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A secretaria-geral do ministério da Defesa Nacional, instância decerto composta por assalariados do funcionalismo público, dispendeu algum tempo – ou seja, dinheiro público -, a compor uma proposta de directiva para uma “linguagem não discriminatória e mais igualitária nas Forças Armadas”, a qual inclui este tipo de modificações. O dinheiro (tempo) gasto nesta escrevinhice não terá sido muito, e quem a fez não deverá ter muito mais para fazer. Ou seja, os custos efectivos disto são um nada. Tem apenas custos subjectivos, pois a patetice potencia irritações sociais e nisso oposições espontâneas a outras justas práticas tendentes à equidade. Muito bem esteve o ministro da Defesa, João Gomes Cravinho, ao explicitar que esta coisa “é absolutamente menor, não tem relevância nenhuma e, do meu lado, confesso que não pretendo passar muito tempo a pensar nessa matéria” pois “o que é verdadeiramente importante é o trabalho que está a ser feito na promoção da igualdade de género dentro das Forças Armadas”.
Ainda assim isto custa-me. Pois vejo gente letrada (e reparai que uso um abrangente feminino, que é corrente), pela qual tenho amizade e respeito, a partilhar esta tralha como se fosse algo positivo. Outros que a isto louvam são os que usam o “X” para evitar o género das palavras, mesmo em comunicações profissionais, julgando que tais ignaros ademanes os engrandecem ou alindam.
O que esta imagem exemplifica é uma pobre mentalidade que considera necessário, pois positivo, substituir a genérica “indivíduo” – que é a palavra explicitamente subjacente – pela genérica “pessoa”. Já agora, e num olhar mais minucioso, para além disso carrega uma visão sociológica muito básica, de facto populista e nisso anti-democrática, ao propagandear a noção de “classe política”. Mas isto até é um mero detalhe, apenas denotativo da ignorância dos proponentes.
A igualdade e a equidade são causas justas. E estas nada ganham com argumentações estúpidas. E muito menos com sensibilidades histéricas.
Adenda: um dia passado sobre a notícia deste tonto documento o ministro Gomes Cravinho decidiu pela sua anulação. Esteve bem.

Este Cravinho não sabe nem nunca saberá o que representa ser militar….a Nação ,,,,,,

A.Vieira
Sagres até será um nome de género neutro para veleiro, agora se o NRP Arpão quiser sair do armário… vai ser bonito.
” O dinheiro (tempo) gasto nesta escrevinhice não terá sido muito, e quem a fez não deverá ter muito mais para fazer. Ou seja, os custos efectivos disto são um nada. “
Não. Os custos serão enormes.
O que quer dizer é que as Forças Armadas estão a ser politizadas, para se ser promovido vai ter que se entrar neste jogo ou acaba a carreira.
O objectivo é existir uma peneira ideológica e um ritual de passagem para definir os politicamente fiáveis pelo controlo da linguagem.
As Forças Armadas entram no newspeak de 1984 de Orwell.
Quer dizer que o tipo de pessoa que vai ser escolhido para as Forças Armadas vai ser diferente, serão cada vez mais definidos por esta politização do que pela competência técnica.
Os resultados deste desvio da enfase das questões militares para a politização neo-marxista na US Navy foram desastrosos com vários navios em colisões com navios mercantes dos quais foram responsáveis e os cada vez maior número de burocratas Almirantes.
lucklucky
“O que quer dizer é que as Forças Armadas estão a ser politizadas, para se ser promovido vai ter que se entrar neste jogo ou acaba a carreira.”
O Salazarismo foi um regime autoritário que talvez merecesse a classificação de ditadura se outras ditaduras mais ou menos contemporâneas não fossem todas muito piores. E, claro, controlava as Forças Armadas, antes do mais financeiramente pois os quadros estavam previamente definidos e só haviam promoções havendo vagas; assim oficiais sem grandes perspectivas de promoção próximas eram atraídos para comissões de serviço civis em que a lealdade ao regime era condição “sine qua non” sendo as comissões de censura prévia o mais significativo exemplo mas apenas um de vários.
Depois o crivo final: atingido o posto de coronel ou capitão-de-mar-e-guerra a promoção a oficial general era apenas possível aos escolhidos pelo poder político.
“Isto” é uma democracia mas as Forças Armadas, continuam igualmente controladas. Com os cortes orçamentais e o regime de promoções por antiguidade, os orçamentos esgotam-se nas remunerações e a falta de verbas para material e formação esvaziou a capacidade de actuação, excepto para alguns que efectuam missões internacionais e outros que, ligados a actividades da NATO, incluindo formação noutros países, maxime nos EUA, ou seja, os que acedem a actividades e benefícios de orçamentos externos e, necessariamente, passam no crivo de quem “dá o pão”, crivo esse que, pelo menos no caso dos EUA é bastante apertado.
Já não há comissões de censura pois há métodos mais modernos para controlar a informação, mas, para amigos, ainda se arranjam uns empregos improváveis, como o daquele coronel amigo de António Costa que comandou a Protecção Civil – um lugar que, em caso de crises, poderia implicar o comando de oficiais-generais – até ao desastre de Pedrogão Grande.
