Ninguém escolhe a família. Logo, parece-me abusivo associar a conduta de uns familiares de Sócrates a eventuais culpas do PM no caso “Freeport”.
Posição diferente tenho em relação ao caso “Face Oculta”. Se não podemos escolher a família, podemos escolher os amigos. Sócrates soube escolher os “amigos” dentro do PS, capazes de assegurar a sua eleição para secretário-geral. Só que em política as amizades, tal como os almoços, nunca são grátis. Por isso, quando foi escolhido pelos portugueses para exercer o cargo de PM Sócrates teve de pagar a “amizade”, escolhendo para seus colaboradores, alguns dos que o ajudaram a chegar a secretário-geral.
A lista de secretários de Estado do actual governo é bem esclarecedora. Alguns dos nomes escolhidos não têm perfil para desempenhar o cargo e estão tão deslocados no elenco que parecem ter sido arrumados como as jóias de família de que os herdeiros não se querem desfazer, mas não sabem onde colocar. O mesmo se terá passado na escolha de determinados nomes para os conselhos de administração de algumas empresas, agora indiciados no caso “Face Oculta”.
Se alguma(s) dessas pessoas vierem a ser constituídas arguidas e posteriormente acusadas e condenadas, Sócrates não poderá eximir-se a responsabilidades no plano político. As escolhas foram feitas por ele, logo deverá tirar daí as devidas ilações e consequências. Não pode é fazer como a avestruz.

Sim, porque para avestruzes já basta o povo que votou nele…
(e quantas mais provas serão precisas?)
Tipo se isto for um país de avestruzes, certo? Boa.
“Sócrates não poderá eximir-se a responsabilidades no plano político”
Não concordo.
O facto de Sócrates colocar um determinado indivíduo numa determinada empresa não o torna corresponsável por todas as falcatruas que esse indivíduo futuramente faça, enquanto funcionário dessa empresa ou alhures.
Não se pode ampliar desta forma os erros ou delitos de uma qualquer pessoa a erros ou delitos de pessoas que anteriormente a ajudaram.
Sócrates pode ser culpabilizado se tiver colocado numa empresa uma pessoa que ele sabia ser um escroque. Não pode ser culpabilizado (nem mesmo “politicamente”, seja lá o que isso fôr) se uma pessoa que ele colocou numa empresa decide executar algum desfalque, sem que Sòcrates tenha participado nesse desfalque.
Seria aberrante estar a estender dessa forma o conceito de culpabilidade, ampliando a culpabilidade de um indivíduo à culpabilidade de todos os seus amigos ou apoiantes.
So não entendo por que razão nos é servida tão insistentemente essa coisa da «culpabilidade». Com cinco letrinhas apenas se escreve a palavra “culpa”…
É controverso Carlos, muito controverso. Posso ser amiga de um criminoso sim, e continuar sua amiga apesar dos seus crimes. Depende do tipo de crimes naturalmente. Os afectos podem estar acima disso. Quantas vezes os afectos por amigos não são mais fortes do que os afectos por alguma família…
Gostei, sinceramente. Mas as coisas podem ter custos políticos, não é? Gostei, ainda assim.