Fico confuso. Paro para reflectir. O Pedro Correia destaca os vinte anos de liberdade a Leste com uma mão-cheia de verdades terríveis no interior da cortina-de-ferro que o Muro de Berlim tentava ocultar e cai, certeiro, em cima das lágrimas do Avante!, que chora saudosamente a queda do socialismo soviético. O Carlos Barbosa de Oliveira diz que o champagne ainda está no congelador por ainda haver muitos muros, outros muros que se ergueram após a queda do Muro de Berlim, o que impede a celebração.
Afinal, o que é que eu celebro? É difícil. Celebro a resistência contra o extermínio de homens por outros homens, o assassínio de opositores pacíficos pelo poder político, as novas escravaturas, as deslocações tolhidas, as leituras proibidas, os pensamentos julgados, os sonhos desfeitos, as famílias destruídas, os amigos traídos, as expectativas goradas, os desejos pisados. Não quero muros, não. Há 20 anos, ficou menos um. Outros há, outros haverá, mas um deles já caiu.
O que é que eu celebro? Celebro esse símbolo da vitória sobre um "muro da vergonha". Afinal, a opinião não deve ser delito. É isso que eu celebro: o sinal de que os muros caem sem sujarmos as mãos de sangue. Sujas de sangue estão, não raro, as mãos que os erguem.

Só há um pequeno pormenor, João, que merece ser lembrado… é que foi depois de o muro de Berlim ser derrubado, que se ergueram os da faixa de Gaza, o dos EUA na fronteira com o México ou o da Eslováquia. Ou seja: um foi derrubado, mas construíram-se três do lado que hoje celebra a queda do muro de Berlim. E isso, meu caro, faz toda a diferença…
PS: Que fique bem claro ( antes de dizers que passei de esquerdista a comunista) que não subscrevo as teses do PCP. Excepto aquela que diz ( e à qual me antecipei aqui no DO) que o mundo está mais perigoso, e mais injusto do que há 20 anos.
Caríssimo Carlos, não foi por acaso que escrevi que «outros há, outros haverá». Infelizmente.
E jamais me passaria pela cabeça ir além de gracejar sobre um perigoso esquerdista como tu.
Eu inclino-me mais para o Carlos, para dizer a verdade. O leste não vê de forma assim tão favorável o fim dos regimes comunistas. Há como que um sentimento agridoce quanto ao assunto. E os saudosistas não são poucos.
E eu inclino-me perante a evidência, João. As injustiças continuam a fazer parte do nosso mundo, mesmo entre quem não chegou a conhecer o socialismo soviético.
Hoje celebra-se, entre outras coisas, o fim de uma sociedade de cinco milhões de bufos que espiavam 16 milhões dos seus compatriotas- era este o número dos ‘informadores’ da Stasi, a polícia política da RDA: os seus ficheiros, devidamente arquivados, totalizam 180km de estantes e 40 milhões de fichas pessoais. Hoje celebra-se, entre outras coisas, o fim de uma ditadura execrável, que mandava matar os seus próprios cidadãos que pretendiam passar a fronteira. Se isto não é motivo para celebrar, não haverá nunca motivos para celebrar.
Celebremos, pois. Eu celebro.
Hoje? Ich bin Berlinerin
:))
Pois seja: Ich bin Berlinerin!
Ich bin Berliner, assim é que é. Berlinerin é feminino, João.
Serão entregues…
(Ich bin Berliner!)
Ahahahah
Berliner, o in fica para as meninas ehehhe
:))
Claro… para as meninas… a parte melhor…
Oh não fica out, João.
Nunca.
Nie
O champagne no congelador é que não!! Era uma vez uma garrafa e era muiiiiiita pena;.)
Um estrago, é o que é.