Não quero médicos a mandar


Pedro Correia,

Há por aí alguns responsáveis autárquicos a exorbitar das funções que lhes são atribuídas, torcendo as normas legais: a pretexto da epidemia em curso, querem impor o uso obrigatório da máscara aos munícipes em todos os espaços públicos, incluindo ao ar livre. Algo que as autoridades centrais nunca decretaram – nem sequer quando o País se encontrava sob estado de emergência, com números de infecções e mortes mais preocupantes do que os actuais. Por um motivo muito simples: nada no nosso ordenamento constitucional autoriza tal medida.

Este excesso de zelo autárquico – e refiro-me concretamente, pelo menos, aos presidentes das câmaras municipais de Guimarães, Arruda dos Vinhos, Castro Marim e Vila Real de Santo António – é aplaudido por alguns talibãs do sistema sanitário que percorrem os telejornais, serão após serão, em defesa aberta de tal medida. Acontece que estes clínicos não foram eleitos para tomar decisões em nome do interesse público. É para isso que existem os governantes, sujeitos à legalidade democrática. No dia em que os médicos tomassem o poder e os políticos exercessem medicina estaríamos todos bem pior.

32 comentários em “Não quero médicos a mandar”

  1. Autarquia de Lisboa é o exemplo de uma câmara que permite festas privadas em espaços fechados em que as pessoas se divertem sem mascaras, o exemplo da festa da Cristina Ferreira e outras é que para estes o covid está sempre de férias.
    E depois o resto da população já querem condicionar com as limitações conhecidas.

    1. Eu acho que não permite – se as autoridades forem chamadas e estiverem mais de 10 pessoas, terão de dispersar. O problema é que ninguém chama, porque é na “Estufa Fria”, também ganham um cachet simpático…

      1. Infelizmente!!!
        Pode ter a certeza que permitem, o salão esta sob uma concessão e tudo o que é festa, a câmara tem que ter prévio conhecimento, neste caso concreto da estufa fria….

      2. O problema é que chamam, mas quem é que aparece a policia municipal ao serviço da câmara municipal , por isso nunca dá em nada.
        Se falar com pessoas que vivem nas imediações, bem lhe podem dizer muito mais.

  2. Isto é como o negócio dos medicamentos e os médicos. O caso da vacina por exemplo:
    – as encomendas estão feitas, na ordem dos milhões.
    – é preciso frascos, na ordem dos milhões.
    – é preciso seringas, na ordem dos milhões.
    – é preciso agulhas, na ordem dos milhões.
    Com tantos milhões em jogo tem mesmo de ser provocado um medo irracional nas pessoas para se poder escoar o produto.

    1. O que é triste nisto tudo, é não haver a certeza da possibilidade de uma vacina,
      Dizem que sim, mas pode não haver…

  3. É uma onda longa que tem crescido nas sociedades ocidentais de uma parte políticos a quererem ter a imagem do poder mas passar as responsabilidades da decisão para técnicos.
    Em simultâneo os técnicos ainda sem história de serem punidos publicamente pelos seus erros, crescem em ambição de controlo sobre os outros para criarem a sociedade perfeita e higiénica depois das “certezas” com que foram doutrinados nas Universidades.

    Formalmente temos ainda o nascimento das “Autoridades” ao nível do estado no Ocidente algumas delas até com forças policias/para militares próprias é um dos sinais desse movimento. É o movimento para o Managerial State.

    Pouco disto – que é uma mudança significativa do sistema político sem ter sido votado sequer- preocupa os autodenominados “jornalistas”…

    ——-
    Margaret Thatcher a avisar os seus ministros para não se esconderem por detrás de técnicos:

    “Advisers advise, ministers decide.”

