DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Luís M. Jorge: «Sócrates, refeito por umas férias em hotel de cinco estrelas, perna laroca, leituras elevadas, duche Vichy com exfoliação e óleos aromáticos, comove-se com as novas vítimas do estado social: Alegre fez-se triste, Cavaco está no papo, Portas, como sempre, pôs-se a jeito, Louçã, sossegadinho, medita no engulho das presidenciais. Em Massamá, Passos Coelho contempla o remoinho de papéis que se formou nos contentores da reciclagem. Um raio de sol desponta entre dois prédios e ilumina o parque de estacionamento. Quatro gordas saboreiam babás na esplanada da Mizete. Um rafeiro faz cocó à entrada do Minipreço. Ainda há beleza no mundo, mas o líder do PSD não dá por ela: é um homem oprimido, aflito, angustiado.»

 

Eu: «Pode existir um código de conduta equiparado ao cavalheirismo entre os mais duros presidiários, aqueles que entendem que “quando se cai do cavalo há que voltar logo a montar”? Eis uma das interrogações que servem de base à trama desta obra de Elmore Leonard, por muitos considerado o maior autor vivo do género. É um policial tenso, sem contemplações de qualquer espécie, à margem de toda a correcção política. Aqui os maus são péssimos, não beneficiam de atenuantes de ordem psicológica ou sociológica. Roubam porque querem, matam porque têm instintos assassinos. São machistas, racistas, destituídos de qualquer princípio moral.»

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