
João Carvalho: «Tive sempre muita dificuldade para encarar as médias absurdas para se entrar em determinados cursos superiores essenciais, como o de Medicina, mas confesso que é a primeira vez que assisto ao ingresso de alunos com médias negativas em cursos que devem conceder licenciaturas ao domingo. Este sítio onde se fala de “exigência” à exaustão não é no meu planeta.»
João Villalobos: «As mulheres são o princípio activo do universo, digo-te eu. Este planeta é o planeta das mulheres. Ele move-se empurrado pela sua vontade de amar, de serem amadas, de perdoar e de esquecer. E o Tempo, também ele, é feminino, embora por vezes as palavras tenham o sexo trocado na maternidade da gramática. O Tempo como já não o conhecemos, de quando éramos crianças e tinhamos mãe e o seu calor a eternidade da nossa ignorância. Deves lembrar-te, havia essa luz nova em cada manhã e o mistério renovado de viver.»
José Gomes André: «Pela primeira vez na vida, decidi alugar um carro num país estrangeiro. Recomendo vivamente. Fica-se com a oportunidade de sair da “zona de conforto”, abandonar os centros urbanos e perdermo-nos em regiões tipicamente fora da rota “turística”. Conhece-se melhor o país, a cultura, os costumes e a paisagem.»
Eu: «Durante um certo período – um período demasiado longo, podem crer – todo o glamour parecia ter sido banido do cinema. Sei do que falo: fui vítima disso. As actrizes belas e vaporosas, que pareciam irreais e nos faziam sonhar, eram um símbolo do passado. Elizabeth Taylor e Natalie Wood, por quem estive estupidamente apaixonado, haviam deixado praticamente de filmar. E todas as outras a que justamente chamávamos estrelas tinham sumido sem deixar rasto. Quando me tornei espectador regular de cinema, no lugar das estrelas havia a “mulher comum” – último grito de guerra feminista contra a visão “estereotipada” da beleza feminina posta num pedestal.»
