
Ana Vidal: «De volta à luz e ao calor do sol, ofereça a si próprio(a) um presente de luxo, ao fim da tarde: Ravello. É uma verdadeira jóia esta cidadezinha de influência mourisca, empoleirada na ponta da falésia a 400 metros de altura sobre o mar. É também a capital cultural de toda a Campânia, com um importante e muito prestigiado Festival de Artes que vai de Julho a Setembro. Há diariamente concertos, peças de teatro, dança, etc. Tudo isto se passa no auditório mais bonito que já vi, nos jardins da Villa Rufolo, suspenso sobre o mar por uma estrutura metálica.»
Bruno Vieira Amaral: «Quando eu era pequeno, e ia para a cama cedinho, a minha mãe lia-me histórias bíblicas, inoculando-me, sem o saber, criacionismo e maus costumes. Em nenhum outro livro a expressão “dormir com os anjos” é sinónimo de uma noite pouco sossegada. Conheci Noé e a sua epopeia de meteorologia e construção naval, torci pelo sucesso da Torre de Babel (um relato em que linguística e construção civil se unem) e abominei Abraão, um daqueles tipos que só dá jeito conhecer quando o negócio é fundar uma religião universal ou degolar um filho.»
Sérgio de Almeida Correia: «Recordo uma vez ter lido um texto notável de Jorge de Sena em que ele, dirigindo-se a um candidato a jovem poeta, ou escritor, a dada altura referia que se o destinatário dessa missiva quisesse ter sucesso deveria começar por se prostituir, escrevendo aquilo que os editores e os bem-pensantes gostavam de ler e depois, um dia, quando tivesse alcançado o sucesso, se ainda tivesse ficado lá no fundo com a motivação e não tivesse vendido todos os seus princípios, então poderia começar a escrever aquilo que lhe dava prazer. O que qualquer editor recusaria publicar a um jovem candidato.»