    lucklucky

  4. EXEMPLARMENTE POSTIÇO
    O número de casos já está a descer para metade das contas do bruxo Costa.
    Que brevemente essa tendência de descida se verifique também no numero de vitimas mortais, e que o alarmista imitador de 1º ministro se prepare para ir à vida dele.
    O Sr. Costa pode fazer apelos para que se cumpram as regras.
    O que não pode nem deve é aconselhar para que se descarregue ou se pratique seja o que for para a nossa saúde.
    Trata-se de uma abusiva intromissão que excede as suas competências, substituindo-se às autoridades acreditadas na matéria, incluindo os assistentes operacionais que anuncia.
    Qual a sua legitimidade moral, institucional, técnica e cientifica para nos vir ameaçar com o seu crescendo suicida de casos de infecção?
    Fique a saber que a minha aposta a partir deste momento, é o seu contrário, de uma diminuição regular e progressiva muito abaixo do seu milhar alarmista.
    Tenha a hombridade de caso não se confirme a sua lamentável adivinhação, de se pirar o mais rapidamente aceitável da área da governação.
    Dou-lhe uma semana para a conclusão de que resulte finalmente em vê-lo pelas costas.
    Pois é, um político governante também não pertence ao campo do futebol.
    Lembre-se que foi você que disse:
    Mesmo em rodada de copos numa taberna, um ministro nunca deixa de o ser.

  5. nada no nosso ordenamento constitucional autoriza tal medida

    Eu diria que as normas em relação à forma de trajar (usar máscara é como usar chapéu ou usar biquini ou usar sapatos) não são proibidas nem têm que ser permitidas pela Constituição.

    Mas há uma norma constitucional, que é o direito de reunião (artigo 45º, número 1, da Constituição), que tem sido impunemente violada, sem que aparentemente ninguém se importe com isso.

  6. A propósito do pensamento antisséptico dominante, do poder médico, bem como do controlo, daí resultante, da sociedade, nada melhor do que a leitura do livro polémico de Bernard-Henri Lévy, recentemente chegado às bancas ” Este vírus que nos mata”.

  7. Povo e Póvoas, Autoridades administrativas e governamentais, Autoridades sanitárias e seus complementos, e Suas Excelências os animaizinhos que agora também usam de direitos, tou chegando para botar discurso. Escutai-me:

    Deixai-vos de mascaradas. Preocupai-vos em cuidar da saúde de quem se encontra em casa com dificuldades em deslocar-se e até mesmo sem possibilidade disto;
    Preocupai-vos com a saúde desses e dos que habitam em residências de idosos, e digo-vos isto porque se os serviços inspectivos fossem diligentes, e se os profissionais de saúde estivessem atentos a determinados fenómenos, compreenderiam esta estatística muito simples e esclarecedora que segue:

    – 40 % das mortes ocorridas quer em ambiente residencial de idosos quer em pessoas em confinamento tem como origem as infecções que degeneram em septicemias. Estes 40% identificam a E. Coli (compreendem o que quero dizer ou é preciso desenhar?) como causadora desta mortandade, que, se existissem cuidados sérios e melhor vigilância das autoridades competentes, não ocorreriam.
    – A somar a esta situação verifica-se que em patologias ligadas à saúde mental, memória e outras correlacionadas, ocorre uma sobredose de medicamentos que retiram a possibilidade de manter os pacientes em situação activa e que permita contrariar a situação da(s) patologia(s).

    – Adicionando ainda a este fenómeno e para os que ainda podem deviam ser definidos programas de cuidados externos de socialização, prolongando-se assim os estados de vigilância, gosto pela vida, e melhor saúde física.

    – É necessário compreender que o cérebro é a máquina que comanda outros órgãos, e se este cuidado de socialização e não o da medicação for levado à prática resultaria menor prejuízo dos pacientes, menor gastos com a saúde, melhor qualidade de vida e menos mortalidade devido a factores conexos.

    Por agora, tenho dito. Deixai-vos de merdas e sejam felizes fazendo a felicidade dos demais.

      1. Obrigado, Vorph, pelo link. Há uma pandemia dentro da pandemia que já se adivinhava. Adivinhava-se pela tradição e pelo bom senso que se deve usar para prever as matérias.

  8. O problema, Pedro, é que a nossa população parece ser menor de idade. Entregue a si mesma, dá chatice.

    Arrepia – me a associação entre Ciência Médica e Política, resquícios do que ficou, creio para trás, em 30, a Norte.

    Mas fico enraivecido ao ver nas ruas e sobretudo à entrada das escolas gente sem máscara, cirúrgica, mas de palas, à distância de um beijo social.

  9. E no dia que os autarcas se esqueçam que devem zelar pelo interesse público, estaremos pior. Ninguém gosta de impor regras, acho eu – mas estamos numa situação sanitária urgente, tudo o que não seja “invasivo” é de preconizar – qual é o problema? As especialidades médicas de saúde pública e pneumologia existem por uma razão, são diferenciações profissionais importantes no atual contexto, as diretrizes estão alinhadas com os guidelines internacionais, não vejo mal em adotar medidas preventivas.

