uma manifestação simbólica e achincalhante para com os nossos governantes.” Gostei do achincalhante. É nosso dever achincalhar todos os Governos enquanto não conseguirmos que seja do nosso partido. Democracia é isso. Eu alinho.
Isso é válido para todos os quadrantes políticos e chama-se democracia. Qual a surpresa? Quem apoia a situação fica à espera de vez.