E, claro, coronel e capitão-de-mar-e-guerra continuam a ser o fim das carreiras militares pois a oficial general só vão os escolhidos pelo poder político. Aliás essa escolha tem-se revelado eficaz pois que me lembre, apesar de todas os incidentes político-militares que não foram poucos, houve um único caso em que um CEMFA se atreveu a discordar publicamente (criticar, se quiserem) o governo. Curiosamente foi o mais improvável de todos, o Almirante Fuzeta da Ponte que singularmente chegou a almirante sem nunca ter comandado um navio. io_Carlos_Fuzeta_da_Ponte
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B3n
Por isso não me parece que o “newspeak” venha acrescentar ou modificar alguma coisa que não exista já. E também por isso (e por outras coisas) não consigo levar “Isto” a sério.
Fernando Almeida. Discordo. É uma questão importante de diferença de grau.
Quando se começa a mexer no significado das palavras e censurar expressão estamos noutro patamar.
Não era preciso nenhum newspeak para se ser “salazarista” ou seja a lógica da coisa era simples, não chateias o poder mas não precisas de aprender uma nova linguagem e passares por uma lavagem cerebral. Para uma ditadura não totalitária como Estado Novo baseada num nacionalismo simples que até já vinha da Republica e antes.
Sim qualquer Almirante ou General é um cargo ultimamente político, mas o grau de fidelização politica desse cargo varia conforme o regime – ou a cultura – ser mais o menos totalitária.
Quando se proíbem frases a este nível é outro grau.
lucklucky
’tá a ver, ou a haver, que não, e logo essa ‘neo-marxista na US Navy’ foi forte.
O centro mundial do Marxismo(neo) são os EUA, as suas Universidades e os seus jornalistas. Se quisermos ser mais completos, os chamados países Anglo-saxónicos. Os Almirantes arranjavam tempo e ocupação mental para colocar os marinheiros em stilletos às custas de ensinar navegação…
lucklucky
E claro continuam todos os dias contra Martin Luther King.
https://news.usni.org/2020/10/01/nowell-n avy-wants-diverse-recruits-in-all-career-f ields-to-lead-to-more-diverse-leadership
lucklucky
Esta proposta envergonha as nossas Forças Armadas.
A começar naquela da “classe política”, a que quem escreveu parece querer pertencer, tudo o resto é bobagem, como dizem os brasileiros. E considerar que bem-vindo é a mesma coisa que “boa vinda” é de quem não sabe o português elementar.
Portanto, aqueles papeis só podem ter um destino decente, que é o caixote do lixo.
Bom, agora é esperar pelo sistema de promoção por quotas.
Que se lixe o mérito, o esforço, a dedicação.
Quer dizer… mesmo agora que se lixe o mérito, o esforço, a dedicação, porque ninguém liga nenhuma a isso.
Mas para além dos lambe botas, das cunhas e dos familiares, os bons ainda vão ter de se haver com as quotas… desgraçados.
Por isso se demoniza o grupo “Visograd”…
Estou de acordo que isto é questão menor (e por isso mesmo não compreendo a razão para o ministro se envolver, de uma forma ou de outra). E claro que cada um tem a sua opinião sobre a questão (o jpt apresenta a sua).
Só não percebo porque razão tanta gente se abespinha contra uma mudança do género plural (nem sei se posso referir-me a isto desta forma) de masculino para outra coisa qualquer.
Sempre usei (como, creio, praticamente toda a gente) “os” e “eles” para descrever um ajuntamento que contivesse pelo menos um homem. Não conheço ninguém que usasse “elas” para mais que um grupo exclusivamente de mulheres. No entanto sempre me perguntei porquê. Se um grupo contiver 5 mulheres e um homem, qual o problema em nos referirmos a “elas”? Nenhum, dir-me-à muita gente (com muita razão), mas a verdade é que isso nunca/raramente será feito.
Isso reflecte-se da mesma forma em documentos oficiais, que enquanto cresci estavam dirigidos quase exclusivamente ao género masculino, provavelmente resquícios dos tempos em que apenas homens eram letrados e “chefes de família”.
Não vejo como mal mudar a linguagem. Não vem daí mal ao mundo e, se não aumenta custos (basta gastar os documentos existentes e substituí-los pelos novos), não vejo porque alguém se incomode com o assunto. E de facto não vejo porque razão há-de um ministro perder o seu tempo a justificar uma posição ou outra.
Parece-me que não prestou atenção ao início do post. O documento foi distribuído pela secretaria-geral do ministério da Defesa; no dia seguinte foi anulado pelo ministro da Defesa.
Além da matéria, há assim a questão de saber se o ministro mudou de opinião sobre um documento que conhecia, se assinou “de cruz” um documento ou se a secretaria-geral do ministério emitiu um documento à revelia do ministro.
E não me parece um assunto menor. Se calhar o ministro perdeu “o seu tempo a justificar uma posição ou outra” para escamotear o erro ou a incompetência associada.