    1. Lamento, mas isto não é questão de achismos.

      Os autarcas não têm o direito de fazer leis, muito menos leis que envolvem matéria constitucional.

      Os autarcas têm, sim, o dever de aplicar as leis.

  10. Estou farto de dizer. As câmaras e os seus “autarcas” (só o nome diz tudo) têm a mania que são donas das terras e mandam em tudo. Precisam de oposição forte e violenta: levarem nas trombas se for preciso.

    Quem é que estes bandalhos pensam que são? São meros funcionários públicos e já se esqueceram de onde vêm.

    1. Subscrevo! (menos o “levarem nas trombas” . É verdade que a generalidade dos autarcas são pequenos caciques locais, corruptos e sem escrúpulos, sem preparação para gerir algo mais que os negócios de família (e esses normalmente gerem muito bem, à conta do erário público, claro). O único mérito que têm é a visão de aderir a atividade partidária e no momento certo se posicionarem.
      Mas têm responsabilidades em matéria de saúde pública, insisto.

  11. Independentemente de quem mande, o importante é que fundamentem as decisões e as afirmações que vão produzindo.

    Para o efeito, nada melhor que a evidência dos factos. Vamos então aos gráficos de óbitos diários e casos diários, imagens colhidas em https://www.worldometers.info/coronavirus/ :

    http://prntscr.com/uknlb4 UK
    http://prntscr.com/uknne8 Spain
    http://prntscr.com/uknor3 Italy
    http://prntscr.com/uknqcf Sweden
    http://prntscr.com/uknsae Peru (confinamento rigoroso desde Março)
    http://prntscr.com/ukntph Brazil (sem confinamento)

    Conclusão imediata: depois da fase inicial deixou de existir correlação entre o número de testes positivos e o número de óbitos. Os casos positivos estarão a aumentar sem que o número de óbitos aumente na mesma proporção. As causas serão várias. Este comportamento repete-se na generalidade dos países. Também as quarentenas cegas se mostram inúteis, o que já se sabia desde o século XIX e que entretanto foi “esquecido”.

    Quanto mais casos houver sem que isso se traduza em óbitos, precisamente o que está a acontecer, menor será a taxa de mortalidade relativa ao número de casos (em inglês CFR, case fatality rate) e portanto menor perigosidade terá o vírus.

    Segundo o Prof. Michael Levitt, prémio Nobel e um dos que passou pelo famoso Lab. de Biologia Molecular da Universidade de Cambridge, a epidemia estará acabada. O Dr. Michael Yeadon, ex-conselheiro científico da Pfizer, diz algo semelhante: “It is obvious to any biological expert that the pandemic is fundamentally over”. O Prof. Carl Heneghan, do CEBM da Universidade de Oxford, afirma também: “Pandemic is all over”. Muitos outros dizem o mesmo.

    Eu, olhando apenas para os gráficos, não tenho motivos para discordar. A evolução das curvas de óbitos diários apresentadas corresponde aproximadamente à função de Gompertz, descritiva de todas as ILI, entre outros fenómenos. Contudo, atendendo aos efeitos sazonais comuns a outros coranavírus, admito que a cauda das curvas de óbitos diários se vá prolongar, com maiores ou menores flutuações, tal como se prolongou noutras epidemias do passado.

    Nestas circunstâncias, alguém pensar na obrigatoriedade do uso de máscara em espaços abertos é anedótico. Provavelmente, até uma rede neuronal com apenas dois neurónios produziria decisões mais acertadas, poupando-se muito dinheiro aos contribuintes.

    1. Não vale a pena contrariar a corrente de pensamento “pandemia-acabou/máscaras-atentado-à liberdade” já percebemos que são convicções muito fortes, os dados estatísticos são uma maravilhosa ferramenta, dão para tudo… . Mas não é a opinião dominante e quando existe a possibilidade de colocar em risco o direito (à saúde) das outras pessoas espera-se alguma contenção e responsabilidade, a civilidade é feita destes gestos que deveriam ser espontâneos. Não concordo com aplicação de multas, mas descartar o uso de EPI nesta fase, merece ponderação. É verdade que os óbitos por razões alheias ao SARS-CoV-2 são preocupantes (nem é possível avaliar ainda) mas nos infetados com indicação para internamento a doença pode ser muito agressiva e debilitante. Porquê nuns e noutros não? Não se sabe, aliás pelo pouco que ainda se conhece, quanto mais não seja por isso, deveríamos todos ser prudentes.

