DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Cláudia Vicente: «Como pessoa concebida em clima tropical e gestada em circunstância atípica, comecei por ser confundida com um desses parasitas da família Plasmodium que causam a tão conhecida infecção. Triste é que a dita, décadas depois, continue a matar milhões (sim, leitores, milhões) de pessoas a cada ano; o quinino não deu cabo de mim, pelo que aqui estou, fazendo votos para que os avanços liderados por estes cientistas portugueses venham a ter a mais positiva das consequências  nos que fazem o possível e impossivel para sobreviver a um mal escandalosamente banalizado. Portugal não é só parlamentação, meus amigos.»

 

Ana Margarida Craveiro: «Por motivos profissionais, ando a ler relatórios sobre acontecimentos políticos dos últimos anos por toda a Europa. Desengane-se quem pensa que a nossa democracia “é uma pouca vergonha!”. Não somos nem mais nem menos que os restantes europeus: corrupção, escândalos sexuais (Ok, aqui podíamos melhorar a nossa prestação), conflitos Presidente-Primeiro Ministro (ui, a Polónia é engraçadíssima neste aspecto), birras entre partidos, etc. Mas há uma diferença, que tenho encontrado em vários casos de corrupção: se na Áustria, Irlanda e Finlândia à primeira prevaricação apanhada em flagrante o partido tenta disfarçar, à segunda o ministro ou primeiro ministro cai mesmo.»

 

João Carvalho: «As novas formas de exclusão social são muitas e nem todas estão ainda devidamente avaliadas. Emigração/imigração, injustiça, desemprego, abandono familiar/social e pobreza envergonhada/escondida são apenas algumas. Pairam sobre elas grandes dramas, como a falta de expectativas de vida, a fome, o desânimo e a indiferença, entre outros, que conduzem à marginalidade, ao roubo/crime, ao mercado negro/paralelo e assim por diante. Neste final de 2010, que a União Europeia declarou como Ano Europeu do Combate à Pobreza e à Exclusão Social, o que se verifica é o crescimento das novas formas de exclusão social na Europa.»

 

Eu: «António de Oliveira Salazar tinha 37 anos quando chegou pela primeira vez ao Ministério das Finanças, no Terreiro do Paço. Demorou-se poucos dias: a ditadura militar não lhe dava as condições de mando que pretendia. Regressou dois anos mais tarde, numa situação de ainda maior penúria, e dessa vez demorou-se 40 anos exactos. A incompetência generalizada da classe política, tanto do 5 de Outubro como do imediato pós-28 de Maio, abriu caminho a esta longa ditadura unipessoal que começou por legitimar-se no domínio das finanças: a bancarrota foi evitada, as contas públicas ganharam equilíbrio e o défice deu lugar em poucos anos a um surpreendente superavit. O resto da história sabemos qual foi.»

Um comentário em “DELITO há dez anos”

  1. A incompetência generalizada da classe política, tanto do 5 de Outubro como do imediato pós-28 de Maio

    Foi o próprio Salazar quem elogiou Afonso Costa, em particular por ter conseguido manter as Finanças equilibradas até 1914.

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