      1. Porque “os dados estatísticos são uma maravilhosa ferramenta, dão para tudo”, excepto para os ineptos perceberem o que se passa.

        Porque “Não se sabe, aliás pelo pouco que ainda se conhece, quanto mais não seja por isso, deveríamos todos ser prudentes.”, o que é bem demonstrativo da ignorância de quem o escreve, a Preservita tem a solução para todos esses problemas:

        https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/de-boca-bem-tapada-11739083?thread=95422923#t95422923

        1. “A juventude envelhece, a imaturidade é superada, a ignorância pode ser educada e a embriaguez passa, mas a estupidez dura para sempre.” Aristófanes

          1. Em homenagem a Aristófanes.

            Sobre imunidade/imunidade cruzada:

            “Targets of T Cell Responses to SARS-CoV-2 Coronavirus in Humans with COVID-19 Disease and Unexposed Individuals” (Cell)

            https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32473127/

            Do Abstratct: “circulating SARS-CoV-2-specific CD8+ and CD4+ T cells were identified in ~70% and 100% of COVID-19 convalescent patients, respectively. CD4+ T cell responses to spike, the main target of most vaccine efforts, were robust and correlated with the magnitude of the anti-SARS-CoV-2 IgG and IgA titers. The M, spike, and N proteins each accounted for 11%-27% of the total CD4+ response, with additional responses commonly targeting nsp3, nsp4, ORF3a, and ORF8, among others. For CD8+ T cells, spike and M were recognized, with at least eight SARS-CoV-2 ORFs targeted. Importantly, we detected SARS-CoV-2-reactive CD4+ T cells in ~40%-60% of unexposed individuals, suggesting cross-reactive T cell recognition between circulating “common cold” coronaviruses and SARS-CoV-2.”

            “SARS-CoV-2-specific T cell immunity in cases of COVID-19 and SARS, and uninfected controls” (Nature)

            https://www.nature.com/articles/s41586-020-2550-z

            Do Abstract: “Next, we showed that patients (n = 23) who recovered from SARS (the disease associated with SARS-CoV infection) possess long-lasting memory T cells that are reactive to the N protein of SARS-CoV 17 years after the outbreak of SARS in 2003; these T cells displayed robust cross-reactivity to the N protein of SARS-CoV-2. We also detected SARS-CoV-2-specific T cells in individuals with no history of SARS, COVID-19 or contact with individuals who had SARS and/or COVID-19 (n = 37). SARS-CoV-2-specific T cells in uninfected donors exhibited a different pattern of immunodominance, and frequently targeted NSP7 and NSP13 as well as the N protein. Epitope characterization of NSP7-specific T cells showed the recognition of protein fragments that are conserved among animal betacoronaviruses but have low homology to ‘common cold’ human-associated coronaviruses. Thus, infection with betacoronaviruses induces multi-specific and long-lasting T cell immunity against the structural N protein.”

            Sobre a vitamina D:

            Sobre o tema tenho razoável colecção de artigos, grande parte deles já por mim referidos neste blogue, sendo a evidência científica avassaladora quanto aos efeitos negativos que a sua carência induz no desempenho do sistema imunitário, desde a incidência de cancro até à generalidade das infecções, em particular a COVID-19. O artigo mais recente (e o mais interessante, para mim) diz respeito aos resultados do primeiro ensaio clínico sobre os efeitos terapeuticos da vitamina D (na forma de análogo de mais rápida absorção) no tratamento de hospitalizados com COVID-19. Efeitos profilácticos já conhecia, mas não estava à espera de efeitos terapêuticos. O artigo peca pela reduzida dimensão da amostra, mas os resultados são surpreendentes e estatisticamente significativos.

            “Effect of Calcifediol Treatment and best Available Therapy versus best Available Therapy on Intensive Care Unit Admission and Mortality Among Patients Hospitalized for COVID-19: A Pilot Randomized Clinical study”

            https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0960076020302764

            Sobre a falácia dos testes RT-PCR:

            https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/um-caso-irrecuperavel-11790407?thread=95884871

            O conhecimento existe, apesar de não passar nas TVs e não ser referido nos jornais. Apenas é necessário procurá-lo, o que dá trabalho.

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